Em Lages, o frio não é apenas uma característica do clima, é parte da cultura local. As manhãs de geada nos campos, o chimarrão nas praças e as tradições campeiras convivem com uma cidade de quase 165 mil habitantes que mantém o jeito acolhedor do interior. A chamada Princesa da Serra se destaca por unir uma das maiores áreas territoriais de Santa Catarina, com cerca de 2.637 km², a uma história construída pelos caminhos do gado e da vida tropeira.
De parada dos tropeiros a símbolo do planalto catarinense
Muito antes de ser conhecida pelo inverno rigoroso, Lages já era um ponto estratégico para quem atravessava o sul do Brasil conduzindo tropas de gado. Fundada em 1766 pelo bandeirante Antônio Correia Pinto de Macedo, a vila surgiu como apoio aos viajantes que seguiam entre o Rio Grande do Sul e Sorocaba, deixando como herança fazendas antigas, taipas de pedra e costumes ligados ao campo.
A trajetória da cidade também se mistura a momentos importantes da história brasileira. Durante a Guerra dos Farrapos, participou dos conflitos que marcaram o sul do país e chegou a integrar a República Juliana. Séculos depois, Lages ganhou destaque nacional ao ser berço de Nereu Ramos, único catarinense a ocupar a Presidência da República, entre 1955 e 1956, cuja memória permanece preservada no Memorial Nereu Ramos.

Como é a rotina de quem escolhe viver no planalto catarinense?
Morar em Lages significa trocar a correria dos grandes centros por uma rotina marcada por espaços amplos, clima frio e serviços concentrados em uma cidade média. A Princesa da Serra funciona como polo regional de saúde e educação, atendendo moradores de diversos municípios vizinhos com hospitais, clínicas e instituições como a Universidade do Planalto Catarinense (Uniplac) e a Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc).
A estrutura urbana passou por transformações nos últimos anos, especialmente na região central, que recebeu revitalização, calçadão, melhorias na paisagem e organização das fachadas comerciais. O Lages Garden Shopping ampliou as opções de lazer e compras, enquanto o custo de moradia permanece mais equilibrado em comparação com cidades do litoral catarinense. O resultado é uma cidade onde a praticidade urbana convive com o ritmo tranquilo típico da serra.
O que o morador faz no tempo livre?
O lazer em Lages mistura natureza e cultura campeira. Algumas opções fazem parte da rotina dos moradores durante o ano inteiro.
- Parque Jonas Ramos (Tanque): lago, árvores centenárias e área de caminhada no centro. É o ponto de encontro das famílias aos fins de semana.
- Morro da Cruz: 513 degraus até um mirante com vista panorâmica da cidade. No topo, uma cruz de 19 m e uma pequena capela.
- Mercado Público Municipal: gastronomia serrana, artesanato e ponto de convivência no centro revitalizado.
- Fazendas de turismo rural: Lages é considerada a cidade pioneira do turismo rural no Brasil. As fazendas oferecem cavalgadas, fogo de chão e contato com a vida do campo.
- Cânion das Laranjeiras: paisagem de formação rochosa e trilhas para quem busca aventura a poucos km da área urbana.
O sabor da serra servido no fogo de chão
A culinária de Lages nasceu da mistura entre a vida campeira e os ingredientes disponíveis nos campos de altitude. O pinhão, semente da araucária que domina a paisagem serrana, divide protagonismo com a carne bovina, o charque e os temperos fortes herdados dos antigos tropeiros. Entre as receitas mais tradicionais está o entrevero, combinação de pinhão, carnes, linguiça e legumes preparada em panelas grandes e servida como símbolo da cozinha local.
A Festa Nacional do Pinhão, realizada tradicionalmente entre maio e junho, transformou essa tradição em um dos maiores encontros culturais de Santa Catarina. Durante o evento, a cidade recebe apresentações musicais, culinária típica e celebrações da identidade serrana. Fora da festa, o pinhão assado na brasa, a paçoca de pinhão e outros pratos regionais continuam presentes no Mercado Público e nos restaurantes da cidade.
O vídeo é do canal Diogo Elzinga, que conta com mais de 1 milhão de inscritos, e apresenta a rica cultura tropeira, a famosa Festa do Pinhão e pontos históricos como a imponente Catedral Diocesana feita de pedra:
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Quando o frio define a rotina do planalto?
O clima subtropical de altitude faz de Lages uma das cidades mais frias do Sul. A média anual gira em torno de 15°C a 16°C. Geadas são frequentes no inverno, e a neve aparece em alguns anos.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.

Como chegar à serra catarinense?
Lages está a cerca de 231 km de Florianópolis, com acesso pela BR-282 em uma viagem de aproximadamente 3 horas. Para quem vem de Curitiba, o caminho principal passa pela BR-116, com cerca de 300 km de percurso. A região também é atendida pelo Aeroporto Regional do Planalto Serrano, em Correia Pinto, localizado a aproximadamente 30 km do centro da cidade, além de linhas de ônibus que conectam o município às principais cidades do Sul.
Um lugar onde o frio ainda organiza a vida
Mais do que um destino de inverno, Lages representa um jeito diferente de viver em meio aos campos da Serra Catarinense. A cidade atrai quem busca menos pressa, mais contato com a natureza e uma rotina marcada por manhãs frias, paisagens abertas e tradições que atravessaram gerações.
Entre o aroma do pinhão assado, as receitas herdadas dos tropeiros e os campos cobertos pela geada, a Princesa da Serra preserva uma identidade rara no Brasil. Caminhar pelo centro histórico, acompanhar o nascer do sol gelado nas áreas rurais e sentir o ritmo mais calmo da população é entender por que Lages continua sendo um dos principais símbolos do inverno catarinense.




