O reflexo do sol nos azulejos portugueses ilumina as ruas de pedra de São Luís, capital do Maranhão e única capital brasileira cuja fundação é atribuída a franceses. Na mesma cidade onde sobrados do século XVIII resistem ao tempo, o som grave do reggae sai das radiolas e invade a noite. Poucas cidades no Brasil misturam tantas camadas de história e cultura em tão pouco espaço.
Da França Equinocial aos azulejos portugueses
A história da Ilha do Amor começa em 8 de setembro de 1612, quando Daniel de La Touche e cerca de 500 homens ergueram o Forte Saint-Louis em homenagem ao rei Luís XIII. O objetivo era ambicioso: criar a França Equinocial, uma colônia permanente nos trópicos. A presença francesa durou apenas três anos. Em 1615, tropas portuguesas lideradas por Jerônimo de Albuquerque retomaram o território na Batalha de Guaxenduba.
Sob domínio português, São Luís viveu seu apogeu nos séculos XVIII e XIX como o quarto centro exportador do Brasil, atrás apenas de Salvador, Recife e Rio de Janeiro. A riqueza do algodão e do arroz financiou a construção de sobrados imponentes, muitos revestidos com azulejos trazidos de Portugal. A capital maranhense preserva o maior acervo de azulejaria dos séculos XVIII e XIX da América Latina. As peças não eram apenas decorativas: protegiam as paredes da chuva tropical e refletiam o sol, funcionando como isolante térmico natural.

O que visitar no centro histórico tombado pela UNESCO?
O IPHAN tombou o centro histórico em 1974. Em 1997, a UNESCO reconheceu o conjunto como Patrimônio Mundial, destacando a preservação do traçado urbano do século XVII e a arquitetura adaptada ao clima equatorial. São cerca de 4 mil imóveis tombados em toda a cidade.
Por que São Luís é chamada de Jamaica Brasileira?
O reggae chegou ao Maranhão na década de 1970, possivelmente por ondas curtas de rádios caribenhas captadas no litoral. O ritmo encontrou terreno fértil na periferia de São Luís e ganhou características únicas: aqui, o reggae se dança a dois, no estilo conhecido como “agarradinho”. A cidade abriga mais de 200 radiolas e, desde 2023, carrega oficialmente o título de Capital Nacional do Reggae.
O Museu do Reggae, instalado em um casarão restaurado no centro histórico, é o único dedicado ao gênero fora da Jamaica. Junto com o reggae, outras manifestações de raiz definem a identidade cultural da cidade: o Tambor de Crioula, patrimônio imaterial nacional desde 2007, e o Bumba-meu-boi do Maranhão, reconhecido pela UNESCO como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade em 2019.
São Luís, a capital brasileira do reggae e dos azulejos. O vídeo é do canal Status Viajante, que conta com mais de 240 mil inscritos, e detalha um roteiro de 2 dias pelo centro histórico, praias e a culinária típica maranhense.
Quais pratos experimentar na Ilha do Amor?
A cozinha maranhense mistura influências indígenas, africanas e portuguesas com ingredientes que não se encontram em nenhum outro estado. A mesa ludovicense surpreende até quem conhece bem o Nordeste.
- Arroz de cuxá: prato símbolo feito com vinagreira (erva ácida), camarão seco e gergelim torrado.
- Peixada maranhense: peixe cozido com leite de coco, cheiro-verde e azeite de dendê, servido com pirão.
- Torta de camarão: massa fina recheada com camarão, requeijão e temperos locais.
- Juçara: versão maranhense do açaí, mais encorpada e consumida com farinha de tapioca ou peixe frito.

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Quando o clima favorece a viagem?
São Luís tem clima tropical úmido com temperaturas altas o ano inteiro. A estação chuvosa vai de janeiro a junho, período em que as lagoas dos Lençóis Maranhenses se enchem. A estação seca, de julho a dezembro, oferece céu aberto e é a melhor época para explorar o centro histórico a pé.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar. Consulte a previsão antes de viajar.
Como chegar à capital maranhense?
O Aeroporto Internacional Marechal Cunha Machado fica a 15 km do centro histórico e recebe voos diretos de São Paulo, Brasília, Recife e Belém. São Luís também é ponto de partida para os Lençóis Maranhenses, a 250 km por estrada asfaltada até Barreirinhas. Dentro da cidade, o centro histórico se percorre a pé. Para as praias da Avenida Litorânea e do Calhau, táxi ou aplicativo resolvem em menos de 20 minutos.
A cidade onde azulejos e reggae dividem a mesma rua
São Luís é rara por conseguir ser Patrimônio Mundial da UNESCO, capital nacional do reggae e berço do Bumba-meu-boi ao mesmo tempo. Cada rua do centro histórico carrega séculos de história nas fachadas e ritmo nas calçadas.
Você precisa caminhar pelas ruas de pedra da Praia Grande ao cair da tarde e ouvir o reggae saindo de uma radiola enquanto os azulejos refletem a última luz do dia.










