OPERAÇÃO LÍVIA

Operação Lívia investiga grupo digital que induzia jovens a atos violentos

Ação mira organização criminosa que utilizava redes para manipular psicologicamente e recrutar adolescentes para atos de extrema violência

A Polícia Civil de Mato Grosso do Sul investiga uma organização criminosa suspeita de utilizar plataformas digitais para atrair adolescentes, submetê-los à coerção psicológica e incentivá-los à prática de atos de violência extrema.

A apuração integra a Operação Lívia, apresentada nesta terça-feira (4/8) pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) como uma das ações nacionais de combate à misoginia digital e aos crimes de ódio no ambiente virtual.

 

De acordo com as investigações, o caso começou após a morte de uma adolescente de 13 anos durante uma transmissão ao vivo em uma plataforma de comunidades digitais. A partir desse episódio, os investigadores passaram a apurar a atuação de um grupo que, segundo a polícia, mantinha uma estrutura organizada para recrutar vítimas e estimulá-las à prática de atos violentos.

As apurações apontam que os integrantes desempenhavam funções específicas dentro da organização. Entre as atividades identificadas estão o aliciamento de adolescentes em ambientes virtuais, a manipulação psicológica das vítimas, o incentivo à violência e a divulgação das imagens produzidas pelo próprio grupo.

O avanço da investigação revelou a atuação de suspeitos em diferentes estados, o que levou à formação de uma força-tarefa envolvendo a Polícia Civil de Mato Grosso do Sul, o Laboratório de Operações Cibernéticas (Ciberlab), vinculado ao Ministério da Justiça, e as Polícias Civis do Ceará, Minas Gerais, Pará e Rio de Janeiro. O inquérito permanece sob sigilo.

Segundo o Ministério da Justiça, a Operação Lívia faz parte das iniciativas coordenadas pelo Centro Integrado Mulher Segura (CIMS) para enfrentar a misoginia digital e outras formas de violência praticadas pela internet.

Além das investigações criminais, o programa reúne ações de monitoramento de plataformas digitais, compartilhamento de informações de inteligência e apoio técnico às forças de segurança que atuam em casos de violência de gênero contra mulheres, crianças e adolescentes.

O Ciberlab participa da operação fornecendo suporte especializado na análise de evidências digitais, na produção de inteligência cibernética e na articulação entre os órgãos responsáveis pela investigação, permitindo a identificação de conexões entre suspeitos que atuam em diferentes unidades da Federação.

Operação Lívia não foi a única do dia

Além da Operação Lívia, o Ministério da Justiça também divulgou nesta terça-feira (4/8) os resultados da Operação Rede Interrompida, conduzida pela Polícia Civil do Distrito Federal. A ação investiga uma rede extremista suspeita de utilizar plataformas digitais para disseminar discursos de ódio, recrutar integrantes e discutir o planejamento de atos violentos.

As investigações dos dois casos seguem em andamento para identificar outros envolvidos e subsidiar a responsabilização dos investigados.

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