A Flebotomia é um procedimento que envolve a retirada de sangue por punção venosa e pode ter finalidade diagnóstica ou terapêutica. Além da coleta de sangue para exames, ela é utilizada para tratar distúrbios específicos, principalmente aqueles relacionados ao excesso de ferro ou ao aumento de células sanguíneas. Quando realizada de forma controlada, contribui para aliviar sintomas e prevenir complicações em condições crônicas.
Quais são as principais indicações terapêuticas da flebotomia?
A flebotomia terapêutica é indicada em doenças nas quais há sobrecarga de ferro ou aumento excessivo de células sanguíneas. Na hemocromatose hereditária, comum em indivíduos de ascendência europeia, o acúmulo de ferro pode causar danos ao fígado, coração e pâncreas, sendo a retirada periódica de sangue essencial para evitar essas lesões.
Na policitemia vera, em que há produção exagerada de glóbulos vermelhos, a flebotomia reduz a viscosidade sanguínea e o risco de trombose. Já na porfiria cutânea tarda, a diminuição do ferro circulante auxilia no controle de lesões cutâneas e da fotossensibilidade, melhorando a qualidade de vida do paciente.
Para compreender melhor a flebotomia, assista ao vídeo a seguir, no qual a Escola Israel explica o assunto de forma clara e didática.
Como a flebotomia terapêutica é realizada na prática clínica?
O procedimento segue protocolo rigoroso para garantir segurança e eficácia, começando por avaliação prévia de hemoglobina, sinais vitais e condições gerais do paciente. Em seguida, o indivíduo é posicionado confortavelmente, escolhe-se uma veia adequada no antebraço e realiza-se a punção com técnica estéril, retirando-se um volume maior de sangue do que o usualmente coletado em exames.
Durante e após a flebotomia, é fundamental o monitoramento de sintomas como tontura, queda de pressão ou mal-estar, com orientações sobre repouso e hidratação. Abaixo estão as principais etapas do procedimento, que podem variar conforme a condição tratada e a tolerância individual:
- Avaliação pré-procedimento: verificação de hemoglobina, sinais vitais e possíveis contraindicações.
- Aplicação do torniquete: facilita a visualização e o acesso à veia.
- Assepsia e punção: limpeza da pele com solução antisséptica e inserção da agulha estéril.
- Coleta de sangue: remoção do volume necessário conforme protocolo terapêutico.
- Monitoramento após o procedimento: observação do paciente, orientações sobre repouso e hidratação adequada.

Quais são os principais riscos e complicações da flebotomia?
A flebotomia é considerada um procedimento seguro, mas pode causar efeitos adversos, geralmente leves e autolimitados. Hematomas no local da punção são relativamente comuns, ocorrendo em cerca de 12,3% dos casos, principalmente quando há fragilidade vascular ou uso de anticoagulantes.
Complicações mais sérias, como síncope, reações vasovagais com queda de pressão e desmaio, ou lesões nervosas, são menos frequentes e surgem em aproximadamente 3,4% dos procedimentos. A equipe deve estar preparada para reconhecer sinais de instabilidade hemodinâmica e intervir prontamente, reduzindo o risco de desfechos graves. Veja na tabela a seguir:
Por que o acompanhamento médico é fundamental na flebotomia terapêutica?
O acompanhamento médico é essencial para definir a frequência das sessões, o volume de sangue a ser retirado e os exames de controle. Condições como cardiopatias graves, anemia, baixo peso corporal ou idade avançada exigem avaliação criteriosa antes do início do tratamento, com monitorização de hemoglobina, hematócrito e ferritina para evitar deficiência de ferro.
É importante comunicar ao médico sintomas como dor intensa, tontura prolongada, palidez acentuada ou sinais de infecção após o procedimento. Seguir rigorosamente as recomendações quanto à hidratação, repouso e periodicidade das flebotomias é determinante para maximizar os benefícios terapêuticos e minimizar riscos ao paciente.
Entre em contato:
Dra. Anna Luísa Barbosa Fernandes
CRM-GO 33.271








