O calçamento irregular de pedra e o reflexo do mar nas paredes brancas recebem quem entra no centro histórico de Paraty. A cidade no litoral sul do Rio de Janeiro carrega dois títulos da UNESCO: Patrimônio Mundial desde 2019 e Cidade Criativa da Gastronomia desde 2017.
Do ouro colonial ao isolamento que salvou Paraty
Fundada oficialmente em 1667, a cidade nasceu como ponto final do Caminho do Ouro. Pelo seu porto saíam as riquezas de Minas Gerais rumo a Portugal. Com a abertura de rotas alternativas diretas ao Rio de Janeiro, o vilarejo perdeu relevância econômica e ficou esquecido por quase um século.
Esse isolamento, porém, preservou intacto o conjunto arquitetônico colonial. Quando a rodovia Rio-Santos chegou nos anos 1970, o mundo redescobriu ruas, igrejas e casarões praticamente inalterados desde o século XVIII. O IPHAN tombou o centro histórico, considerado o conjunto colonial mais harmonioso do país.

O que visitar entre ilhas, praias e montanhas?
A baía de Paraty reúne 65 ilhas e centenas de praias acessíveis por escuna, lancha ou trilha. Algumas atrações ficam a menos de 20 minutos do centro, outras pedem um dia inteiro de exploração.
- Centro Histórico: ruas fechadas para carros, casarões com janelas coloridas e quatro igrejas coloniais, entre elas a Igreja de Santa Rita (1722), a mais antiga da cidade.
- Saco do Mamanguá: chamado de único fiorde tropical do mundo, é um braço de mar de 8 km entre montanhas cobertas de Mata Atlântica, com 33 praias e comunidades caiçaras. O acesso principal sai de Paraty-Mirim, a 17 km do centro.
- Praias de Trindade: a vila a 25 km de Paraty reúne a Praia do Cachadaço e sua piscina natural, a Praia do Meio e a Praia do Cepilho, point de surfe.
- Cachoeira do Tobogã: escorregador natural de pedra lisa cercado por vegetação nativa, a poucos minutos pela estrada Paraty-Cunha.
- Forte Defensor Perpétuo: museu com vista panorâmica da baía, erguido em 1822 no Morro da Vila Velha.
Paraty, no Rio de Janeiro, é um destino que equilibra perfeitamente o charme histórico com belezas naturais preservadas, oferecendo mais de 60 ilhas e 300 praias. O vídeo do canal Viagens Cine, com mais de 300 mil inscritos, apresenta um roteiro focado em experiências náuticas e gastronômicas na região:
Gastronomia reconhecida pela UNESCO na Costa Verde
Paraty integra a Rede de Cidades Criativas da UNESCO na categoria Gastronomia desde 2017. A culinária mistura influências caiçaras, indígenas e portuguesas com ingredientes frescos da serra e do mar.
- Peixe azul-marinho: prato caiçara em que o peixe cozinha com folha de banana até ganhar coloração escura.
- Cachaça artesanal: a cidade foi a primeira do Brasil a receber o selo de Indicação Geográfica de Procedência pelo INPI, em 2007. Alambiques como Coqueiro e Engenho D’Ouro abrem para visitação e degustação.
- Doces tradicionais: pé-de-moleque, manuê-de-bacia e maçapão vendidos em carrinhos de madeira pelas ruas do centro histórico.

Quais festivais movimentam a cidade durante o ano?
A FLIP, Festa Literária Internacional de Paraty, acontece todo mês de julho desde 2003. Em cinco dias de evento, a cidade recebe escritores de renome internacional, mesas de debate, oficinas e shows. Nomes como Salman Rushdie, Toni Morrison e Chico Buarque já passaram por ali.
Em agosto, o Festival da Cachaça, Cultura e Sabores celebra a tradição dos alambiques com degustações, música e danças folclóricas. O Bourbon Festival traz jazz e blues às praças, enquanto o Paraty em Foco, em setembro, reúne fotógrafos e artistas visuais. Quem viaja fora da alta temporada encontra a cidade mais tranquila, sem perder a programação cultural.
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Quando o clima favorece cada tipo de passeio?
O inverno seco é a melhor época para trilhas e passeios de barco sem risco de chuva. No verão, as temperaturas sobem e as pancadas são frequentes, mas as manhãs costumam abrir com sol.
Temperaturas aproximadas. Consulte a previsão atualizada no Climatempo. Condições podem variar.

Como chegar à costa histórica do Rio de Janeiro?
Paraty fica a 240 km do Rio de Janeiro pela BR-101 (Rio-Santos), cerca de 4h de carro pelo litoral. De São Paulo, são 270 km pela Dutra até Guaratinguetá, depois descendo a serra por Cunha. Ônibus da viação Costa Verde partem da Rodoviária Novo Rio com parada em Angra dos Reis, a 96 km da cidade.
Uma cidade que o tempo esqueceu e o mundo redescobriu
Paraty é o raro lugar onde o abandono virou proteção. As mesmas ruas que perderam o ouro colonial guardaram um patrimônio inteiro para as gerações seguintes, cercado por mata preservada e um mar pontilhado de ilhas.
Você precisa caminhar descalço pelas pedras do centro histórico, provar a cachaça no alambique e ver o fiorde tropical de Paraty antes que a lista de viagens fique longa demais.










