A 170 km de Florianópolis, no coração da Serra Catarinense, Urubici é uma das cidades mais frias do Brasil e o destino mais procurado por quem quer ver a neve sem sair do país. Registra o recorde nacional de temperatura mínima, com -17,8°C medidos em junho de 1996 no Morro da Igreja, ponto culminante habitado da Serra Geral, a 1.822 metros de altitude. Combina paisagens de araucárias, cânions, cachoeiras e uma tradição serrana única na região Sul.
Dos jesuítas aos imigrantes tropeiros
A ocupação da região começou em 1711, quando Dom João V ordenou que jesuítas procurassem minas e catequizassem indígenas até o Rio Caçadores, em território originalmente habitado pelos povos Xokleng. Os padres encontraram um pinheiral espantoso, descrito nos relatos da época como um mar de pinheiros de araucária, e demarcaram o território com cruzes jesuíticas.
A colonização por imigrantes agricultores e madeireiros italianos, alemães e portugueses aconteceu entre 1903 e 1911. Segundo a Prefeitura de Urubici, a primeira vila foi instalada em 1915 como distrito de São Joaquim. O município nasceu oficialmente em 6 de dezembro de 1956, com a Lei nº 274, sendo instalado solenemente em 3 de fevereiro de 1957, data comemorada como aniversário da cidade. A economia atual mistura agricultura (hortaliças, maçã e erva-mate), pecuária e turismo.

O que fazer em Urubici em três dias?
O ideal são três dias, com um dedicado ao Morro da Igreja e à Pedra Furada, outro às cachoeiras e à Serra do Corvo Branco e um terceiro à Gruta de Lourdes e ao centro histórico. As atrações principais exigem carro particular.
- Morro da Igreja: ponto culminante habitado da Serra Geral, a 1.822 metros, no Parque Nacional de São Joaquim, com vista panorâmica que alcança o litoral catarinense em dias claros.
- Pedra Furada: formação rochosa em forma de portal à frente do Morro da Igreja, cartão-postal da Serra Catarinense e um dos cenários mais fotografados do Sul do país.
- Cascata do Avencal: queda d’água de 100 metros de altura em cenário natural cercado por vegetação típica de altitude, com opção de rapel guiado.
- Serra do Corvo Branco: uma das estradas mais altas do Brasil, com corte na rocha de 90 metros que abre passagem entre paredões, cenário obrigatório para fotografia.
- Cachoeira Véu de Noiva: queda d’água de 62 metros que forma um véu branco sobre as pedras, acesso próximo à SC-370.
- Gruta Nossa Senhora de Lourdes: santuário religioso instalado em uma caverna natural, ponto de peregrinação da comunidade católica da serra.
- Serra do Panelão: trecho sinuoso da SC-438 com paisagens de araucárias e mirantes naturais que fazem a ligação entre Urubici e a BR-282.
- Centro Histórico: reúne a Igreja Matriz Nossa Senhora Mãe dos Homens, o Museu Municipal, o Casarão dos Bugres e o Monumento ao Tropeiro, homenagem aos primeiros colonizadores.

O Parque Nacional de São Joaquim
O grande atrativo natural da região é o Parque Nacional de São Joaquim, criado em 6 de julho de 1961 e considerado a primeira unidade de conservação federal de Santa Catarina. Com cerca de 49 mil hectares, abrange também os municípios de Bom Jardim da Serra, Orleans, Grão-Pará e Lauro Müller, protegendo remanescentes de Mata Atlântica e das matas de araucárias, um dos biomas mais ameaçados do Brasil.
Segundo o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), o parque abriga nascentes que fazem parte do Aquífero Guarani, principal reserva de água doce subterrânea da América do Sul. A visita ao Morro da Igreja e à Pedra Furada é gratuita, mas exige agendamento obrigatório com uma semana de antecedência pelo site do órgão. O ingresso é retirado na sede do parque na Av. Pedro Bernardo Warmling, com limite de 15 minutos de permanência e um agendamento por veículo.
Sabores da mesa serrana
A cozinha local combina tradição tropeira e influência da imigração italiana e alemã. A truta arco-íris, o pinhão e os vinhos de altitude são a base do cardápio da serra.
- Truta arco-íris: criada em pisciculturas locais e servida grelhada, ao molho de alcaparras ou defumada em restaurantes típicos da rota da truta.
- Fondue: presença fixa nos meses de inverno em pousadas e restaurantes com lareira, tradição herdada da colonização europeia.
- Pinhão: semente da araucária consumida assada, cozida ou em pratos como paçoca de pinhão, símbolo da culinária serrana.
- Vinhos de altitude: produzidos em vinícolas da Serra Catarinense com uvas cultivadas acima de 900 m, com destaque para Cabernet Sauvignon e Sauvignon Blanc.
Qual a melhor época para visitar Urubici?
O clima é temperado, com quatro estações bem definidas. O inverno é rigoroso, com temperaturas negativas frequentes e possibilidade de neve. O verão é ameno, com temperaturas amenas mesmo nos dias mais quentes.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
A alta temporada vai de junho a agosto, com julho como mês de maior fluxo de visitantes. Nesse período, as temperaturas noturnas caem abaixo de zero regularmente e a possibilidade de neve atrai turistas de todo o país. Reserve hospedagem com dois a três meses de antecedência.

Como chegar em Urubici?
A cidade fica a 170 km de Florianópolis, com acesso pela BR-282 e depois pela SC-110, em trajeto de cerca de 3 horas de carro. As estradas são serranas e sinuosas, especialmente no trecho da Serra do Panelão, e exigem atenção redobrada em dias de geada.
O Aeroporto Internacional Hercílio Luz, em Florianópolis, é o principal ponto de chegada para quem vem de fora, com voos das principais capitais brasileiras. Não há aeroporto com operação relevante mais próximo da Serra Catarinense. Ônibus regulares partem da Rodoviária de Florianópolis com destino direto a Urubici. De Lages, são cerca de 100 km, e de São Joaquim, apenas 60 km.
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Vá conhecer Urubici
Poucas cidades brasileiras conseguem entregar araucárias cobertas de neve, cânions esculpidos na rocha e o ponto culminante habitado da Serra Geral no mesmo endereço. Urubici segue no ritmo das lareiras acesas nas pousadas, das trutas fresquinhas dos restaurantes e das madrugadas de temperaturas negativas que fazem os campos amanhecerem cobertos de branco.
Você precisa subir o Morro da Igreja em uma manhã de junho e ver as araucárias cristalizadas pela geada para entender por que a capital brasileira da neve virou o destino de inverno mais icônico do país.




