Visto do alto, o Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses parece um lençol branco amassado sobre a costa do Maranhão e é conhecido como um “Deserto Brasileiro Molhado”. De perto, as dobras viram dunas de até 40 metros e os vales se enchem de lagoas cristalinas alimentadas pela chuva que podem mudar de formato de meses em meses. É o maior campo de dunas da América do Sul, reconhecido pela Unesco como Patrimônio Natural da Humanidade em julho de 2024.
Um deserto que não é deserto
Apesar da aparência árida, os Lençóis Maranhenses recebem cerca de 1.600 mm de chuva por ano. A precipitação concentrada entre janeiro e julho preenche os vales entre as dunas e forma milhares de lagoas de água doce. Na época de cheias, o parque chega a abrigar mais de 36 mil lagoas em toda a sua extensão.
Criado em 1981 pelo ICMBio, o parque ocupa 155 mil hectares distribuídos pelos municípios de Barreirinhas, Santo Amaro do Maranhão e Primeira Cruz. A área equivale a uma vez e meia o tamanho da cidade de São Paulo. O ecossistema é de transição entre Cerrado, Amazônia e Caatinga, com mangues, restinga e dunas livres.

Quais lagoas visitar nos Lençóis Maranhenses?
As lagoas mudam a cada estação. Algumas secam, outras surgem pela primeira vez. Guias locais sabem quais estão com melhor volume. Os circuitos mais procurados partem de três bases.
- Lagoa Bonita (Barreirinhas): exige subida de duna com corda, recompensada por vista panorâmica de 360 graus. O pôr do sol daqui é considerado um dos mais bonitos do país.
- Lagoa Azul (Barreirinhas): acesso por veículo 4×4, com paradas em lagoas menores pelo caminho, como a da Preguiça, da Paz e da Esmeralda.
- Lagoa da Gaivota (Santo Amaro): considerada por muitos a vista mais bela do parque. As lagoas dessa região ficam cheias por mais tempo.
- Lagoas Emendadas (Santo Amaro): circuito com caminhada por lagoas desertas, ideal para quem busca silêncio e imersão.
- Lagoas de Atins: acesso pela foz do Rio Preguiças, em um vilarejo de ruas de areia que virou refúgio de kitesurfistas e viajantes do mundo inteiro.
Mergulhe no paraíso dos Lençóis Maranhenses, um cenário único de dunas e lagoas cristalinas. O vídeo é do canal Viagens Cine, que conta com mais de 300 mil inscritos, e detalha roteiros por Barreirinhas, Santo Amaro e Atins
Três bases para explorar o parque
Barreirinhas é a porta de entrada mais estruturada, com maior oferta de hospedagem e agências. Fica a 260 km de São Luís pela BR-402. Os passeios de 4×4 até as lagoas levam cerca de uma hora entre travessia de balsa e trilha de areia. A cidade também oferece passeio de lancha pelo Rio Preguiças, com paradas em Vassouras, Mandacaru (subida ao farol com vista 360 graus) e Caburé.
Santo Amaro fica colada ao parque e dá acesso a lagoas que permanecem cheias até outubro. É a base preferida de quem quer ver o máximo de lagoas no menor tempo. Atins, na foz do Preguiças, combina praia, lagoas e a melhor cena gastronômica da região, com camarão grelhado na brasa servido em restaurantes pé na areia.

Camarão grelhado e arroz de cuxá à beira das dunas
A cozinha dos Lençóis mistura frutos do mar frescos com temperos maranhenses. Cada base tem sua especialidade.
- Camarão grelhado em borboleta: prato icônico de Atins, servido na brasa com tempero local. Parada obrigatória no Canto do Atins.
- Arroz de cuxá: receita maranhense com vinagreira, gergelim torrado e camarão seco. Encontrado nos restaurantes de Barreirinhas.
- Peixe frito com farofa: servido fresco nas vilas de pescadores ao longo do Rio Preguiças.
- Sucos de bacuri e cupuaçu: frutas amazônicas abundantes na região, oferecidas em barracas e restaurantes.
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Quando as lagoas estão cheias?
O ciclo das lagoas depende das chuvas do primeiro semestre. A melhor janela para encontrar água cristalina e sol firme é entre junho e setembro.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo para Barreirinhas. Condições podem variar.

Como chegar aos Lençóis Maranhenses
O acesso mais comum é por São Luís. De lá, são cerca de 4 horas de carro ou transfer até Barreirinhas pela BR-402 (Translitorânea). Santo Amaro fica a 3h30 de São Luís. Atins é acessível por lancha a partir de Barreirinhas ou por 4×4. O parque também integra a Rota das Emoções, roteiro que conecta Jericoacoara (CE), o Delta do Parnaíba (PI) e os Lençóis.
O lugar onde a chuva cria um novo mapa a cada ano
Os Lençóis Maranhenses são um daqueles destinos que desafiam qualquer descrição. Dunas que parecem deserto, lagoas que brotam da areia e um ecossistema que se reinventa a cada estação chuvosa. Nenhuma foto ou vídeo prepara o visitante para a escala real desse cenário.
Você precisa subir uma duna ao entardecer, olhar o horizonte branco se tingir de laranja e entender por que a Unesco colocou este pedaço do Maranhão entre os lugares mais extraordinários do planeta.









