Erguida sobre um rochedo às margens do Rio São Francisco, no sul de Alagoas, Penedo reúne cerca de 64 mil habitantes e um dos conjuntos arquitetônicos coloniais mais preservados do Nordeste. Fundada no século XVI por Duarte Coelho de Albuquerque, hospedou Dom Pedro II em 1859 e virou, em 2023, uma das únicas duas cidades brasileiras na Rede de Cidades Criativas da UNESCO na categoria Cinema. A Atenas Alagoana abriga um centro histórico que foi tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) em 1996.
Da grande pedra à Atenas Alagoana
O nome vem justamente do rochedo que serviu de base para a fundação do povoado: em português arcaico, penedo significa a grande pedra. A cidade nasceu no século XVI, fundada por Duarte Coelho de Albuquerque, filho de Duarte Coelho Pereira, donatário da capitania de Pernambuco. A posição estratégica, controlando o acesso ao Rio São Francisco, transformou a região em rota comercial fundamental para o interior do Brasil colonial.
O povoado foi elevado à vila de São Francisco em 1636 e, no fim do século XIX, passou a se chamar Penedo do Rio São Francisco. Ganhou o apelido de Atenas Alagoana pela intensa vida intelectual e artística no século XIX, herança que ainda define a cidade hoje. Em 13 de outubro de 1859, Dom Pedro II se hospedou no Paço Imperial durante viagem à cachoeira de Paulo Afonso. Segundo a tradição local, o Imperador teria dito que o local era muito bonito e que ali deveria estar a capital da província.

O que fazer em Penedo em dois dias?
Dois dias são suficientes para percorrer o centro histórico a pé e fazer um passeio de barco pelo Velho Chico. As atrações principais ficam a poucos metros uma da outra, o que facilita o roteiro.
- Igreja de Nossa Senhora da Corrente: construída em 1765, é obra-prima do barroco e rococó, com azulejos portugueses, piso de cerâmica inglesa e uma passagem secreta usada para abrigar escravos fugitivos no século XIX.
- Convento de São Francisco e Igreja de Santa Maria dos Anjos: complexo franciscano concluído em 1759 após quase 100 anos de construção, com talha dourada e proteção federal desde 1941, um dos mais antigos do Nordeste.
- Igreja de São Gonçalo Garcia: do final do século XVIII, guarda o pequeno oratório da Praça Barão de Penedo, onde os condenados passavam a última noite antes da execução.
- Museu do Paço Imperial: instalado no sobrado que hospedou Dom Pedro II em 1859, exibe porcelanas, mobiliário, fotografias e a Sala Dom Pedro II com registros das duas passagens do Imperador.
- Theatro Sete de Setembro: inaugurado em 1884, é o primeiro teatro de Alagoas, com arquitetura neoclássica restaurada e programação cultural ativa.
- Praça Barão de Penedo: coração do centro histórico, cercada por casarões coloridos e cafés tradicionais, ponto de partida da caminhada pelo conjunto tombado.
- Passeio de barco pelo Velho Chico: navegação saindo da avenida Beira-Rio até a foz ou para praias fluviais, com paradas para banho no rio.
- Foz do Rio São Francisco: a 25 km, em Piaçabuçu, oferece dunas e lagoas conhecidas como Lençóis Alagoanos, cenário do encontro do rio com o mar.
De cinema histórico à Cidade Criativa da UNESCO
Em 31 de outubro de 2023, a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) incluiu Penedo na Rede Mundial de Cidades Criativas, na categoria Cinema. A cidade ribeirinha entrou ao lado de nomes como Roma, Cannes e Sydney. No Brasil, apenas Penedo e Santos carregam o selo nessa categoria.
Segundo a Revista Oeste, o reconhecimento veio depois de décadas de tradição audiovisual. Penedo abrigou o histórico Cine São Francisco, inaugurado em 1959 como a mais moderna sala do Nordeste, e sediou um famoso festival de cinema entre os anos 1970 e 1980. Hoje, o Circuito Penedo de Cinema, realizado em novembro, é um dos mais tradicionais do país e recebe cineastas de todo o Brasil.

Sabores da mesa ribeirinha
A cozinha local é profundamente marcada pela vida do rio. Peixes do São Francisco chegam frescos aos restaurantes da orla, preparados em receitas que atravessaram gerações de famílias ribeirinhas.
- Peixada penedense: prato símbolo com surubim ou pilombeta do Velho Chico, cozido em caldo com leite de coco, urucum e coentro fresco.
- Pintado assado na telha: peixe assado com temperos regionais, servido em restaurantes tradicionais da avenida Beira-Rio.
- Pitu ao alho e óleo: crustáceo típico do rio, considerado uma iguaria e servido como entrada em restaurantes que valorizam a cozinha ribeirinha.
- Bolo de rolo: doce que reflete a proximidade cultural com Pernambuco, presente nos cafés e confeitarias do centro histórico.
Qual a melhor época para visitar Penedo?
O clima é tropical quente e úmido, com temperaturas elevadas quase o ano todo e brisa constante do rio. A estação chuvosa concentra-se entre abril e julho.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Janeiro concentra a Festa de Bom Jesus dos Navegantes, tradicional celebração religiosa com procissão fluvial. Novembro é o mês do Circuito Penedo de Cinema, que reforça o título de Cidade Criativa da UNESCO. Entre setembro e março, o clima seco favorece os passeios pelo centro histórico e as navegações pelo Velho Chico.

Como chegar em Penedo?
A cidade fica a 170 km de Maceió pela AL-101 Sul, em cerca de 3 horas de carro. O trajeto atravessa canaviais e coqueirais típicos do litoral alagoano. Ônibus regulares partem da rodoviária da capital com frequência diária.
De Aracaju, capital de Sergipe, são apenas 130 km pela BR-101 e SE-335, em cerca de 2 horas, com o diferencial da chegada de balsa partindo de Neópolis, na travessia fluvial mais tradicional do Baixo São Francisco. Os aeroportos mais próximos são o Aeroporto Internacional Zumbi dos Palmares, em Maceió, e o Aeroporto Santa Maria, em Aracaju, ambos com voos das principais capitais do país.
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Vá conhecer Penedo
Poucas cidades brasileiras conseguem entregar quatro igrejas barrocas em um centro histórico tombado, um selo internacional da UNESCO e o Rio São Francisco correndo aos pés dos casarões coloniais no mesmo endereço. Penedo segue no ritmo dos barcos ancorados na Beira-Rio, das ladeiras de pedra e do sotaque ribeirinho que resiste à passagem dos séculos.
Você precisa caminhar pela avenida Beira-Rio ao entardecer e entrar na Igreja de Nossa Senhora da Corrente para entender por que a Atenas Alagoana virou uma das joias coloniais mais preservadas do Nordeste.




