Encravada a 1.500 m de altitude e a 19 km de Ouro Preto, Lavras Novas guarda ruas de pedra do século 18, cachoeiras cristalinas e um casario colorido que resistiu ao esquecimento por quase 200 anos. O vilarejo mineiro nasceu no fim do ciclo do ouro, atravessou o século 20 quase invisível nos mapas e hoje recebe visitantes atrás de trilhas, capela colonial e a tirolesa mais alta do Brasil.
Um arraial que nasceu no fim do ciclo do ouro
O nome do distrito remete às “lavras novas” descobertas depois dos arraiais mais antigos da região, como São Bartolomeu e Antônio Pereira. A ocupação começou por volta de 1716, quando bandeirantes atrasados chegaram à serra em busca das últimas jazidas auríferas.
A vila cresceu isolada, formada em boa parte por ex-escravizados e pequenos lavradores. Segundo a Prefeitura de Ouro Preto, existe uma tradição oral que aponta origem quilombola, mas sem comprovação histórica. Com o declínio do ouro, o vilarejo virou refúgio agrícola e artesanal, redescoberto pelo turismo apenas na década de 1990.

A capela de 1762 no centro da vila
No largo principal está a Capela de Nossa Senhora dos Prazeres, erguida em 1762. A devoção é rara em Minas Gerais e a construção deu origem ao arruamento típico das primeiras vilas mineiras, com casario colorido em volta.
Em frente à capela ergue-se um cruzeiro de pedra que orna o largo até hoje. A Festa de Nossa Senhora dos Prazeres, em agosto, mantém viva a tradição religiosa que atravessou séculos.
O que fazer no distrito mais alto de Ouro Preto?
As atrações combinam aventura, natureza e contemplação em um raio curto. A maioria das trilhas começa no próprio centro histórico e leva a cachoeiras ou mirantes com vista para o mar de montanhas.
- Mega Tirolesa: 400 m de extensão a 1.500 m de altitude, inaugurada em março de 2020, com vista panorâmica da Serra do Espinhaço.
- Cachoeira dos Namorados: quedas d’água refrescantes e acesso fácil, uma das mais procuradas por famílias.
- Represa do Custódio: espelho d’água ideal para caiaque, stand up paddle e pesca recreativa em um cânion cercado por montanhas.
- Mirante da Pedra: no fim da Rua Nossa Senhora dos Prazeres, revela o horizonte de montanhas e o barulho distante das cachoeiras.
- Cachoeira do Pocinho: dois poços de água cristalina formando hidromassagem natural, acesso por trilha curta de 15 minutos.
- Parque Estadual do Itacolomi: reserva compartilhada com Mariana, abriga o pico do Itacolomi e trilhas em Mata Atlântica.
Onde comer no coração da Estrada Real
A gastronomia mantém a essência mineira, com pequenos restaurantes espalhados pelas ruas de pedra. O vilarejo tem cerca de 70 pousadas e um circuito de bares com música ao vivo à noite.
- Comida mineira tradicional: feijão tropeiro, frango com quiabo e tutu servidos em fogão a lenha nos restaurantes do centro.
- Bares da Rua Nossa Senhora dos Prazeres: mesinhas no jardim e programação frequente de música ao vivo à noite.
- Cafés artesanais: bolos caseiros, pão de queijo e cafés de fazendas da região servidos em varandas coloniais.
Vale um aviso prático: o distrito não tem caixas eletrônicos nem posto de gasolina. Levar dinheiro e abastecer em Ouro Preto antes da subida é regra básica.
Quando visitar a serra do Espinhaço?
O clima é ameno o ano todo por conta da altitude. O inverno seco é a temporada favorita para trilhas, enquanto o verão traz as cachoeiras no volume mais generoso.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.

Como chegar ao vilarejo escondido nas montanhas?
O distrito fica a 19 km de Ouro Preto e cerca de 120 km de Belo Horizonte. De carro, o trajeto segue pela BR-356, depois MG-129 e conclui em estrada de terra, com tempo médio de 50 minutos desde Ouro Preto. Não há linha regular de ônibus até a vila.
Suba a serra e conheça Lavras Novas
O vilarejo reúne o que Minas Gerais tem de mais raro: casario colonial preservado, natureza intacta e uma tradição religiosa que atravessa séculos. Poucos destinos combinam tirolesa recorde, cachoeiras cristalinas e uma capela de 1762 no mesmo largo.
Você precisa reservar um fim de semana e sentir o silêncio das montanhas em Lavras Novas, o refúgio mineiro que sobreviveu ao tempo entre serras e ruas de pedra.




