Em meio aos campos frios do planalto catarinense, Lages preserva um estilo de vida ligado às tradições tropeiras e ao clima serrano. A chamada Princesa da Serra ocupa uma área de mais de 2.600 km² e combina rotina universitária, fazendas históricas, manhãs de geada e rodas de chimarrão nas praças centrais. Nos últimos anos, a cidade passou a atrair moradores que buscam temperaturas mais baixas e um cotidiano mais tranquilo longe do litoral catarinense.
O passado tropeiro que ainda define a identidade lageana
A origem de Lages remonta a 1766, quando o bandeirante Antônio Correia Pinto de Macedo fundou o povoado como ponto estratégico para proteger o território e apoiar o deslocamento das tropas de gado entre o sul do país e São Paulo. A posição da cidade no caminho dos tropeiros ajudou a transformar a região em importante centro de circulação comercial durante o período colonial.
Mesmo após séculos, essa herança continua visível no cotidiano local. Fazendas cercadas por taipas de pedra ainda dominam parte da paisagem rural, enquanto rodeios crioulos e festas campeiras mantêm vivas as tradições gaúchas e serranas. Na gastronomia, pratos como o tradicional entrevero lageano, preparado em grandes panelas sobre fogo de chão, reforçam a ligação da cidade com o universo tropeiro que moldou toda a Serra Catarinense.

Como é o cotidiano em uma cidade de 172 mil habitantes?
Lages tem 172.458 habitantes, segundo estimativa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) para 2025. O IDHM é de 0,770, na faixa de alto desenvolvimento humano, e a escolarização entre crianças de 6 a 14 anos chega a 98,57%.
O trânsito é fluido para o padrão catarinense, o comércio concentra-se no Centro e nos bairros Coral e Guarujá, e o custo de moradia é mais acessível que no litoral. O cotidiano mistura vida de cidade média com o ritmo tranquilo do planalto.
O vídeo é do canal Diogo Elzinga, que conta com mais de um milhão de inscritos, e apresenta a Catedral Diocesana, a história do tropeirismo e o Salto Caveiras:
Uma das cidades mais frias do Brasil que aceita a neve como evento anual
A 900 metros de altitude, Lages registra geadas frequentes entre maio e setembro e, em alguns anos, episódios de neve que cobrem os campos. Mínimas abaixo de zero não são raras nas madrugadas de julho.
Na rotina, isso se traduz em casas com lareira, chimarrão nas praças, lojas com roupas de lã produzidas localmente e um calendário social organizado em torno do inverno. A Estação Inverno, programa estadual de turismo, movimenta restaurantes, pousadas e eventos culturais na serra.
Educação e economia sustentam a maior cidade da serra
A base econômica de Lages gira em torno do agronegócio, da indústria madeireira e do setor de serviços. O rebanho bovino, a produção de trigo e soja na Coxilha Rica e a cadeia da madeira são pilares do PIB municipal, que soma cerca de 50 mil reais per capita (IBGE, 2023).
Na educação, a cidade abriga o campus da Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC) e o Centro Universitário Unifacvest, que atraem estudantes de toda a serra e do norte gaúcho. O movimento universitário explica parte da vida noturna e da oferta cultural no Centro.

Onde o lageano passa o fim de semana?
O lazer em Lages combina vida urbana, natureza e tradição campeira. Programas gratuitos e de baixo custo ocupam boa parte do calendário do morador.
- Parque Jonas Ramos (Tanque): principal área verde urbana, com lago, pedalinhos, pista de caminhada e eventos culturais entre pinheirais.
- Morro da Cruz: mirante com vista panorâmica da cidade e dos vales serranos, frequentado ao amanhecer e ao entardecer.
- Fazendas de turismo rural: propriedades centenárias oferecem cavalgadas, fogo de chão e vivência da vida de campo, nos fins de semana.
- Salto do Caveiras: cachoeira com 30 m de altura e 220 m de largura, a 18 km do centro.
- Coxilha Rica: patrimônio histórico com taipas de pedra de mais de 200 anos, ideal para roteiros de carro.
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Pinhão, entrevero e churrasco de fogo de chão
A cozinha lageana tem identidade forte e ingredientes da altitude. Pratos de frio e caça dão o tom das refeições de inverno.
- Pinhão: semente da araucária, consumida cozida, assada na brasa ou em pratos como paçoca e entrevero.
- Entrevero lageano: mistura de carnes, pinhão, linguiça e legumes preparada em panela de ferro sobre fogo de chão.
- Arroz de carreteiro: prato dos antigos tropeiros, com carne seca desfiada e temperos do campo.
- Churrasco de fogo de chão: costelão assado lentamente em espeto fincado na terra, tradição herdada dos tropeiros.

A Festa Nacional do Pinhão é o maior evento do calendário?
Sim. A Festa Nacional do Pinhão é o principal símbolo da identidade lageana e uma das maiores festas do Sul do Brasil. A programação reúne música nativista, rodeios, gastronomia do campo e shows em um parque temático que recebe público de todo o país.
O evento reforça o apelido de Lages como Capital Nacional do Pinhão e movimenta hotéis, restaurantes e o comércio local durante os dias de festa. É uma das ocasiões em que a cidade dobra de tamanho em termos de circulação.
O que esperar do clima ao longo do ano?
O clima é subtropical de altitude. Invernos rigorosos para o padrão brasileiro e verões amenos garantem estações bem marcadas.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar à Princesa da Serra?
Lages fica a 230 km de Florianópolis pela BR-282, cerca de 3 horas de carro. Pelo sul, a BR-116 conecta a cidade a Curitiba e Porto Alegre. O aeroporto regional Antônio Correia Pinto de Macedo recebe voos com conexões pelas principais capitais do Sul.
Viva a vida no planalto
Poucas cidades brasileiras conseguem unir frio de verdade, oferta universitária e custo acessível como Lages. É uma vida que aceita a lareira como móvel essencial e o pinhão como rotina de inverno.
Você precisa conhecer Lages e entender por que a Princesa da Serra virou o refúgio de quem quer qualidade de vida longe do calor do litoral.










