Saúde

SUS avalia novo medicamento para pacientes com hipertensão

Consulta pública sobre o remédio sotatercepte recebe contribuições até 17 de agosto; proposta prevê uso em adultos com formas mais avançadas da doença

Uma nova opção de tratamento para pacientes com hipertensão arterial pulmonar (HAP) está em avaliação para possível inclusão no Sistema Único de Saúde (SUS). A Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) abriu consulta pública para analisar a oferta do sotatercepte na rede pública. As contribuições da sociedade civil e da comunidade médica podem ser enviadas até 17 de agosto.

A proposta é voltada a adultos com quadros mais avançados da doença, classificados nas categorias III ou IV pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e com risco de mortalidade intermediário a alto.

A solicitação de incorporação foi apresentada pelo próprio fabricante do medicamento. Segundo os critérios analisados pela Conitec, o sotatercepte poderá ser indicado para pacientes que utilizam terapia dupla e apresentam intolerância às prostaciclinas ou para aqueles que já estão em terapia tripla, como complemento ao tratamento em uso.

A avaliação ocorre em uma etapa que permite reunir informações, opiniões e evidências apresentadas por pacientes, profissionais de saúde, pesquisadores e demais integrantes da sociedade antes da decisão sobre a possível inclusão da tecnologia no SUS.

O medicamento atua em uma via relacionada ao crescimento das células dos vasos sanguíneos. Na hipertensão arterial pulmonar, esse mecanismo pode apresentar alterações que contribuem para o estreitamento dos vasos dos pulmões. Com a redução do espaço para a passagem do sangue, a pressão nas artérias pulmonares aumenta e o lado direito do coração precisa fazer mais força para bombear o sangue. A ação do sotatercepte busca interferir nesse processo e pode representar uma alternativa para pacientes que já utilizam outras formas de tratamento.

A hipertensão arterial pulmonar é uma doença rara, crônica, progressiva e grave. A condição provoca o aumento da pressão nos vasos responsáveis por levar o sangue do coração aos pulmões e pode comprometer a capacidade do paciente de realizar atividades do dia a dia.

Entre os principais sintomas estão falta de ar, cansaço, tontura, dor no peito, desmaios e dificuldade para realizar esforços. Conforme a doença avança, o esforço contínuo do coração pode provocar sobrecarga do lado direito do órgão e evoluir para insuficiência cardíaca, comprometendo seu funcionamento.

A participação da sociedade e da comunidade médica permite reunir informações sobre os efeitos do tratamento e as necessidades de quem convive com a doença. Depois dessa etapa, a Conitec seguirá com a avaliação antes de definir se o medicamento será ou não disponibilizado pela rede pública.

*Estagiária sob a supervisão de Andreia Castro

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