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Início Cidades

A cidade catarinense que exporta proteína para 150 países tem uma tirolesa de 1.300 metros que cruza o Rio Uruguai

Por Maura Pereira
07/07/2026
Em Cidades, Turismo
Onde se avista o caminho da roça, a maior cidade do interior de Santa Catarina produz proteína para o mundo

O centro de Chapecó concentra boa parte das atrações, acessíveis a pé. / Imagem ilustrativa

No Oeste de Santa Catarina, entre araucárias e frigoríficos que abastecem meio mundo, Chapecó carrega um nome de origem kaingang que se traduz como de onde se avista o caminho da roça. A cidade exporta proteína para o mundo e abre as porteiras para uma tirolesa que atravessa o Rio Uruguai até o Rio Grande do Sul.

A herança kaingang que virou capital do agronegócio

O nome vem da fusão dos termos kaingang echa, apê e gô, que juntos designam o ponto de onde se avista a roça. Antes da colonização, o povo Kaingang habitava toda a região, e o cacique Condá ajudou a abrir por volta de 1845 o Caminho das Missões, rota que ligava o Sul ao interior de São Paulo.

Fundada em 25 de agosto de 1917, Chapecó ocupava originalmente 14 mil km² e cobria praticamente todo o Oeste catarinense. Com os desmembramentos ao longo do século 20, o território encolheu para os atuais 625 km², mas o peso econômico só cresceu. Descendentes de italianos, alemães e poloneses vindos do Rio Grande do Sul consolidaram a colonização a partir do início do século 20.

A cidade de Santa Catarina que cresce com o agronegócio e atraí com moradia excelente
Chapecó oferece boa infraestrutura, universidades, eventos culturais e esportivos, além de belezas naturais. // Créditos: Wikipedia

Como é morar na maior cidade do Oeste catarinense?

Chapecó tem cerca de 230 mil habitantes e é a sexta cidade mais populosa do estado. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), o IDHM chega a 0,790, considerado alto. O traçado urbano planejado, com ruas largas e bairros organizados, facilita a mobilidade e mantém deslocamentos curtos.

A economia se apoia na agroindústria, com a Aurora Cooperativa Central, fundada na cidade em 1969, e uma das principais unidades da BRF, operando ali desde os anos 1970. O município exporta proteína animal para cerca de 150 países. A Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS), a Universidade Comunitária da Região de Chapecó (Unochapecó) e outras instituições atraem estudantes de todo o Sul.

O avanço econômico do interior catarinense reconfigura a rede urbana sulista. O canal Coisas do Mundo, com 828 mil inscritos, detalha a infraestrutura de Chapecó, chancelando a liderança agroindustrial desse dinâmico polo regional.

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O que fazer entre cachoeiras e monumentos urbanos?

O roteiro combina aventura no interior com marcos culturais no centro. A maioria das atrações fica a menos de 40 minutos entre si.

  • Porto Goio-Ên: às margens do Rio Uruguai, guarda uma tirolesa de 1.300 metros que cruza a divisa entre Santa Catarina e o Rio Grande do Sul, com restaurantes de vista panorâmica do lago.
  • Trilha do Pitoco: percurso de 5 km com seis cachoeiras que variam de 5 a 50 metros de altura, a 28 km do centro, em meio à mata nativa.
  • Catedral Santo Antônio: templo com duas torres de 40 metros no centro da cidade, planta em formato de cruz visível do alto e gruta nos fundos com imagens sacras.
  • Monumento O Desbravador: escultura de 14 metros e 9 toneladas de sucata inaugurada em 1981 pelo artista Paulo de Siqueira, homenagem aos colonizadores.
  • Ecoparque: área verde central com lagos, trilhas, academia ao ar livre e playground, aberta diariamente das 6h às 21h.
  • Exposição Feira Agropecuária Industrial e Comercial (EFAPI): uma das maiores feiras multissetoriais do Sul, realizada em outubro com shows nacionais e público de todo o estado.

Leia também: A cidade que lidera o Nordeste em qualidade de vida e é o primeiro pedaço das Américas a ver o sol nascer.

Sabores da tríplice herança colonial

A cozinha reflete três culturas que se encontraram no Oeste catarinense. A herança italiana convive com o churrasco gaúcho e as tradições polonesas em cafés coloniais tradicionais.

  • Polenta com galeto: pilar da mesa colonial italiana, servido com molho de tomate caseiro e frango de corte assado no espeto.
  • Tortéi de abóbora: massa recheada trazida pelos imigrantes do norte da Itália, presente em cantinas rurais e cafés coloniais.
  • Café colonial: mesa farta com mais de 40 itens, cucas, salames caseiros, geleias e pães, tradição que atravessa gerações no interior do município.
  • Churrasco de costela: herança gaúcha do domingo, servido com chimarrão e arroz carreteiro nos restaurantes campeiros da região.
  • Vinhos e espumantes locais: pequenas vinícolas familiares produzem rótulos com uvas plantadas na propriedade e recebem visitantes para degustação.
Com economia forte e bons indicadores urbanos, a “Capital do Oeste” se destaca como a melhor cidade do interior de SC em 2026
Chapecó é um município de Santa Catarina, considerado a capital da agroindústria e turismo de negócios. // Créditos: Wikimedia Commons

Qual o clima do Oeste catarinense?

O subtropical úmido divide o ano em quatro estações bem marcadas. O inverno pode surpreender com geadas frequentes e temperaturas abaixo de zero. Em agosto de 1965, a cidade registrou uma nevasca histórica.

☀️ Verão Dez – Fev
Média: 18-31°C
Chuva: ⛈️ Alta
O calor e a alta pluviosidade estimulam passeios logo cedo, concentrando o movimento na **Trilha do Pitoco pela manhã** para evitar o mormaço e as pancadas do fim de tarde.
🍂 Outono Mar – Mai
Média: 13-25°C
Chuva: 🌦️ Média
A gradativa queda nas temperaturas e a redução das chuvas criam o clima perfeito para explorar o interior, priorizando a **rota rural e cafés coloniais** nos fins de semana.
🧣 Inverno Jun – Ago
Média: 4-18°C
Chuva: 🌦️ Média
O frio rigoroso altera a dinâmica urbana e transfere a movimentação para ambientes fechados, aquecendo as noites em **cervejarias artesanais e cantinas** da região.
🌸 Primavera Set – Nov
Média: 12-27°C
Chuva: ⛈️ Alta
A elevação térmica e a volta do período chuvoso coincidem com a temporada de grandes eventos ao ar livre, mobilizando o público nos pavilhões da **EFAPI e Ecoparque**.
💡 Dica do especialista: Para saborear a forte gastronomia local nas cervejarias artesanais e cantinas sem enfrentar o frio extremo, os meses de outono entregam uma excelente transição térmica. Se o objetivo principal for acompanhar a movimentação da EFAPI e Ecoparque, programe-se para a primavera, lembrando que o verão exige cronogramas matutinos rigorosos para aproveitar a natureza na Trilha do Pitoco.

Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.

Como chegar à Capital da Agroindústria?

Chapecó fica a 557 km de Florianópolis pela BR-282, cerca de 6h30 de carro. O Aeroporto Serafim Enoss Bertaso opera voos diretos para São Paulo (Guarulhos e Campinas) e conexões para outras capitais. A fronteira com a Argentina fica a 160 km, o que faz da cidade ponto estratégico do Mercosul.

Cruze o Uruguai na tirolesa e conheça Chapecó

Poucas cidades brasileiras entregam um traçado urbano planejado, três culturas europeias na mesma mesa e uma tirolesa que atravessa a divisa de dois estados no mesmo endereço. A Capital da Agroindústria mantém o ritmo do interior mesmo abastecendo continentes inteiros.

Você precisa cruzar o Rio Uruguai pela tirolesa e conhecer Chapecó, a cidade onde o kaingang batizou o caminho da roça que hoje leva proteína a 150 países.

Tags: chapecóSanta Catarina
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