
Um medicamento que promete reduzir 84,8% das internações de pessoas com fibrose cística foi apresentado hoje (06/08) em evento na Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT), com a presença do ministro da Saúde, Alexandre Padilha. Chamado de Trikafta, a terapia ajudou mais de 2,4 mil pessoas no Sistema Único de Saúde (SUS) nos últimos dois anos. Na rede privada, o remédio custa em média R$ 194,5 mil, podendo chegar a R$ 2,5 milhões por ano.
A fibrose cística é uma doença genética rara, caracterizada pela produção de muco grosso e pegajoso, que se acumula no pâncreas e no pulmão. Entre os sintomas estão pneumonias, tosse crônica, dificuldade para ganhar peso e estatura e diarreia.
De acordo com a pneumologista e secretária-geral da SBPT, Flávia Fernandes, antes, não existia um tratamento específico para a doença, mas tratamentos para os sintomas. “A gente fazia tratamento de suporte. O que é esse tratamento de suporte? O pâncreas não está funcionando, então a gente atua em cima do pâncreas. Está difícil tirar a secreção? Vamos fazer fisioterapia respiratória. Vamos dar remédio para deixar a secreção mais fluida. Isso trouxe um ganho importante. A gente passou a ter pacientes que sobreviviam até mais ou menos 20 ou 30 anos, mas isso tinha um custo muito grande. Havia internações frequentes, uso frequente de antibióticos e uma grande carga de tratamento”.
O diagnóstico é feito principalmente por meio do teste do pezinho, do teste do suor e de exames genéticos. O tratamento consiste em fisioterapias respiratórias, que auxiliam na retirada de muco grosso dentro do peito, o uso de nebulizadores com remédios, além de antibióticos. Pelo SUS, o medicamento pode ser retirado em farmácias de alto custo, com a apresentação da receita médica. O tratamento é oral e feito em casa.
O Ministério da Saúde investiu R$ 2,8 bilhões em recursos federais para a distribuição de mais de 6 milhões de unidades do medicamento.
Durante o discurso no evento, o ministro da saúde, Alexandre Padilha, parabenizou a inovação do medicamento e ressaltou a importância da modernização na ciência e tecnologia no Brasil. “Precisamos preparar cada vez mais o país porque, é isso que garante soberania no país. A pandemia mostrou isso. Um país que não consegue produzir aquilo que é fundamental para garantir e sustentar a saúde do seu povo, vai ser um país eternamente dependente de outros”, comentou.
Para o ministro, sem acesso, a inovação perde seu propósito “Inovação sem acesso, para mim, nem deveria ser chamada de inovação; deveria ser chamada de injustiça. Ter uma inovação tecnológica sem garantir o acesso a certas pessoas aumenta a injustiça. É como dizer quem vai morrer e quem não vai morrer a partir das barreiras de acesso que as pessoas enfrentam”, acredita.
Estudo
Durante um ano, 39 Centros de Referência no Brasil avaliaram 647 adultos, adolescentes e crianças que usavam a terapia tripla moduladora elexacaftor, tezacaftor e ivacaftor, conhecida como Trikafta. Segundo o Relatório Nacional de Monitoramento, produzido pelo Grupo Brasileiro de Estudos de Fibrose Cística, a terapia reduziu mais de 96% a necessidade de oxigenioterapia domiciliar, tratamento que fornece oxigênio extra, em pessoas com a doença.
Além disso, a pesquisa revelou um aumento médio de 10 a 14 pontos na função pulmonar, uma redução dos ciclos de inflamação e infecção, a diminuição de mais de 66% no uso de antibióticos sistêmicos e a melhora no estado nutricional.
*Estagiária sob a supervisão de Rafaela Soares
