O reconhecimento do trabalho de Yoshinori Ohsumi com o Prêmio Nobel de Fisiologia ou Medicina em 2016 destacou um importante mecanismo celular: a Autofagia. Esta palavra, que literalmente significa “comer a si mesmo”, refere-se a um processo celular em que os componentes internos das células são degradados e reciclados. Este mecanismo de limpeza e reciclagem interna é vital para a saúde celular, influenciando desde a longevidade até a capacidade de sobreviver a períodos de escassez alimentar.
Como funciona a Autofagia?
A Autofagia opera como um sistema eficiente de gestão de resíduos dentro das células. Quando uma célula identifica componentes danificados ou antigos, estes são englobados por uma membrana, formando um autofagossomo. Uma vez formado, este se funde com lisossomos, que contêm enzimas capazes de degradar o material englobado. O resultado é a liberação de moléculas básicas que podem ser recicladas como energia ou matéria-prima, garantindo assim a manutenção da saúde celular.
Essa atividade não é um fenômeno raro ou esporádico; ela está constantemente em ação dentro das células. Assim, a Autofagia desempenha um papel crucial em vários processos biológicos, como a resposta imune, ao destruir vírus e bactérias que invadem as células, e no controle do peso, regulando o metabolismo energético.
Qual a relação entre Autofagia e jejum?
Muitas pessoas se perguntam sobre o tempo necessário sem comer para que a Autofagia seja ativada. Embora o jejum possa intensificar a Autofagia, este não é o único fator desencadeante. Este processo já ocorre naturalmente, mesmo em situações de alimentação regular. No entanto, períodos de jejum, como práticas de jejum intermitente, podem aumentar sua atividade, uma vez que a ausência de nutrientes força o organismo a usar as reservas internas de maneira mais eficaz.

- A Autofagia acontece continuamente, mesmo com uma dieta regular.
- Reduzir a ingestão calórica pode intensificar esse processo de reciclagem celular.
- Dieta rica em alimentos ultraprocessados pode afetar negativamente a eficiência da Autofagia.
Jejum extremo é necessário para ativar a Autofagia?
A crença de que são necessários dias sem comer para ativar a Autofagia é um equívoco. Estudos indicam que alterações metabólicas promovidas por jejuns de 12 a 24 horas já são suficientes para ativar esse mecanismo em tecidos específicos. No entanto, jejuns prolongados, sem supervisão, podem ser perigosos, acarretando riscos como desidratação e perda de massa muscular, entre outros.
Dessa forma, é crucial abordar o jejum de maneira consciente e, de preferência, com a orientação de profissionais de saúde qualificados, especialmente em populações vulneráveis, como idosos e pessoas com condições médicas preexistentes.
A contribuição de Ohsumi para a ciência e a saúde
As descobertas de Yoshinori Ohsumi ajudaram a desvendar os segredos da Autofagia, elucidando sua importância para o equilíbrio celular e a saúde do organismo. Em 2025, sabemos que práticas como intervalos regulares entre as refeições, sono adequado, e exercícios físicos moderados podem otimizar a regulação desta limpeza interna. Assim, manter um estilo de vida saudável continua a ser a melhor estratégia para aproveitar os benefícios da Autofagia sem recorrer a jejuns extremos ou práticas alimentares arriscadas.
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Dra. Anna Luísa Barbosa Fernandes
CRM-GO 33.271









