Chapada dos Guimarães, a pouco mais de 60 km de Cuiabá, reúne paisagens que contam uma história iniciada há centenas de milhões de anos. Entre paredões de arenito, cachoeiras e nascentes que abastecem importantes bacias hidrográficas, o município preserva um dos conjuntos geológicos e históricos mais importantes do Centro-Oeste brasileiro.
Como a Chapada dos Guimarães atravessou milhões de anos de transformações?
As rochas da Chapada dos Guimarães registram diferentes fases da história da Terra. Camadas de arenito preservam evidências de um período em que a região esteve coberta pelo mar, seguido por fases de clima desértico até a formação do atual cerrado. No Parque Nacional da Chapada dos Guimarães, dezenas de sítios arqueológicos com pinturas rupestres revelam a presença humana muito antes da chegada dos colonizadores europeus.
A ocupação colonial começou no século XVIII, impulsionada pelas missões jesuíticas e pelo avanço da mineração em Mato Grosso. Desse período permanece a Igreja de Sant’Ana do Sacramento, construída em 1779 em taipa de pilão e reconhecida como um dos principais exemplares do barroco mato-grossense. Tombado pelo IPHAN, o templo conserva elementos históricos, como azulejos trazidos da Bahia, reforçando a importância cultural da cidade.

Por que a Chapada é conhecida como o centro da América do Sul?
Um dos pontos mais visitados do município é o Mirante do Centro Geodésico, localizado a cerca de 8 km do centro de Chapada dos Guimarães e a 845 metros de altitude. Do alto, a vista alcança a planície pantaneira e a cidade de Cuiabá, especialmente nos fins de tarde da estação seca. Embora o marco geodésico oficial esteja localizado na capital mato-grossense, o mirante tornou-se o principal símbolo dessa posição geográfica no imaginário dos visitantes.
A paisagem e a localização também contribuíram para a fama mística da região. A partir do fim da década de 1970, grupos ligados ao espiritualismo e ao contato com a natureza passaram a se instalar no planalto, atraídos por teorias sobre concentrações de energia no local. Desde então, retiros, espaços de meditação e experiências de turismo voltadas ao bem-estar passaram a integrar a oferta turística da Chapada dos Guimarães, convivendo com seus atrativos naturais e históricos.
O que visitar dentro do Parque Nacional?
Criado em 1989, o Parque Nacional da Chapada dos Guimarães ocupa 33 mil hectares administrados pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). A entrada é gratuita e funciona todos os dias. Alguns atrativos são autoguiados, outros exigem condutor credenciado.
- Cachoeira Véu de Noiva: queda de 86 metros formada pelo rio Coxipó, cercada por paredões onde nidificam araras-vermelhas. Trilha autoguiada de 650 metros até o mirante.
- Cidade de Pedra: formações rochosas esculpidas pelo vento que lembram ruínas medievais, com cânions de até 350 metros. Exige guia e veículo 4×4.
- Circuito das Cachoeiras: percurso de 6 km por seis quedas d’água, com paradas para banho na Prainha e na Cachoeira das Andorinhas.
- Vale do Rio Claro: trilha de 4 km até a Crista do Galo, com flutuação de 30 minutos entre o Poço Encantado e o Poço Verde.
- Caverna Aroe Jari: uma das maiores grutas de arenito do Brasil, com cerca de 1.550 metros de extensão. A trilha leva à Lagoa Azul, onde um feixe de luz solar desenha uma ampulheta na água cristalina.
O vídeo do canal “Coisas do Mundo” apresenta Cuiabá, a capital de Mato Grosso, destacando-a como uma joia no coração da América do Sul. Com mais de 300 anos de história, a cidade é a mais antiga capital do Centro-Oeste brasileiro e serve como a principal porta de entrada para o Pantanal.
Onde comer entre uma trilha e outra?
A culinária mistura sabores pantaneiros e do cerrado, servida em panelas de ferro nos restaurantes ao redor da Praça Dom Wunibaldo.
- Arroz Maria Isabel: arroz cozido com carne seca desfiada, prato símbolo da culinária mato-grossense.
- Pacu e pintado: peixes de rio grelhados ou fritos, presentes em quase todos os cardápios da região.
- Galinhada com pequi: arroz com frango caipira, açafrão e pequi, destaque no Festival de Inverno de julho.
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Quando o clima favorece cada tipo de passeio?
A altitude deixa a Chapada mais amena que Cuiabá, especialmente à noite. O ano se divide em estação seca (maio a setembro) e chuvosa (outubro a abril). No período chuvoso, há risco de cabeças d’água em trilhas.

Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar ao planalto de arenito vermelho?
A Chapada fica a 65 km de Cuiabá pela MT-251, em estrada asfaltada. O trajeto leva cerca de 1 hora. Ônibus partem da rodoviária de Cuiabá a cada hora. O aeroporto mais próximo é o Marechal Rondon, em Várzea Grande, com voos diretos de São Paulo, Brasília e outras capitais. Para circular entre as atrações, o ideal é estar de carro.
Mergulhe no cerrado mais antigo do Brasil
A Chapada dos Guimarães reúne, em um único planalto, fósseis de oceano, paredões de deserto, nascentes que alimentam o Pantanal e uma igreja barroca erguida com barro e mão de obra escravizada. Poucos destinos no Mato Grosso entregam tanta história geológica e tanta água cristalina ao mesmo tempo.
Você precisa subir os paredões vermelhos, flutuar no Vale do Rio Claro e assistir ao entardecer no mirante do centro do continente para entender por que esse pedaço de cerrado merece mais do que um fim de semana.




