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Início Bem-Estar

7 sinais de TDAH em adultos que passam despercebidos e você precisa conhecer

Por Paulo Custodio
02/07/2025
Em Bem-Estar
7 sinais de TDAH em adultos que passam despercebidos e você precisa conhecer

TDAH - Créditos: depositphotos.com / carballo

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O Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) é frequentemente associado à infância, a imagens de crianças que não conseguem ficar paradas ou prestar atenção na aula. No entanto, o TDAH não desaparece com o tempo. Estima-se que mais de 60% das crianças com o transtorno continuarão a apresentar sintomas significativos na vida adulta, impactando carreiras, relacionamentos e a saúde mental.

Muitos adultos passam a vida inteira se sentindo inadequados, desorganizados ou “preguiçosos”, sem entender que por trás dessas lutas existe uma condição neurobiológica real e tratável. Reconhecer os sinais do TDAH em adultos, buscar um diagnóstico correto e aprender estratégias de gerenciamento são passos transformadores para assumir o controle da própria vida.

Como os sintomas do TDAH se manifestam na vida adulta?

7 sinais de TDAH em adultos que passam despercebidos e você precisa conhecer
TDAH – Créditos: depositphotos.com / BeritKessler

Enquanto a hiperatividade física tende a diminuir ou se internalizar com a idade, os sintomas de desatenção e impulsividade persistem e se manifestam de maneiras diferentes na vida adulta. A agitação física da infância pode se transformar em uma constante inquietação mental, uma sensação de que o cérebro “não desliga”.

Os sintomas em adultos são frequentemente mais sutis, mas podem causar prejuízos significativos. Eles se dividem em três grandes áreas:

  • Desatenção:
    • Dificuldade crônica em organizar tarefas e gerenciar o tempo (procrastinação).
    • Frequente perda de objetos importantes (chaves, carteira, celular).
    • Dificuldade para manter o foco em tarefas longas ou reuniões, distraindo-se facilmente.
    • Tendência a “sonhar acordado” ou se perder em pensamentos.
    • Problemas para iniciar e, principalmente, finalizar projetos.
  • Hiperatividade:
    • Inquietação interna, dificuldade para relaxar.
    • Falar excessivamente e ter dificuldade em esperar a vez de falar.
    • Sentir-se constantemente “ligado no 220”, precisando estar sempre em movimento.
    • Preferência por trabalhos agitados e com muita atividade.
  • Impulsividade:
    • Tomar decisões precipitadas sem pensar nas consequências (compras por impulso, mudanças bruscas de emprego).
    • Interromper os outros com frequência durante conversas.
    • Baixa tolerância à frustração e reações emocionais intensas.

Qual o impacto do TDAH não tratado na vida profissional e pessoal?

O impacto do TDAH não diagnosticado na vida adulta pode ser devastador. No ambiente de trabalho, a dificuldade com gerenciamento de tempo, organização e finalização de projetos pode levar a um desempenho abaixo do potencial, perda de prazos, conflitos com colegas e gestores, e trocas constantes de emprego, gerando instabilidade financeira e frustração profissional.

Nos relacionamentos pessoais, a impulsividade e a desatenção podem ser mal interpretadas como descaso ou falta de interesse. O adulto com TDAH pode esquecer datas importantes, ter dificuldade em ouvir o parceiro até o fim ou tomar decisões unilaterais que afetam o casal. Isso pode gerar conflitos, ressentimento e instabilidade nos laços afetivos e familiares. A luta constante contra os sintomas também eleva o risco de desenvolver comorbidades, como ansiedade e depressão.

Como é feito o diagnóstico em um adulto?

O diagnóstico de TDAH em adultos é um processo clínico cuidadoso e detalhado, geralmente conduzido por um psiquiatra ou neurologista. Não existe um único exame de sangue ou de imagem que confirme o transtorno. O profissional fará uma avaliação completa que inclui uma longa entrevista clínica para entender os sintomas atuais e, crucialmente, investigar a presença deles na infância.

Para que o diagnóstico seja confirmado, é necessário que os sintomas de desatenção e/ou hiperatividade-impulsividade estejam presentes desde antes dos 12 anos de idade, se manifestem em diferentes áreas da vida (em casa e no trabalho, por exemplo) e causem prejuízo funcional significativo. O médico também irá descartar outras condições que possam causar sintomas semelhantes, como transtornos de ansiedade, depressão ou problemas de tireoide.

Quais são os pilares do tratamento para o TDAH em adultos?

O tratamento mais eficaz para o TDAH em adultos é o multimodal, que combina diferentes abordagens para gerenciar os sintomas e melhorar a qualidade de vida. É uma parceria entre o paciente e a equipe de saúde para encontrar a melhor combinação de estratégias.

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Os principais pilares do tratamento são:

  • Psicoeducação: O primeiro e mais importante passo. Entender o que é o TDAH, como ele funciona no cérebro e por que você enfrenta certas dificuldades é libertador. Isso remove a culpa e o estigma, e capacita o indivíduo a participar ativamente de seu tratamento.
  • Terapia Psicológica: A Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) é a abordagem mais recomendada. Ela não cura o TDAH, mas ensina estratégias práticas para lidar com os sintomas, como técnicas de organização, gerenciamento de tempo, controle da impulsividade e reestruturação de pensamentos negativos.
  • Tratamento Medicamentoso: A medicação pode ser uma ferramenta muito eficaz para muitas pessoas, ajudando a regular os neurotransmissores (dopamina e noradrenalina) que estão em desequilíbrio no cérebro com TDAH.

Como funcionam os medicamentos e a terapia?

Os medicamentos para o TDAH são divididos em duas classes principais: estimulantes (como o metilfenidato e a lisdexanfetamina) e não estimulantes. Os estimulantes são geralmente a primeira linha de tratamento e atuam aumentando a disponibilidade de dopamina e noradrenalina no cérebro, o que melhora o foco, a concentração e o controle dos impulsos. A decisão sobre qual medicamento usar, a dose e o monitoramento devem ser feitos exclusivamente por um médico.

A Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), por sua vez, atua como uma “caixa de ferramentas”. Enquanto a medicação ajuda a “ligar o cérebro”, a terapia ensina como usá-lo de forma mais eficaz. O terapeuta ajuda o paciente a desenvolver sistemas de organização (agendas, aplicativos, lembretes), a quebrar grandes tarefas em passos menores e mais gerenciáveis, e a desenvolver habilidades para lidar com a frustração e a desregulação emocional.

Que estratégias práticas podem ser usadas no dia a dia?

Além do tratamento formal, adultos com TDAH podem se beneficiar imensamente da implementação de estratégias e sistemas no dia a dia para compensar as dificuldades executivas. O objetivo é criar um ambiente mais “amigável” para o cérebro com TDAH.

Incorpore sistemas externos para apoiar sua memória e organização. Use agendas (físicas ou digitais) e calendários de forma consistente para anotar todos os seus compromissos. Crie listas de tarefas diárias e priorize os 3 itens mais importantes. Use alarmes e lembretes no celular para tudo. Tenha um lugar fixo para objetos essenciais como chaves, carteira e celular. Pratique atividade física regularmente, pois ela é um potente estimulante natural da dopamina. Por fim, seja gentil consigo mesmo. Haverá dias bons e ruins, e aprender a se perdoar e a recomeçar é parte fundamental da jornada.

Tags: Bem-EstarSaúdeTDAH
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