No Oeste de Santa Catarina, entre araucárias e frigoríficos que abastecem meio mundo, Chapecó carrega um nome de origem kaingang que se traduz como de onde se avista o caminho da roça. A cidade exporta proteína para o mundo e abre as porteiras para uma tirolesa que atravessa o Rio Uruguai até o Rio Grande do Sul.
A herança kaingang que virou capital do agronegócio
O nome vem da fusão dos termos kaingang echa, apê e gô, que juntos designam o ponto de onde se avista a roça. Antes da colonização, o povo Kaingang habitava toda a região, e o cacique Condá ajudou a abrir por volta de 1845 o Caminho das Missões, rota que ligava o Sul ao interior de São Paulo.
Fundada em 25 de agosto de 1917, Chapecó ocupava originalmente 14 mil km² e cobria praticamente todo o Oeste catarinense. Com os desmembramentos ao longo do século 20, o território encolheu para os atuais 625 km², mas o peso econômico só cresceu. Descendentes de italianos, alemães e poloneses vindos do Rio Grande do Sul consolidaram a colonização a partir do início do século 20.

Como é morar na maior cidade do Oeste catarinense?
Chapecó tem cerca de 230 mil habitantes e é a sexta cidade mais populosa do estado. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), o IDHM chega a 0,790, considerado alto. O traçado urbano planejado, com ruas largas e bairros organizados, facilita a mobilidade e mantém deslocamentos curtos.
A economia se apoia na agroindústria, com a Aurora Cooperativa Central, fundada na cidade em 1969, e uma das principais unidades da BRF, operando ali desde os anos 1970. O município exporta proteína animal para cerca de 150 países. A Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS), a Universidade Comunitária da Região de Chapecó (Unochapecó) e outras instituições atraem estudantes de todo o Sul.
O avanço econômico do interior catarinense reconfigura a rede urbana sulista. O canal Coisas do Mundo, com 828 mil inscritos, detalha a infraestrutura de Chapecó, chancelando a liderança agroindustrial desse dinâmico polo regional.
O que fazer entre cachoeiras e monumentos urbanos?
O roteiro combina aventura no interior com marcos culturais no centro. A maioria das atrações fica a menos de 40 minutos entre si.
- Porto Goio-Ên: às margens do Rio Uruguai, guarda uma tirolesa de 1.300 metros que cruza a divisa entre Santa Catarina e o Rio Grande do Sul, com restaurantes de vista panorâmica do lago.
- Trilha do Pitoco: percurso de 5 km com seis cachoeiras que variam de 5 a 50 metros de altura, a 28 km do centro, em meio à mata nativa.
- Catedral Santo Antônio: templo com duas torres de 40 metros no centro da cidade, planta em formato de cruz visível do alto e gruta nos fundos com imagens sacras.
- Monumento O Desbravador: escultura de 14 metros e 9 toneladas de sucata inaugurada em 1981 pelo artista Paulo de Siqueira, homenagem aos colonizadores.
- Ecoparque: área verde central com lagos, trilhas, academia ao ar livre e playground, aberta diariamente das 6h às 21h.
- Exposição Feira Agropecuária Industrial e Comercial (EFAPI): uma das maiores feiras multissetoriais do Sul, realizada em outubro com shows nacionais e público de todo o estado.
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Sabores da tríplice herança colonial
A cozinha reflete três culturas que se encontraram no Oeste catarinense. A herança italiana convive com o churrasco gaúcho e as tradições polonesas em cafés coloniais tradicionais.
- Polenta com galeto: pilar da mesa colonial italiana, servido com molho de tomate caseiro e frango de corte assado no espeto.
- Tortéi de abóbora: massa recheada trazida pelos imigrantes do norte da Itália, presente em cantinas rurais e cafés coloniais.
- Café colonial: mesa farta com mais de 40 itens, cucas, salames caseiros, geleias e pães, tradição que atravessa gerações no interior do município.
- Churrasco de costela: herança gaúcha do domingo, servido com chimarrão e arroz carreteiro nos restaurantes campeiros da região.
- Vinhos e espumantes locais: pequenas vinícolas familiares produzem rótulos com uvas plantadas na propriedade e recebem visitantes para degustação.

Qual o clima do Oeste catarinense?
O subtropical úmido divide o ano em quatro estações bem marcadas. O inverno pode surpreender com geadas frequentes e temperaturas abaixo de zero. Em agosto de 1965, a cidade registrou uma nevasca histórica.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar à Capital da Agroindústria?
Chapecó fica a 557 km de Florianópolis pela BR-282, cerca de 6h30 de carro. O Aeroporto Serafim Enoss Bertaso opera voos diretos para São Paulo (Guarulhos e Campinas) e conexões para outras capitais. A fronteira com a Argentina fica a 160 km, o que faz da cidade ponto estratégico do Mercosul.
Cruze o Uruguai na tirolesa e conheça Chapecó
Poucas cidades brasileiras entregam um traçado urbano planejado, três culturas europeias na mesma mesa e uma tirolesa que atravessa a divisa de dois estados no mesmo endereço. A Capital da Agroindústria mantém o ritmo do interior mesmo abastecendo continentes inteiros.
Você precisa cruzar o Rio Uruguai pela tirolesa e conhecer Chapecó, a cidade onde o kaingang batizou o caminho da roça que hoje leva proteína a 150 países.




