Uma cidade que nasceu de 22 famílias italianas no fim do século XIX, sobreviveu a mais de um século de mineração de carvão e hoje é referência em saúde pública e economia diversificada. Criciúma, no extremo sul de Santa Catarina, transformou o histórico industrial em um dos maiores polos cerâmicos do mundo e virou uma das cidades mais desejadas do Sul do Brasil para morar.
De Cresciúma a Criciúma: 145 anos de história italiana
A origem tem endereço marcado. Segundo a Fundação Cultural de Criciúma, o município foi fundado em 6 de janeiro de 1880 por 22 famílias italianas, cerca de 139 pessoas vindas das regiões de Vêneto, Belluno e Treviso, na Itália. A colônia inicial se chamou Cresciúma e cresceu economicamente por meio da agricultura e do pequeno comércio nas primeiras décadas.
A ocupação foi diversificada. Segundo a Prefeitura Municipal de Criciúma, a partir de 1890 chegam as primeiras famílias de poloneses, seguidas de imigrantes alemães e de descendentes de portugueses vindos da região de Laguna. A colonização também recebeu a presença de descendentes africanos, tornando a cultura local uma das mais diversificadas do sul catarinense e base da tradicional Festa das Etnias, que hoje figura entre os principais eventos culturais da cidade.
A trajetória política teve três marcos. O distrito de Cresciúma foi criado pela Lei Estadual nº 48, de 2 de setembro de 1892, subordinado a Araranguá. A emancipação política veio pela Lei Estadual nº 1.516, de 4 de novembro de 1925, quando o município foi desmembrado de Araranguá, e a instalação oficial aconteceu em 1º de janeiro de 1926. O nome moderno, Criciúma, é uma referência à planta local chamada popularmente de crici, que cobria a paisagem original da região.

Como o carvão moldou a Capital Nacional e a virada cerâmica
O ciclo econômico decisivo veio do subsolo. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o ciclo do carvão em Criciúma teve início em 1913, com a descoberta das primeiras jazidas do minério. O fato foi o grande propulsor do desenvolvimento econômico do município, gerando empregos e atraindo investimentos, com auge entre as décadas de 1940 e 1970, período em que a cidade ficou conhecida como Capital Brasileira do Carvão.
A ferrovia foi peça-chave da industrialização. A primeira mina foi inaugurada em 1915, no bairro Pio Corrêa, pela Carbonífera Próspera, e a produção ganhou impulso com a inauguração da estação ferroviária em 31 de janeiro de 1919, ligada à Ferrovia Teresa Cristina. O trem escoava o minério até Laguna, de onde as remessas seguiam por navio para as maiores cidades do país.
A reinvenção econômica virou marca. Com a redução gradual da extração ao longo das últimas décadas, o município aproveitou o solo rico em minerais para se transformar em um dos maiores polos mundiais de revestimentos cerâmicos, com produção que compete diretamente com Itália e Espanha. Hoje, Criciúma acumula os títulos de Capital do Carvão e Capital do Revestimento Cerâmico, além de manter presença forte nos setores metalmecânico, têxtil e químico.
Por que Criciúma lidera indicadores sociais no Sul do Brasil?
Os índices reforçam a virada. O Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM), calculado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), é 0,788, classificado como alto e figurando entre os 100 melhores do Brasil. A cidade tem cerca de 227 mil habitantes distribuídos em 235 km², densidade compatível com centros médios e que permite ocupação urbana organizada.
A atenção primária em saúde é referência nacional. A cobertura de Atenção Primária em Saúde chega a 100%, colocando o município em primeiro lugar entre os brasileiros no indicador. A rede também é referência para tratamentos especializados no sul catarinense, com hospitais que recebem pacientes de várias regiões do estado.
A base educacional acompanha o desempenho. A taxa de escolarização entre crianças de 6 a 14 anos ultrapassa 99%, segundo o IBGE, um dos maiores percentuais do país. A Universidade do Extremo Sul Catarinense (UNESC) reúne mais de 13 mil estudantes e é o principal polo educacional do sul do estado, com ensino técnico integrado ao setor cerâmico e industrial.

Moradia, bairros e a rotina do Extremo Sul catarinense
A escolha por Criciúma cresceu na última década. A cidade passou de 192 mil habitantes em 2010 para pouco mais de 227 mil em 2025, segundo estimativas do IBGE, um dos maiores crescimentos populacionais entre municípios médios do Sul. O crescimento é impulsionado pela combinação de vagas industriais, custo de vida menor que em capitais e infraestrutura urbana em constante expansão.
Os bairros oferecem perfis variados. O Centro concentra comércio, serviços e a Praça Nereu Ramos, com a Catedral São José e a planta criciúma, símbolo do nome da cidade. Pinheirinho reúne shoppings, condomínios modernos e infraestrutura completa. O bairro Pio Corrêa preserva a memória da primeira mina inaugurada em 1915. Regiões como Rio Maina e Michel oferecem custo-benefício atraente para famílias em busca de tranquilidade.
A localização é privilegiada. Criciúma fica a cerca de 20 minutos da Serra do Rio do Rastro e a 40 minutos das praias do litoral sul catarinense, incluindo o Balneário Rincão, o que permite fim de semana entre montanha e mar sem sair da região. A conexão com Florianópolis, a cerca de 190 km pela BR-101 duplicada, facilita viagens rápidas para a capital.
O que fazer entre a Mina Modelo e o Parque das Nações
O roteiro combina memória industrial, áreas verdes urbanas e patrimônio cultural. A maioria dos atrativos fica em raio curto no centro urbano.
- Mina de Visitação Octávio Fontana: a única mina de carvão aberta à visitação turística no Brasil, com trem que leva a galerias subterrâneas históricas.
- Parque das Nações Cel. José Meller: principal espaço público de lazer, com ciclovia, área infantil, trenzinho e lagos ornamentais.
- Praça Nereu Ramos: coração do centro histórico, com a Catedral São José e a planta criciúma que deu nome à cidade.
- Parque Altair Guidi: próximo à prefeitura, tradicional para prática de esportes ao ar livre e caminhadas urbanas.
- Parque Natural Municipal Morro Estevão: trilhas ecológicas e mirante com vista panorâmica da cidade.
- Estádio Heriberto Hülse: casa do Criciúma Esporte Clube, o Tigre, símbolo esportivo da cidade.
- Festa das Etnias: evento cultural realizado há mais de duas décadas, celebra as origens italiana, alemã, polonesa, portuguesa, espanhola e africana.
A mesa italiana e a herança do Vêneto
A gastronomia acompanha a herança dos imigrantes italianos e as adaptações do sul catarinense. Cantinas familiares dominam o cardápio local.
- Polenta e galeto: prato símbolo da colonização italiana, servido em restaurantes tradicionais aos fins de semana.
- Massas artesanais: raviólis, tortéis e nhoques feitos com receitas passadas por gerações venezianas.
- Fortaia: omelete recheada de origem italiana, presença certa nas cantinas familiares mais antigas.
- Vinhos coloniais: produção artesanal em pequenas propriedades, herança direta dos primeiros colonos vindos do Vêneto.

Como chegar à Capital do Carvão
Criciúma fica a cerca de 190 km de Florianópolis pela BR-101 duplicada, com viagem de aproximadamente duas horas de carro. De Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, são cerca de 340 km pela mesma rodovia. A cidade é atendida pelo Aeroporto Diomício Freitas e pelo Aeroporto Regional de Jaguaruna, a cerca de 40 km. O Aeroporto Internacional Hercílio Luz, na capital catarinense, é a principal porta aérea nacional e internacional para a região.
A Capital do Carvão
Poucos destinos brasileiros combinam mais de 140 anos de herança italiana, uma virada econômica de porte mundial e o primeiro lugar nacional em cobertura de saúde primária em raio tão curto. Criciúma entrega indústria de peso, patrimônio cultural diverso e a proximidade do mar e da serra em uma rotina mais tranquila do que a das capitais do Sudeste.
Você precisa conhecer Criciúma e caminhar pela Praça Nereu Ramos para entender por que a Capital do Carvão virou uma das cidades mais desejadas do Sul do Brasil.




