No sudeste de Mato Grosso, entre a terra vermelha e o entroncamento de duas rodovias federais, Rondonópolis escoa cerca de 80 mil toneladas de soja por dia. A poucos quilômetros das lavouras, torres de arenito guardam pinturas de povos que habitaram o Cerrado milênios antes da chegada da soja.
Da linha telegráfica de Rondon ao motor do agronegócio
A ocupação começou às margens do antigo rio Poguba, hoje rio Vermelho, com a fixação de famílias vindas de Goiás e Cuiabá a partir de 1902. Segundo a Prefeitura de Rondonópolis, o povoado do rio Vermelho foi oficialmente reconhecido em 10 de agosto de 1915.
Em 1918, o deputado Otávio Pitaluga concluiu o projeto urbano da localidade e rebatizou o povoado em homenagem ao então tenente Cândido Mariano da Silva Rondon, que liderou as expedições da Comissão Construtora das Linhas Telegráficas na região entre 1907 e 1909. A emancipação política veio em 10 de dezembro de 1953, e a partir dos anos 1970 a chegada da soja transformou a cidade no principal motor econômico do sudeste mato-grossense.

Como é morar na segunda maior economia de Mato Grosso?
Rondonópolis tem cerca de 260 mil habitantes segundo estimativa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e é a terceira cidade mais populosa do estado. O IDHM é de 0,755, considerado alto, e o PIB municipal ultrapassa R$ 17 bilhões, atrás apenas de Cuiabá.
A cidade lidera o ranking estadual de exportações e abriga a maior planta esmagadora de soja do mundo, operada pela ADM, além da maior da América Latina, da Bunge. A Universidade Federal de Rondonópolis (UFR), emancipada da UFMT em 2018, oferece cursos de Medicina, Engenharia e Psicologia. Bairros como Jardim Guanabara, Vila Aurora e o Centro oferecem ruas arborizadas e infraestrutura completa, com custo de vida inferior ao das capitais vizinhas.
O maior terminal ferroviário de grãos das Américas
O apelido de Capital Nacional do Agronegócio vem do entroncamento entre as BR-163 e BR-364, que ligam o norte ao sul do país e cortam o município. O Terminal de Rondonópolis (TRO), operado pela Rumo Logística, é o maior terminal ferroviário de grãos da América Latina, com capacidade anual de 40 milhões de toneladas.
Durante o auge da safra, o terminal chega a receber 2 mil caminhões por dia. Dali partem trens de 120 vagões com cerca de 11,5 mil toneladas de grãos rumo ao Porto de Santos. O volume rendeu à cidade outros dois títulos ligados à economia: Capital Nacional do Bitrem, pelo fluxo de carretas, e a histórica Rainha do Algodão, herança da antiga produção têxtil da região.
O que fazer entre cachoeiras e arte rupestre?
O roteiro surpreende quem espera apenas paisagem de lavoura. A cidade reúne natureza, arqueologia e lazer urbano em atrações que ficam a menos de uma hora do centro.
- Parque Ecológico João Basso: Reserva Particular do Patrimônio Natural criada em 1997, com cerca de 3.624 hectares. Abriga a Cidade de Pedra, formações de arenito com pinturas rupestres estudadas há mais de 30 anos por pesquisadores da USP e do Museu de História Natural de Paris.
- Complexo Turístico do Carimã: circuito de nove cachoeiras a 55 km do centro, com trilha de pouco mais de 1 km e área de camping.
- Museu Municipal Rosa Bororo: instalado em uma das construções mais antigas da cidade, preserva acervo sobre o Marechal Rondon e a cultura Bororo.
- Casario Histórico: complexo arquitetônico com 24 casas de adobe e alvenaria dos anos 1930, testemunho da fundação urbana da cidade.
- Horto Florestal Isabel Dias Goulart: bosque municipal com trilhas, pista de caminhada e contato com a fauna do Cerrado dentro do perímetro urbano.
- Exposul: maior feira agropecuária do interior mato-grossense, realizada em agosto com mais de 50 edições, reúne shows nacionais e exposições de máquinas.
Sabores do Cerrado com influência migrante
A mesa reflete as levas de migrantes que chegaram nos anos 1970. Sulistas, nordestinos, paulistas, japoneses e libaneses moldaram uma cozinha diversa em pratos de fogão a lenha.
- Peixe assado na folha da bananeira: pintado ou pacu preparados no forno, herança dos ribeirinhos do rio Vermelho, servidos com farofa de banana.
- Arroz carreteiro: prato sulista trazido pelos gaúchos que colonizaram as lavouras, feito com carne seca desfiada e temperos frescos.
- Mojica de pintado: peixe cozido com mandioca em caldo grosso, prato típico das margens dos rios mato-grossenses.
- Sobá: presença da imigração japonesa nas cozinhas de rua, macarrão em caldo servido em restaurantes do centro.

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Qual o clima do sudeste mato-grossense?
O clima tropical tem duas estações bem definidas. O inverno seco favorece trilhas e visita às cachoeiras, enquanto o verão concentra as chuvas e o calor mais intenso.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar ao entroncamento do Centro-Oeste?
Rondonópolis fica a 215 km de Cuiabá pela BR-163, cerca de 3h de carro. O Aeroporto Municipal Maestro Marinho Franco recebe voos regionais, e quem vem de São Paulo ou Goiânia chega pela BR-364.
Cruze a BR-163 e conheça Rondonópolis
Poucas cidades brasileiras combinam o maior terminal de grãos das Américas, torres de arenito com pinturas milenares e cachoeiras escondidas no mesmo endereço. A Capital do Agronegócio cresceu ligada ao Cerrado sem apagar a herança dos Bororo nem a memória do Marechal Rondon.
Você precisa cruzar a BR-163 e conhecer Rondonópolis, a cidade onde a soja convive com paredões de arte rupestre a menos de uma hora do centro.




