A 65 km de Cuiabá, a Chapada dos Guimarães guarda paredões de arenito vermelho que registram mais de 400 milhões de anos de história geológica. O planalto mato-grossense reúne cachoeiras de até 86 m, mirantes que avistam o Pantanal e um marco simbólico apontado como centro do continente. Aqui, o cerrado encontra fósseis marinhos, pinturas rupestres e cavernas esculpidas pelo tempo. Subir a serra é trocar o calor da capital pela brisa do alto, com araras vermelhas cruzando o céu no coração da América do Sul.
De fundo do oceano a planalto do cerrado
As rochas avermelhadas que dominam a paisagem contam uma história anterior aos dinossauros. O território da chapada já foi fundo de mar e depois deserto, e ainda hoje a trilha do Véu de Noiva revela moldes de braquiópodes e outros animais marinhos do período devoniano.
A cidade nasceu como missão jesuíta no século XVIII e recebeu o nome em homenagem a Guimarães, em Portugal. A herança colonial sobrevive na arquitetura do centro histórico e em sítios arqueológicos com pinturas rupestres espalhados pelo planalto. O Ministério do Turismo destaca a região como um dos principais destinos de ecoturismo do país.

O Parque Nacional que protege 32,6 mil hectares de cerrado
Criado em 12 de abril de 1989, o Parque Nacional da Chapada dos Guimarães ocupa 32,6 mil hectares e é um dos mais visitados do Brasil. Em 2023, recebeu mais de 147 mil visitantes, segundo dados oficiais do Instituto Chico Mendes (ICMBio).
A entrada é gratuita e funciona todos os dias. Atrativos como Cidade de Pedra, Vale do Rio Claro e Morro de São Jerônimo exigem agendamento prévio e condutor autorizado, enquanto o Mirante do Véu de Noiva e a Cachoeira dos Namorados têm trilhas autoguiadas, conforme orientações do ICMBio.
O que visitar dentro e fora do parque?
O planalto reúne cachoeiras, cavernas e mirantes em raio curto de distância. Algumas atrações ficam no parque, outras se espalham pelo município.
- Cachoeira Véu de Noiva: queda de 86 m formada pelo rio Coxipó, observada de um mirante após trilha de 550 m. Cartão postal do parque.
- Cidade de Pedra: conjunto de formações rochosas de arenito esculpidas pela erosão, com mirante sobre o vale.
- Morro de São Jerônimo: ponto mais alto do parque, com travessia que inclui pernoite no abrigo Casa do Morro.
- Mirante do Centro Geodésico: ponto simbólico a 845 m de altitude, equidistante 1.600 km dos oceanos Atlântico e Pacífico.
- Caverna Aroe Jari: uma das maiores grutas de arenito do Brasil, com cerca de 1.400 m de extensão e inscrições rupestres.
- Circuito das Cachoeiras: percurso com várias quedas e poços naturais para banho, com agendamento pelo ICMBio.
O vídeo é do canal Rolê Família, referência nacional em roteiros turísticos, e apresenta uma viagem de 4 dias na Chapada dos Guimarães, destacando a Cidade de Pedra e a Lagoa Azul, reforçando a autoridade do canal Rolê Família:
Onde comer pratos pantaneiros e tapioca de praça
A culinária local mistura sabores do cerrado com a tradição pantaneira do peixe de rio. A pequena cidade tem opções concentradas no centro e ao redor da praça principal.
- Pintado na telha: peixe de rio servido na própria telha, com farofa, banana frita e arroz, herança da culinária pantaneira.
- Mojica de pintado: ensopado de peixe com mandioca, prato típico do Mato Grosso servido em panela de barro.
- Tapioca recheada: vendida em barracas da praça central, com opções doces e salgadas que vão de carne seca a doce de leite.
- Furrundu: doce de mamão verde com rapadura e gengibre, sobremesa tradicional da região.
Quando o clima favorece cada tipo de passeio?
A estação seca é a melhor para trilhas e cachoeiras, com céu aberto e temperaturas amenas. No verão, as chuvas intensas aumentam o volume das quedas, mas algumas trilhas podem ficar interditadas.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.

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Como chegar ao planalto mato-grossense?
A Chapada dos Guimarães fica a cerca de 65 km de Cuiabá pela MT-251, em trajeto de aproximadamente 1 hora de carro. O aeroporto mais próximo é o Marechal Rondon, em Várzea Grande, com ônibus que partem da rodoviária da capital várias vezes ao dia.
Suba a serra e descubra a Chapada dos Guimarães
O planalto mato-grossense guarda uma soma rara de cerrado, fósseis marinhos e cachoeiras de tirar o fôlego a uma hora da capital. Poucos destinos brasileiros combinam tantas camadas de história em paisagens tão amplas.
Você precisa subir a serra e conhecer a Chapada dos Guimarães, o lugar onde se pisa sobre fundo de oceano e se avista o Pantanal do alto.








