Muito antes de se tornar um dos principais municípios da Serra Catarinense, Lages desempenhava um papel estratégico nas rotas que ligavam o Sul ao Sudeste do Brasil. A tradição campeira, preservada até hoje, nasceu justamente dessa função histórica e continua presente na cultura, na gastronomia e nas festas locais.
Como Lages se tornou referência do tropeirismo no Sul?
Lages foi fundada em 22 de novembro de 1766 pelo bandeirante Antônio Correia Pinto de Macedo com a missão de proteger a região contra invasões espanholas e servir de apoio às tropas que conduziam gado do Rio Grande do Sul até São Paulo.
Em 1820, Dom João VI transferiu a vila da antiga capitania paulista para a de Santa Catarina, fortalecendo sua importância regional. Essa herança tropeira permanece viva até hoje nas fazendas históricas, nas taipas centenárias, nos rodeios crioulos e no tradicional entrevero lageano, preparado em panelas de ferro sobre o fogo de chão.

Como é viver na maior cidade da Serra Catarinense?
Com 172.458 habitantes, segundo estimativa do IBGE para 2025, Lages combina a estrutura de um polo regional com a tranquilidade típica do interior. O município possui IDHM de 0,770, considerado alto, enquanto a taxa de escolarização entre crianças de 6 a 14 anos alcança 98,57%.
O trânsito costuma ser tranquilo para os padrões catarinenses, e a maior parte do comércio concentra-se no Centro e nos bairros Coral e Guarujá. O custo da moradia também é mais acessível do que nas cidades do litoral, tornando o cotidiano mais equilibrado para quem busca qualidade de vida.
O frio faz parte da rotina dos lageanos?
A cerca de 900 metros de altitude, Lages está entre as cidades mais frias do Brasil. Geadas são frequentes entre maio e setembro, e, em alguns anos, a neve volta a cobrir os campos da região. Durante o inverno, temperaturas negativas nas madrugadas fazem parte da rotina dos moradores.
Esse clima influencia diretamente o estilo de vida local. Lareiras acesas, chimarrão nas praças, roupas de lã produzidas na região e a movimentação da Estação Inverno, que impulsiona hotéis, restaurantes e eventos culturais, transformam os meses mais frios em um dos períodos mais marcantes do ano.
O que movimenta a economia e a vida universitária?
A economia de Lages tem como pilares o agronegócio, a indústria madeireira e o setor de serviços. A pecuária, o cultivo de trigo e soja na Coxilha Rica e a cadeia da madeira sustentam boa parte do PIB municipal, que alcança cerca de R$ 50 mil por habitante, segundo dados do IBGE de 2023.
Na educação, o município abriga o campus da UDESC e o Centro Universitário Unifacvest, instituições que recebem estudantes de toda a Serra Catarinense e do norte do Rio Grande do Sul. Essa presença universitária movimenta o comércio, fortalece a vida cultural e ajuda a manter o centro da cidade ativo durante todo o ano.

Onde o lageano passa o fim de semana?
O lazer em Lages combina vida urbana, natureza e tradição campeira. Programas gratuitos e de baixo custo ocupam boa parte do calendário do morador.
- Parque Jonas Ramos (Tanque): principal área verde urbana, com lago, pedalinhos, pista de caminhada e eventos culturais entre pinheirais.
- Morro da Cruz: mirante com vista panorâmica da cidade e dos vales serranos, frequentado ao amanhecer e ao entardecer.
- Fazendas de turismo rural: propriedades centenárias oferecem cavalgadas, fogo de chão e vivência da vida de campo, nos fins de semana.
- Salto do Caveiras: cachoeira com 30 m de altura e 220 m de largura, a 18 km do centro.
- Coxilha Rica: patrimônio histórico com taipas de pedra de mais de 200 anos, ideal para roteiros de carro.
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Pinhão, entrevero e churrasco de fogo de chão
A cozinha lageana tem identidade forte e ingredientes da altitude. Pratos de frio e caça dão o tom das refeições de inverno.
- Pinhão: semente da araucária, consumida cozida, assada na brasa ou em pratos como paçoca e entrevero.
- Entrevero lageano: mistura de carnes, pinhão, linguiça e legumes preparada em panela de ferro sobre fogo de chão.
- Arroz de carreteiro: prato dos antigos tropeiros, com carne seca desfiada e temperos do campo.
- Churrasco de fogo de chão: costelão assado lentamente em espeto fincado na terra, tradição herdada dos tropeiros.
A Festa Nacional do Pinhão é o maior evento do calendário?
Sim. A Festa Nacional do Pinhão é o principal símbolo da identidade lageana e uma das maiores festas do Sul do Brasil. A programação reúne música nativista, rodeios, gastronomia do campo e shows em um parque temático que recebe público de todo o país.
O evento reforça o apelido de Lages como Capital Nacional do Pinhão e movimenta hotéis, restaurantes e o comércio local durante os dias de festa. É uma das ocasiões em que a cidade dobra de tamanho em termos de circulação.
O que esperar do clima ao longo do ano?
O clima é subtropical de altitude. Invernos rigorosos para o padrão brasileiro e verões amenos garantem estações bem marcadas.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar à Princesa da Serra?
Lages fica a 230 km de Florianópolis pela BR-282, cerca de 3 horas de carro. Pelo sul, a BR-116 conecta a cidade a Curitiba e Porto Alegre. O aeroporto regional Antônio Correia Pinto de Macedo recebe voos com conexões pelas principais capitais do Sul.
Viva a vida no planalto
Poucas cidades brasileiras conseguem unir frio de verdade, oferta universitária e custo acessível como Lages. É uma vida que aceita a lareira como móvel essencial e o pinhão como rotina de inverno.
Você precisa conhecer Lages e entender por que a Princesa da Serra virou o refúgio de quem quer qualidade de vida longe do calor do litoral.




