A nutrição esportiva evolui constantemente, e as ideias sobre o papel dos Carboidratos no desempenho atlético não são uma exceção. Durante décadas, acreditava-se amplamente que os carboidratos eram o combustível essencial para otimizar a performance, porém novas pesquisas indicam que essa visão pode estar incompleta, exigindo uma análise mais abrangente que considere o sistema nervoso, a glicose sanguínea, o fígado e a flexibilidade metabólica.
Qual é o verdadeiro papel dos Carboidratos no desempenho esportivo?
A tradicional metáfora do músculo como motor e dos carboidratos como combustível principal simplifica excessivamente a fisiologia do exercício. O modelo clássico associa a fadiga à depleção de glicogênio muscular e defende a supercompensação de carboidratos para melhorar a performance.
De fato, estudos desde a década de 1960 mostraram correlação entre maiores reservas de glicogênio e maior resistência. Porém, essa narrativa ignora elementos críticos, como a regulação da glicose sanguínea, o papel do fígado no equilíbrio energético e a resposta do sistema nervoso central à queda de glicose.
Para compreender melhor a importância dos carboidratos para o desempenho esportivo, assista ao vídeo a seguir, no qual o Dr. Rodrigo Vitasovic explica o assunto de forma clara e didática no canal Dr. Rodrigo Vitasovic.
Como o sistema nervoso influencia a relação entre carboidratos e desempenho?
Recentemente, o foco se deslocou do músculo para o sistema nervoso, especialmente em exercícios prolongados. O corpo nem sempre queima todo o glicogênio, mas reage de forma sensível à queda da glicose sanguínea, principal combustível do cérebro.
Quando o fígado não consegue manter a oferta adequada de glicose, o cérebro interpreta isso como risco de hipoglicemia e reduz a intensidade do esforço como mecanismo protetor. Assim, a fadiga passa a ser vista não apenas como falha muscular, mas como uma resposta integrada de proteção do organismo.

Como otimizar a ingestão de carboidratos durante o exercício?
Novas evidências sugerem que doses menores de carboidratos podem estabilizar a glicose sanguínea sem necessidade de grandes quantidades. Em vez de consumir 60-90 g por hora em exercícios prolongados, quantidades moderadas parecem suficientes para muitos atletas.
Na prática, estratégias como 15-30 g de carboidratos por hora podem manter a glicose e prolongar o desempenho, reduzindo desconfortos gástricos e a dependência de suplementos energéticos. Exemplos de ajustes úteis incluem:
- Usar bebidas esportivas mais diluídas para evitar sobrecarga gastrointestinal.
- Alternar entre fontes líquidas, em gel e sólidas, conforme a tolerância individual.
- Adequar a ingestão à intensidade e duração do treino, evitando excessos desnecessários.
- Testar a estratégia em treinos antes de aplicá-la em competições.
Por que a flexibilidade metabólica é importante para o desempenho atlético?
Um conceito emergente é o da flexibilidade metabólica, capacidade do corpo de alternar entre carboidratos e gordura como fontes de energia. Atletas adaptados a dietas com menor teor de carboidratos podem oxidar mais gordura e, ainda assim, manter altos níveis de desempenho.
Essa adaptação desafia a ideia de que carboidratos são sempre indispensáveis em intensidades elevadas. Um metabolismo flexível permite usar diferentes combustíveis com eficiência, poupando glicogênio, estabilizando a glicose sanguínea e potencialmente reduzindo a necessidade de grandes cargas de carboidratos.
Como aplicar essas descobertas na prática esportiva?
Na prática, os carboidratos devem ser vistos como uma ferramenta estratégica, não como um dogma fixo. A nutrição esportiva pode priorizar a flexibilidade metabólica, ajustando a ingestão de carboidratos para prevenir quedas bruscas de glicose sem gerar desconforto ou consumo excessivo.
Além disso, a individualização é essencial, especialmente em pessoas com condições específicas, como diabetes ou resistência à insulina. O futuro da nutrição esportiva tende a valorizar um metabolismo adaptável, em que a ingestão eficiente de carboidratos sustente não apenas o músculo, mas a estabilidade do sistema nervoso e um desempenho esportivo otimizado.
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Dra. Anna Luísa Barbosa Fernandes
CRM-GO 33.271








