Tinha o livro certo, o diretor de Scarface e um elenco de estrelas. Mesmo assim, naufragou. E até hoje o vencedor do Oscar não esconde a frustração.
Com mais de meio século de cinema, Morgan Freeman acumulou tantos clássicos que escolher um favorito é tarefa difícil — de Conduzindo Miss Daisy e Um Sonho de Liberdade a Seven: Os Sete Crimes Capitais. Mas o caminho inverso é fácil: existe um único filme que o ator, vencedor do Oscar por Menina de Ouro, descreve sem rodeios como um pesadelo. E o mais curioso é que ele tinha tudo para ser o oposto disso.
O filme é A Fogueira das Vaidades, rodado há 36 anos.
No papel, era impossível dar errado
Olhe os ingredientes. A história saiu de um best-seller afiadíssimo de Tom Wolfe — uma sátira social que começou publicada em capítulos na revista Rolling Stone antes de virar fenômeno editorial. Na direção, Brian De Palma, o mesmo de Scarface. E no elenco, uma constelação: Tom Hanks no papel principal, ao lado de Bruce Willis, Melanie Griffith e o próprio Morgan Freeman.
Era a receita perfeita de um candidato a prestígio. Só que o resultado foi na direção contrária.
O fiasco em números
Lançado em 1990 (e exibido no Brasil em 1991), o filme arrecadou cerca de US$ 15,6 milhões em bilheteria — diante de um orçamento estimado em US$ 47 milhões. Ou seja: não devolveu nem um terço do que custou.
A crítica foi igualmente impiedosa com a sátira ácida, em que Tom Hanks tentava romper sua imagem de “bom moço” vivendo um banqueiro inescrupuloso de Wall Street. No agregador Rotten Tomatoes, o longa colhe apenas 15% de avaliações positivas.
O próprio elenco passou a tratar a experiência como um capítulo a esquecer. Tom Hanks, em conversa com Oprah Winfrey, chegou a colocá-lo entre os piores filmes que já fez.
Por que dói mais em Freeman do que nos outros
A frustração de Morgan Freeman tem um motivo particular: ele amava o livro. Numa entrevista de 2014 ao The Daily Beast, ao ser perguntado sobre a obra que gostaria de apagar da própria filmografia, o ator não hesitou e cravou a palavra — pesadelo.
Em seguida, resumiu o sentimento que carrega até hoje sobre a adaptação: “Era um dos meus livros favoritos”. E completou com um misto de lamento e desafio: deveriam recomeçar do zero e fazer do jeito certo.
A refilmagem que nunca veio
O remake sonhado por Freeman jamais saiu do papel. Mas, três décadas e meia depois, a história de A Fogueira das Vaidades segue fascinando justamente pela distância entre o que prometia e o que entregou — um lembrete de que nem o elenco mais estrelado garante um bom filme.
Quem sabe, passados 36 anos, alguém finalmente aceite o desafio que o próprio Morgan Freeman lançou: começar de novo e, dessa vez, fazer direito.










