POLÍCIA INTERNACIONAL

Ministério Público aciona Interpol sobre missionário que matou o filho

Dandre Jermaine Grayson confessou ter espancado a criança de 3 anos porque o menino não lhe desejou "bom dia"

O Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS) acionou a Organização Internacional de Polícia Criminal (Interpol) para obter informações referentes ao missionário norte-americano preso em Viamão (RS) depois de confessar ter espancado o filho de 3 anos.

A criança, identificada como Oliver Golden Grayson, morreu na noite de quarta-feira (8/7).

O religioso Dandre Jermaine Grayson, de 33 anos, é dos Estados Unidos e se encontra sob prisão preventiva desde o domingo (5/7). Grayson e a família, composta pela mãe e outras quatro crianças estiverem em ao menos outros dois estados brasileiros antes de chegar ao Rio Grande do Sul. A esposa de Dandre também foi presa na quinta-feira (9/7).

Conforme informou a subprocuradora para assuntos institucionais do MP, Alessandra Bastian da Cunha, a intenção é compreender se Dandre já havia sido investigado por crimes anteriores.

“Já se pediu colaboração da Interpol para poder dizer se este homem já não tinha também antecedentes nos Estados Unidos, se não era procurado lá, para entender a situação dele antes de migrar para cá”, declarou Alessandra.

Antes de se estabelecer no município de Viamão, a família já estava sob monitoramento em São Paulo e Santa Catarina, onde viveram por algum tempo.

“Estamos solicitando agora os antecedentes desses outros estados para entender se já mostrava um perfil criminoso relacionado a essas agressões, o que possivelmente seja verdadeiro. Se naqueles outros estados houve ocorrência policial ou houve só acompanhamento da rede, nós ainda não sabemos”, afirmou Alessandra.

Segundo a profisisonal, o Ministério Público só passou a ter conhecimento do caso quando o pequeno Oliver foi levado ao hospital. Antes disso, o MP não foi acionado.

Em depoimento à Polícia Civil, o missionário confessou ter desferido socos contra o filho e batido a cabeça do menino no chão porque a criança não lhe desejou "bom dia". O Ministério Público, entretanto, desconfia que um objeto tenha sido utilizado nas agressões e vai investigar a hipótese.

“Foi pedido um mandado de busca e apreensão na casa para verificar qual foi o instrumento de agressão dessa criança. O relato do pai teria sido de agressão apenas com os punhos e bater a cabeça da criança, mas pelo relato da médica, possivelmente, aquelas lesões não teriam sido causadas apenas com punhos e precisaria ter sido utilizado um instrumento contundente”, informou a subprocuradora.

Além de Oliver, o órgão também foi capaz de identificar sinais de agressões nos três irmãos mais velhos e deve apurar a dimensão da violência familiar.

“Existem informações de agressões anteriores em relação às crianças, às três mais velhas. Está se solicitando prontuários médicos dos hospitais de todas as cidades pelas quais eles passaram, para que se verifique o tamanho dessa situação, que, por alguma razão, e provavelmente pelas mudanças frequentes, acabou não sendo trabalhada em toda a sua integralidade”, relatou Alessandra Batian da Cunha.

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