Encravada às margens do Rio Doce, no leste de Minas Gerais, Governador Valadares é dominada pela silhueta do Pico do Ibituruna, uma montanha em forma de pão de açúcar que virou destino obrigatório para pilotos de parapente e asa-delta do mundo todo. A cidade de cerca de 270 mil habitantes, a 320 km de Belo Horizonte, ostenta oficialmente o título de Capital Mundial do Voo Livre, concedido pela Confederação Brasileira de Voo Livre (CBVL).
A cidade que nasceu ao pé de uma montanha preta
Governador Valadares foi oficialmente emancipada em 30 de janeiro de 1938, batizada em homenagem a Benedito Valadares, interventor de Minas Gerais entre 1933 e 1945. O povoado surgiu como parada estratégica da Estrada de Ferro Vitória a Minas, que ligava a capital mineira aos portos do Espírito Santo e transportava o minério da região.
O nome Ibituruna vem do tupi e significa montanha preta, uma referência ao granito escuro que forma o pico. Com 1.123 metros de altitude e quase 900 metros de desnível em relação ao Rio Doce, a montanha domina a paisagem urbana e virou marca registrada da cidade. Segundo o Estado de Minas, Valadares também é hoje um dos principais polos regionais em saúde, comércio e educação do Vale do Rio Doce, com campus da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF).

O que fazer em Governador Valadares em três dias?
A cidade cabe bem em três dias, com o primeiro dedicado ao Pico do Ibituruna, o segundo às margens do Rio Doce e o terceiro à Estrada de Ferro Vitória-Minas ou ao roteiro gemológico.
- Pico do Ibituruna: mirante panorâmico a 1.123 m com vista de 360° do Vale do Rio Doce, quatro rampas de madeira, dez rampas naturais e trilhas até o topo.
- Voo duplo de parapente: experiência para iniciantes com pilotos habilitados pela ANAC e pela CBVL, com decolagem no Ibituruna e pouso na Feira da Paz, do outro lado do Rio Doce.
- Ilha dos Araújos: bairro cercado por um calçadão arborizado às margens do Rio Doce, ponto de encontro para caminhadas, ciclismo e o pôr do sol.
- Parque Natural Municipal: área de Mata Atlântica preservada na base do Ibituruna, com trilhas de educação ambiental e observação de aves.
- Rio Doce: passeios de barco, boiacross e surfe de corredeira em trechos com águas mais agitadas, além de pesca esportiva em outros pontos.
- Estação Ferroviária: ponto de embarque do Trem de Passageiros Vitória a Minas, um dos poucos trens comerciais em operação no Brasil, que liga Belo Horizonte a Vitória.
- Brazil Gem Show: feira anual de pedras preciosas que reúne compradores internacionais, aproveitando a tradição gemológica do médio Rio Doce.
- Casa da Cultura Nello Alves de Souza: espaço com programação de exposições, teatro e música em edifício histórico do centro.
Como as térmicas fizeram a fama internacional da cidade
O primeiro voo registrado no Pico do Ibituruna aconteceu em 1977. A cidade virou palco do Campeonato Brasileiro de Voo Livre a partir de 1983, do Mundial de Asa-delta em 1989 e da Copa do Mundo de Parapente em 1994.
O que faz da montanha uma referência mundial são as térmicas, correntes ascendentes de ar quente que podem chegar a 9 ou 10 metros por segundo, permitindo voos de longa distância. Segundo o Correio Braziliense, a região oferece condições consideradas quase perfeitas para o esporte durante o ano todo, com pico entre fevereiro e março. O acesso à rampa é feito por uma estrada de 11 km a partir do centro, com trecho de terra batida.
Sabores da mesa mineira
A cozinha valadarense é fiel à tradição do fogão a lenha, com influência das viagens ferroviárias que traziam produtos do Espírito Santo. Restaurantes tradicionais atendem em casarões e a Feirinha da Ilha reúne barracas gastronômicas.
- Frango com quiabo e angu: prato-símbolo da cozinha mineira, servido em casas tradicionais do centro.
- Peixes do Rio Doce: preparações de piau, dourado e traíra, servidos fritos ou assados com farofa de banana.
- Feijão tropeiro: legado das viagens dos tropeiros, com feijão, farinha, linguiça e torresmo.
- Pão de queijo com café coado: presença fixa das manhãs em padarias e cafés do centro histórico.
Qual a melhor época para visitar Governador Valadares?
O clima é tropical com estação seca, com invernos amenos e verões quentes e chuvosos. A média anual gira em torno de 24°C.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
A alta temporada para voo livre vai de fevereiro a março, quando as térmicas são mais fortes. O período seco entre maio e setembro tem ventos estáveis e é ideal para trilhas, esportes de aventura e caminhadas na base da Ibituruna.

Como chegar em Governador Valadares?
A cidade fica a cerca de 320 km de Belo Horizonte, com acesso pela BR-381 (Fernão Dias) e depois pela BR-116 (Rio-Bahia). O trajeto leva em torno de 4 horas e meia de carro.
O Aeroporto Regional de Governador Valadares recebe voos regionais. Para conexões nacionais mais amplas, o mais indicado é desembarcar no Aeroporto Internacional Tancredo Neves, em Confins, ou embarcar no Trem de Passageiros Vitória-Minas, que faz parada em Valadares nas viagens diárias entre Belo Horizonte e Vitória. Desde janeiro de 2026, a rota também conta com o Trem de Férias noturno em meses de alta temporada.
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Vá conhecer Governador Valadares
Poucas cidades brasileiras entregam térmicas de nível mundial, uma ferrovia comercial de passageiros em operação e o Rio Doce cortando o centro urbano no mesmo endereço. Governador Valadares continua no ritmo dos parapentes que colorem o céu do leste mineiro todo fim de semana.
Você precisa subir ao Pico do Ibituruna e ver o vale do alto para entender por que a Capital Mundial do Voo Livre virou obsessão de pilotos e aventureiros de todos os cantos do planeta.




