O cheiro de terra vermelha e o barulho da água caindo de longe recebem quem sobe a serra rumo à Chapada dos Guimarães, a 60 km de Cuiabá. A cidade e o parque nacional que leva o mesmo nome protegem um dos conjuntos geológicos mais espetaculares do Mato Grosso, com formações que remontam a milhões de anos.
O parque nacional que virou destino de aventura
A proteção da região começou cedo. O Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) registra que o primeiro decreto de tombamento veio ainda no início do século XX, assinado pelo então vice-presidente Pedro Celestino Corrêa da Costa. Em 1976, um polígono de 30 mil hectares foi declarado zona prioritária pelo antigo Conselho Nacional de Turismo.
O Parque Nacional da Chapada dos Guimarães foi oficialmente criado em 1989 para proteger amostras significativas do ecossistema e os sítios arqueológicos existentes. O acesso principal é pela Rodovia Emanuel Pinheiro, no km 50, com portaria na entrada do Véu de Noiva.
A área integra hoje o Geopark Chapada dos Guimarães, projeto de valorização geológica que reúne cachoeiras, cavernas, sítios arqueológicos, formações de arenito e comunidades tradicionais em torno da unidade federal.

O que fazer na Chapada dos Guimarães?
A distância entre os atrativos pede planejamento. Muitos passeios exigem guia credenciado e veículo 4×4, principalmente nas trilhas do interior do parque. Os endereços abaixo aparecem no cadastro oficial da Prefeitura Municipal de Chapada dos Guimarães.
- Cachoeira Véu de Noiva: principal cartão-postal do parque, avistada de um mirante ao fim de uma trilha curta, cercada por vale de cerrado preservado.
- Circuito das Cachoeiras: percurso dentro do parque nacional que passa por Cachoeirinha, Prainha, Pulo, Degraus, Andorinhas e piscinas naturais.
- Cidade de Pedra: mirante sobre formações de arenito no Vale do Rio Claro, acesso obrigatório com guia e carro 4×4, a cerca de 25 km da sede.
- Caverna Aroe Jari: nome de origem indígena que significa Morada das Almas, uma das maiores cavernas de arenito do país.
- Caverna Kiogo Brado: significa Ninho dos Pássaros, com paredes de arenito e teto que passa dos 20 metros de altura.
- Gruta da Lagoa Azul: espelho d’água de tom azulado dentro de uma caverna, num dos circuitos mais fotografados da região.
- Morro de São Jerônimo: ponto culminante do parque, com trilha guiada e vista aberta sobre o vale.
- Mirante do Centro Geodésico: ponto tradicional para o nascer do sol sobre a Chapada.
Para quem tem tempo, a expedição com pernoite na Casa do Morro é uma travessia de dois dias que conecta o Véu de Noiva, o Circuito das Cachoeiras e o Morro de São Jerônimo, dentro do parque.
A cozinha caipira que virou marca da serra
A gastronomia local mistura raízes do interior mato-grossense com o ritmo do turismo. Os pratos servidos nos restaurantes da cidade e nas fazendas de apoio costumam trazer ingredientes do cerrado.
- Peixes de água doce: pintado e piraputanga são os mais comuns, servidos grelhados ou assados na folha de bananeira.
- Farofa de banana: acompanhamento tradicional em quase todo almoço da região.
- Frutos do cerrado: pequi, baru e cagaita entram em geleias, licores e sobremesas.
- Café colonial: opção de fim de tarde nas pousadas do centro, com bolos, pães e frios da roça.

Como é o clima da Chapada dos Guimarães durante o ano?
O clima é tropical de savana, com verões chuvosos e invernos secos. Julho registra apenas 6 mm de chuva na média histórica, o que faz do meio do ano a janela ideal para trilhas e travessias.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar ao centro do Mato Grosso?
A porta de entrada é o Aeroporto Internacional Marechal Rondon, na região metropolitana de Cuiabá. De lá até a sede da Chapada são cerca de 60 km pela Rodovia Emanuel Pinheiro (MT-251), em pouco mais de uma hora de carro.
Vans, táxis e agências de turismo fazem o trajeto durante o dia. Dentro do município, o centro histórico se resolve a pé, mas os atrativos do parque exigem carro próprio ou passeio guiado.
O coração geológico do Mato Grosso
Poucos destinos no Brasil conseguem juntar cachoeira de vale profundo, cavernas de arenito e mirantes de arenito no mesmo raio de 30 km. A Chapada dos Guimarães é o tipo de lugar em que a paisagem muda a cada curva da estrada.
Você precisa passar alguns dias na Chapada e ver o Véu de Noiva pela primeira vez do mirante depois de uma caminhada tranquila.



