Por que países como Estados Unidos, Canadá e Inglaterra abandonaram o tijolo nas paredes internas há mais de meio século? A resposta está em um sistema que o Brasil finalmente abraçou: o drywall acústico. A adesão brasileira a esse método não é modismo, mas o resultado de uma equação simples: paredes mais finas, ambientes silenciosos e reformas elétricas que não exigem marreta.
Por que o drywall domina as construções nos Estados Unidos, Canadá e Inglaterra?
O sistema de chapas de gesso parafusadas em perfis metálicos, conhecido como drywall, responde por mais de 90% das vedações internas na América do Norte e no Reino Unido há décadas. A lógica é prática: a montagem não depende de água, elimina o tempo de cura de argamassas e permite que um único profissional levante uma divisória inteira em horas.
Esses países incorporaram o drywall aos seus códigos de construção ainda na primeira metade do século XX, consolidando uma cadeia de fornecimento e mão de obra especializada que torna o sistema imbatível em custo e prazo. O drywall deixou de ser alternativa para se tornar padrão obrigatório em projetos residenciais e comerciais.

O que mudou no Brasil para o drywall acústico ganhar espaço agora?
O mercado brasileiro resistiu por anos à construção a seco, apoiado na cultura do tijolo e na desconfiança em relação à resistência das chapas de gesso. Essa realidade começou a ruir quando o custo da mão de obra na construção civil subiu mais que a inflação oficial e o prazo de entrega passou a ser tão valioso quanto o orçamento.
Dados da Associação Brasileira do Drywall indicam que o uso de sistemas industrializados avança em ritmo acelerado no país, impulsionado pela necessidade de obras mais previsíveis e pela chegada de normas técnicas rigorosas. O Brasil não está apenas copiando os países do hemisfério norte: está adaptando o sistema às exigências locais, especialmente no isolamento acústico.
O drywall isola melhor o som do que o tijolo baiano?
A crença de que parede grossa significa parede silenciosa caiu por terra com os laudos de desempenho acústico. O tijolo baiano, quando usado em divisórias internas, raramente atinge os índices exigidos pela NBR 15575 sem receber revestimentos adicionais. Já o drywall acústico, preenchido com lã de vidro ou lã de PET, parte de valores competitivos e pode ser ajustado conforme a necessidade do ambiente.
O segredo está no princípio massa-mola-massa: as duas chapas de gesso funcionam como barreiras rígidas, enquanto o colchão de ar com lã mineral no interior absorve a vibração sonora. Essa engenharia entrega isolamento superior ao do tijolo baiano com metade da espessura, atendendo com folga os requisitos da norma brasileira de desempenho.
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Como o drywall acústico aumenta a área útil da casa?
Cada centímetro conquistado em uma parede interna se multiplica por todos os cômodos da planta. Uma divisória de drywall acústico tem espessura final entre 7 e 10 centímetros, enquanto a alvenaria convencional com reboco ocupa de 13 a 15 centímetros. A diferença pode parecer modesta, mas em uma casa de 100 metros quadrados o ganho de área útil chega perto de 4%.
Essa matemática muda o jogo em apartamentos compactos, onde cada metro quadrado custa caro. A redução na espessura das paredes internas também alivia a carga sobre as fundações, permitindo estruturas mais enxutas e econômicas. O espaço que antes era consumido pelo reboco vira chão aproveitável, ampliando salas, quartos e corredores sem alterar a fachada.
Por que reformas elétricas e hidráulicas ficam mais simples com drywall?
Quem já enfrentou uma reforma elétrica em casa sabe o transtorno que é rasgar paredes de tijolo, enfrentar poeira por dias e depois refazer o reboco e a pintura. No drywall, a instalação de novos pontos de tomada, interruptores ou luminárias se resolve com um corte preciso na chapa e a passagem dos cabos pelos conduítes internos.
As principais vantagens que eliminam o quebra-quebra nas reformas:
- Instalação elétrica embutida nos perfis metálicos, sem necessidade de rasgos
- Acesso rápido a vazamentos em tubulações, com reparo localizado
- Substituição de trechos danificados em horas, não em dias
- Acabamento limpo, sem entulho de alvenaria espalhado pela casa
O que a NBR 15575 exige e como o drywall acústico atende?
A ABNT NBR 15575, Norma de Desempenho de Edificações Habitacionais, estabelece que paredes internas entre unidades devem garantir isolamento acústico mínimo. Esses parâmetros técnicos tiram do campo da opinião a discussão sobre qual sistema é melhor e colocam a decisão no terreno da engenharia mensurável.
Os sistemas de drywall acústico são os que atendem com maior facilidade a todas as exigências da norma no que diz respeito ao isolamento sonoro, justamente por serem modulares e permitirem a combinação precisa de chapas, perfis e materiais absorventes. O resultado é uma divisória que entrega o desempenho exigido sem desperdiçar espaço ou sobrecarregar a estrutura do prédio.

Vale a pena trocar o tijolo pelo drywall acústico na sua reforma?
A decisão passa por três fatores: o que se ganha em espaço, o que se economiza em tempo e o que se conquista em conforto acústico. Em reformas de apartamentos antigos, a substituição das divisórias de alvenaria por drywall acústico é uma das intervenções que mais transformam a sensação de amplitude dos ambientes.
Em obras novas, a escolha pelo drywall desde o projeto reduz o cronograma da etapa de acabamento interno de forma expressiva. O Brasil não está apenas seguindo a tendência de Estados Unidos, Canadá e Inglaterra: está adaptando um sistema maduro às necessidades tropicais, com isolamento acústico testado e uma execução que respeita o tempo e o dinheiro de quem constrói ou reforma.










