A 100 km de Belo Horizonte, Ouro Branco guarda casarões coloniais, uma serra de 1.568 metros e o endereço onde os inconfidentes se encontravam às escondidas. A cidade marca o início sul de uma cordilheira de 1.100 km que cruza dois estados.
A cidade que nasceu do ouro mais claro do ciclo
No fim do século XVII, o bandeirante Miguel Garcia encontrou na serra um metal de coloração esbranquiçada, resultado da associação do ouro com paládio. Nascia o arraial de Ouro Branco, hoje uma das freguesias mais antigas de Minas Gerais, segundo o portal Minas Gerais.
A cidade integra a Estrada Real, e a Rua Santo Antônio, no centro histórico, é parte do traçado original. Os casarões do século XVIII se espalham pelas ladeiras, muitos ainda habitados.

Por que a Serra do Deus-te-livre ganhou esse apelido?
No século XVIII, atravessar a Serra de Ouro Branco era um risco real. Os viajantes da Estrada Real batizaram o paredão de quartzito de “Serra do Deus-te-livre” por causa dos assaltos e precipícios que marcavam a travessia.
O Parque Estadual Serra do Ouro Branco foi criado em 2009 pelo Instituto Estadual de Florestas (IEF) e protege 7.520 hectares entre Ouro Branco e Ouro Preto. A altitude vai de 1.250 a 1.568 metros, e a entrada é gratuita.
Ouro Branco, em Minas Gerais, é uma cidade que faz parte do Circuito do Ouro e se destaca por unir o patrimônio histórico colonial com uma natureza exuberante e um forte setor industrial.
O que fazer entre a serra e o centro histórico?
A cidade combina patrimônio colonial com trilhas em campos rupestres e remanescentes de Mata Atlântica. Dá para passar um dia no centro e outro na serra sem repetir cenário.
- Matriz de Santo Antônio: uma das mais antigas igrejas de Minas, com fachada esculpida pelo pedreiro Domingos Coelho em influência clara de Aleijadinho.
- Casa de Tiradentes: endereço que abrigou reuniões dos inconfidentes e guarda a memória da conspiração de 1789.
- Circuito das Aves: trilha dentro do parque que passa pelo Poção do Córrego do Veríssimo, piscina natural no meio da mata.
- Mirante do Lago Soledade: vista do manancial que abastece a cidade e um dos cenários mais fotografados da serra.
- Capela Nossa Senhora Mãe dos Homens: construção de meados de 1865, ponto tranquilo para fugir do fluxo turístico.
Distrito de Itatiaia: a igreja que guarda três séculos
A poucos quilômetros do centro, o distrito de Itatiaia abriga a Igreja de Santo Antônio do Itatiaia, tombada pelo Patrimônio Histórico Nacional e considerada a terceira mais antiga do estado. O povoado tem ares de fazenda e horário de sino que pontua o almoço.
É parada obrigatória de quem faz o Circuito do Ouro entre Congonhas, Ouro Branco e Ouro Preto. A Cachoeira de Itatiaia, a Represa do Custódio e pequenos restaurantes caseiros formam a rotina de bate e volta da região.

O que comer em uma cidade da cozinha mineira tradicional
A mesa segue o receituário das montanhas, com fogão a lenha, queijo curado e doces em compota. Os restaurantes do centro servem o padrão clássico, e a Rua Santo Antônio concentra algumas boas opções.
- Frango com quiabo: receita de peito de frango cozido com quiabo fresco, servida com angu e arroz branco.
- Feijão tropeiro: mistura de feijão, farinha, linguiça, torresmo e couve, herança das tropas que cruzavam a serra.
- Pão de queijo: quitanda de polvilho servido no café da manhã das pousadas e nos cafés do centro.
- Doce de leite com queijo: sobremesa mineira por excelência, conhecida localmente como Romeu e Julieta.
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Quando visitar a serra do Espinhaço?
A janela entre abril e setembro é a mais indicada, com clima seco e céu aberto nos mirantes. No verão, chuvas fortes podem fechar acessos de terra ao parque, mas deixam as cachoeiras cheias.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.

Como chegar a Ouro Branco a partir da capital?
A cidade fica a 100 km de Belo Horizonte pela BR-040, em trajeto de cerca de 1h30 por rodovia asfaltada e bem sinalizada. Quem faz o Circuito do Ouro costuma seguir depois para Congonhas, a 30 km, ou para Ouro Preto, a 80 km.
Vá conhecer o marco sul do Espinhaço
Entre os campos rupestres da serra e as ladeiras coloniais, Ouro Branco guarda uma fatia pouco visitada da história mineira. É o tipo de destino que agrada quem já foi a Ouro Preto e quer entender o mesmo ciclo por um ângulo mais silencioso.
Você precisa subir a BR-040 e descobrir Ouro Branco, a cidade onde a cordilheira do Espinhaço começa e os inconfidentes deixaram seu endereço secreto.










