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A Capital Nacional do Agronegócio guarda pinturas rupestres milenares e o maior terminal ferroviário de grãos da América Latina

Por Maura Pereira
07/07/2026
Em Cidades, Turismo
A Capital Nacional do Agronegócio guarda pinturas rupestres milenares e o maior terminal ferroviário de grãos da América Latina

A cidade equilibra vida urbana e campo, funcionando como base para produtores de soja e milho da região // Créditos: YouTube.com/@gilmardasilvaleal

No sudeste de Mato Grosso, entre a terra vermelha e o entroncamento de duas rodovias federais, Rondonópolis escoa cerca de 80 mil toneladas de soja por dia. A poucos quilômetros das lavouras, torres de arenito guardam pinturas de povos que habitaram o Cerrado milênios antes da chegada da soja.

Da linha telegráfica de Rondon ao motor do agronegócio

A ocupação começou às margens do antigo rio Poguba, hoje rio Vermelho, com a fixação de famílias vindas de Goiás e Cuiabá a partir de 1902. Segundo a Prefeitura de Rondonópolis, o povoado do rio Vermelho foi oficialmente reconhecido em 10 de agosto de 1915.

Em 1918, o deputado Otávio Pitaluga concluiu o projeto urbano da localidade e rebatizou o povoado em homenagem ao então tenente Cândido Mariano da Silva Rondon, que liderou as expedições da Comissão Construtora das Linhas Telegráficas na região entre 1907 e 1909. A emancipação política veio em 10 de dezembro de 1953, e a partir dos anos 1970 a chegada da soja transformou a cidade no principal motor econômico do sudeste mato-grossense.

A Capital Nacional do Agronegócio guarda pinturas rupestres milenares e o maior terminal ferroviário de grãos da América Latina
Explore Rondonópolis além do agro, conhecendo cachoeiras, formações rochosas e o Casario histórico às margens do rio, cenário que revela a alma do Cerrado mato-grossense. // Créditos: YouTube.com/@gilmardasilvaleal

Como é morar na segunda maior economia de Mato Grosso?

Rondonópolis tem cerca de 260 mil habitantes segundo estimativa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e é a terceira cidade mais populosa do estado. O IDHM é de 0,755, considerado alto, e o PIB municipal ultrapassa R$ 17 bilhões, atrás apenas de Cuiabá.

A cidade lidera o ranking estadual de exportações e abriga a maior planta esmagadora de soja do mundo, operada pela ADM, além da maior da América Latina, da Bunge. A Universidade Federal de Rondonópolis (UFR), emancipada da UFMT em 2018, oferece cursos de Medicina, Engenharia e Psicologia. Bairros como Jardim Guanabara, Vila Aurora e o Centro oferecem ruas arborizadas e infraestrutura completa, com custo de vida inferior ao das capitais vizinhas.

O maior terminal ferroviário de grãos das Américas

O apelido de Capital Nacional do Agronegócio vem do entroncamento entre as BR-163 e BR-364, que ligam o norte ao sul do país e cortam o município. O Terminal de Rondonópolis (TRO), operado pela Rumo Logística, é o maior terminal ferroviário de grãos da América Latina, com capacidade anual de 40 milhões de toneladas.

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Durante o auge da safra, o terminal chega a receber 2 mil caminhões por dia. Dali partem trens de 120 vagões com cerca de 11,5 mil toneladas de grãos rumo ao Porto de Santos. O volume rendeu à cidade outros dois títulos ligados à economia: Capital Nacional do Bitrem, pelo fluxo de carretas, e a histórica Rainha do Algodão, herança da antiga produção têxtil da região.

O que fazer entre cachoeiras e arte rupestre?

O roteiro surpreende quem espera apenas paisagem de lavoura. A cidade reúne natureza, arqueologia e lazer urbano em atrações que ficam a menos de uma hora do centro.

  • Parque Ecológico João Basso: Reserva Particular do Patrimônio Natural criada em 1997, com cerca de 3.624 hectares. Abriga a Cidade de Pedra, formações de arenito com pinturas rupestres estudadas há mais de 30 anos por pesquisadores da USP e do Museu de História Natural de Paris.
  • Complexo Turístico do Carimã: circuito de nove cachoeiras a 55 km do centro, com trilha de pouco mais de 1 km e área de camping.
  • Museu Municipal Rosa Bororo: instalado em uma das construções mais antigas da cidade, preserva acervo sobre o Marechal Rondon e a cultura Bororo.
  • Casario Histórico: complexo arquitetônico com 24 casas de adobe e alvenaria dos anos 1930, testemunho da fundação urbana da cidade.
  • Horto Florestal Isabel Dias Goulart: bosque municipal com trilhas, pista de caminhada e contato com a fauna do Cerrado dentro do perímetro urbano.
  • Exposul: maior feira agropecuária do interior mato-grossense, realizada em agosto com mais de 50 edições, reúne shows nacionais e exposições de máquinas.

Sabores do Cerrado com influência migrante

A mesa reflete as levas de migrantes que chegaram nos anos 1970. Sulistas, nordestinos, paulistas, japoneses e libaneses moldaram uma cozinha diversa em pratos de fogão a lenha.

  • Peixe assado na folha da bananeira: pintado ou pacu preparados no forno, herança dos ribeirinhos do rio Vermelho, servidos com farofa de banana.
  • Arroz carreteiro: prato sulista trazido pelos gaúchos que colonizaram as lavouras, feito com carne seca desfiada e temperos frescos.
  • Mojica de pintado: peixe cozido com mandioca em caldo grosso, prato típico das margens dos rios mato-grossenses.
  • Sobá: presença da imigração japonesa nas cozinhas de rua, macarrão em caldo servido em restaurantes do centro.
A Capital Nacional do Agronegócio guarda pinturas rupestres milenares e o maior terminal ferroviário de grãos da América Latina
Rondonópolis possui o segundo maior PIB de Mato Grosso e lidera o ranking estadual de exportações, exportando mais que muitos estados brasileiros graças à força do agro. // Créditos: YouTube.com/@gilmardasilvaleal

Leia também: A cidade que lidera o Nordeste em qualidade de vida e é o primeiro pedaço das Américas a ver o sol nascer.

Qual o clima do sudeste mato-grossense?

O clima tropical tem duas estações bem definidas. O inverno seco favorece trilhas e visita às cachoeiras, enquanto o verão concentra as chuvas e o calor mais intenso.

☀️ Verão Dez – Fev
Média: 22-34°C
Chuva: ⛈️ Alta
O calor intenso e a alta pluviosidade elevam o volume dos rios regionais, tornando ideal a ida às **Cachoeiras do Carimã pela manhã** para aproveitar as quedas d’água antes dos temporais de fim de tarde.
🍂 Outono Mar – Mai
Média: 19-32°C
Chuva: 🌦️ Média
A gradativa redução das chuvas estabiliza as temperaturas urbanas, criando o cenário propício para passeios culturais focados no acervo do **Museu Rosa Bororo e Casario**.
🧣 Inverno Jun – Ago
Média: 14-31°C
Chuva: ☀️ Baixa
A forte estiagem limpa os céus e traz madrugadas frias, marcando a melhor época para frequentar os grandes pavilhões da **Exposul e Cidade de Pedra** com excelente visibilidade.
🌸 Primavera Set – Nov
Média: 18-35°C
Chuva: 🌦️ Média
O retorno gradual da umidade vem acompanhado pelo pico de calor na região, recomendando refúgio na vegetação do **Horto Florestal e trilhas curtas** nos momentos de sol brando.
💡 Dica do especialista: Para explorar as impressionantes formações geológicas da **Cidade de Pedra** sem enfrentar o mormaço desgastante ou estradas escorregadias, os meses de inverno são perfeitos pela escassez de chuva. O outono equilibra o clima para visitas históricas no centro, enquanto o verão e a primavera exigem cronogramas matutinos rigorosos e hidratação constante para driblar os picos de calor e as pancadas de chuva vespertinas.

Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.

Como chegar ao entroncamento do Centro-Oeste?

Rondonópolis fica a 215 km de Cuiabá pela BR-163, cerca de 3h de carro. O Aeroporto Municipal Maestro Marinho Franco recebe voos regionais, e quem vem de São Paulo ou Goiânia chega pela BR-364.

Cruze a BR-163 e conheça Rondonópolis

Poucas cidades brasileiras combinam o maior terminal de grãos das Américas, torres de arenito com pinturas milenares e cachoeiras escondidas no mesmo endereço. A Capital do Agronegócio cresceu ligada ao Cerrado sem apagar a herança dos Bororo nem a memória do Marechal Rondon.

Você precisa cruzar a BR-163 e conhecer Rondonópolis, a cidade onde a soja convive com paredões de arte rupestre a menos de uma hora do centro.

Tags: Mato GrossoRondonópolis
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