“Com concerteza” e “menas” são duas expressões tão repetidas no português falado que muitos já as consideram parte do vocabulário oficial. Só que, ao consultar qualquer dicionário ou o Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa, fica claro: nenhuma das duas tem registro. O uso diário criou uma falsa sensação de legitimidade, mas a gramática normativa é categórica ao dizer que elas simplesmente não existem.
Por que palavras tão comuns simplesmente não existem no português oficial?
A sensação de familiaridade engana. O cérebro se acostuma com sons e grafias repetidos e passa a aceitá-los como corretos, mesmo sem aval da gramática normativa. Esse automatismo é reforçado pela oralidade das redes sociais, onde a escrita informal predomina e os erros se propagam rapidamente.
Muitas dessas palavras surgem por analogia com termos parecidos ou por tentativas de aplicar regras de derivação em contextos que não as admitem. O resultado são expressões que soam plausíveis, mas que nunca integraram o léxico oficial da língua portuguesa.

Qual é a primeira palavra que todo mundo usa, mas que não existe?
A campeã de aparições é “concerteza”. A junção da preposição “com” e do substantivo “certeza” em uma única palavra é um erro clássico. Na fala rápida, as sílabas se unem, e a mente acaba registrando o termo como se fosse um advérbio único.
A forma correta, entretanto, é “com certeza”, sempre em duas palavras. Trata-se de uma locução adverbial que expressa afirmação ou convicção. Escrever “concerteza” junto pode custar pontos em redações, provas de concurso e prejudicar a credibilidade em textos profissionais.
Qual é a segunda palavra que aparece em conversas, mas não tem registro oficial?
A segunda integrante dessa dupla de intrusas é “menas”. O equívoco acontece quando o falante tenta flexionar o advérbio “menos” no feminino, como se ele seguisse a mesma lógica de “pouco” e “pouca”. Só que “menos” é invariável: não muda de gênero nem de número.
Dizer “menas pessoas” ou “menas oportunidades” é um deslize gramatical grave. O correto é sempre “menos pessoas” e “menos oportunidades”. Apesar de soar natural para muitos ouvidos, a forma “menas” continua ausente de qualquer dicionário e é rejeitada pela norma culta.
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O que a Academia Brasileira de Letras diz sobre essas palavras?
A Academia Brasileira de Letras é a instituição responsável por registrar oficialmente as palavras do idioma por meio do VOLP. Termos como “concerteza” e “menas” não constam nessa base justamente porque carecem de fundamentação gramatical e de uma tradição escrita consolidada.
Para uma palavra ser incorporada ao vocabulário oficial, ela precisa percorrer um longo caminho de uso constante, registro em obras literárias e avaliação técnica. A ABL mantém critérios rigorosos que evitam que modismos passageiros ou erros grosseiros ganhem status de norma.
Confira outras formas que muita gente trata como legítimas, mas que também não existem:
- Seje (correto: seja)
- Reinvindicar (correto: reivindicar)
- Previlégio (correto: privilégio)
- Esteje (correto: esteja)

Como evitar esses erros e melhorar a comunicação no dia a dia?
A diferença entre escrever bem e cometer deslizes está na atenção aos detalhes. Uma consulta rápida ao dicionário ou ao VOLP resolve a dúvida antes que a forma errada se cristalize. Em contextos formais, como e-mails profissionais, trabalhos acadêmicos e provas, o rigor com a norma culta é indispensável.
“Com certeza” e “menos” são as únicas versões aceitas. Trocar as versões fantasmas pelas formas oficiais é um gesto simples que protege a clareza da mensagem e demonstra domínio do português. No fim das contas, escrever certo também é uma questão de respeito por quem vai ler.










