Uma cratera vulcânica com cerca de 80 milhões de anos moldou o relevo em anel que abriga Poços de Caldas, no sul de Minas Gerais. Dessa geologia rara vieram as águas sulfurosas que brotam a 42°C, um teleférico de 1.500 metros e um complexo termal dos anos 1930 que já hospedou Getúlio Vargas e Carmen Miranda.
Uma cidade dentro de uma caldeira vulcânica
O relevo em forma de anel que cerca Poços de Caldas não é coincidência. A cidade se desenvolveu no interior de uma antiga caldeira vulcânica extinta há milhões de anos, o que explica as fontes minerais e sulfurosas que brotam do subsolo. As águas surgem a temperaturas entre 41°C e 42°C, com textura oleosa e odor característico do enxofre.
O nome veio por empréstimo. Quando as fontes foram descobertas no século 19, os colonos usaram como referência a cidade portuguesa de Caldas da Rainha, também famosa por seus poços termais. Poços de Caldas foi fundada em 1872 e virou uma das principais estâncias hidrominerais do país. Segundo o levantamento Firjan divulgado em 2025, o município liderou o ranking de desenvolvimento socioeconômico de Minas Gerais com índice de 0,8457.

O complexo termal dos anos 1930
No início do século 20, o governo mineiro decidiu transformar a cidade na estância hidromineral mais luxuosa das Américas. O projeto do arquiteto carioca Eduardo Pederneiras reuniu três construções icônicas: o Palace Hotel, o Palace Cassino e as Thermas Antônio Carlos. O primeiro foi inaugurado em 1930 junto com o cassino, e o balneário chegou no ano seguinte.
Descrito pela Companhia de Desenvolvimento de Minas Gerais (Codemge) como o primeiro estabelecimento termal do país a reunir tratamentos de saúde e bem-estar, o Thermas Antônio Carlos ainda funciona hoje com banhos de imersão sulfurosos. O Palace Hotel guarda vitrais em Art Deco, esculturas em mármore italiano e 193 apartamentos. Getúlio Vargas, Carmen Miranda, Grande Otelo e Juscelino Kubitschek foram hóspedes frequentes. Com a proibição dos jogos em 1946, o Palace Cassino virou centro cultural e de eventos.
O Cristo Redentor a 1.686 metros de altitude
No alto da Serra de São Domingos, um Cristo Redentor de 30 metros vigia a cidade a 1.686 metros de altitude. A estátua foi inaugurada em 13 de maio de 1958 com pedestal de 14 metros e imagem de 16 metros, pesando cerca de 500 toneladas. É considerado o segundo maior monumento do tipo no Brasil.
O caminho até o topo pode ser feito por trilha de 700 metros pela Mata Atlântica ou pelo teleférico, que sai do Parque José Affonso Junqueira no centro. Segundo a Prefeitura de Poços de Caldas, o teleférico tem 1.500 metros de extensão, o maior do país, e a subida dura cerca de 8 minutos com vista panorâmica da cratera vulcânica.
O que fazer no centro histórico?
O núcleo de Poços de Caldas concentra praças arborizadas, fontes sulfurosas de acesso público e boa parte da arquitetura dos anos 1930. Muitas atrações podem ser feitas a pé em meio período.
- Praça Pedro Sanches: coração da cidade com fontes de água termal ao ar livre e chafariz iluminado à noite.
- Praça Dom Pedro II: também conhecida como Praça dos Macacos, tem bicas de água sulfurosa e o Balneário Dr. Mário Mourão anexo.
- Parque José Affonso Junqueira: jardim francês com coreto centenário, ponto de partida do teleférico.
- Cristais São Marcos e Cristais Cá D’Oro: fábricas centenárias que produzem peças em técnica italiana herdada da Ilha de Murano, tradição local desde as primeiras décadas do século 20.
- Recanto Japonês: jardim inaugurado nos anos 1970 com portal torii, pontes e pagode em homenagem à imigração japonesa.
- Monumento do Calendário Floral: relógio de flores que atualiza a data a cada 24 horas, no centro da cidade.
A primeira hidrelétrica do país nasceu aqui
A Cascata das Antas guarda um pedaço da história elétrica brasileira. Ao lado da queda d’água, restaram as ruínas de uma usina hidrelétrica inaugurada em 1898, uma das pioneiras na geração de energia elétrica no país, que alimentava 150 lâmpadas de rua na Poços de Caldas do fim do século 19. O local fica a cerca de 13 minutos do centro e tem entrada gratuita. Nas proximidades, o Véu das Noivas reúne três cachoeiras em sequência e a Pedra Balão, na Serra de São Domingos, é um conjunto rochoso de cerca de 10 metros de altura formado por erosão.

A gastronomia serrana
A altitude e o frio do sul de Minas moldaram a mesa. Fondues, chocolates artesanais e o clássico feijão tropeiro dividem espaço com os cafés das cafeterias centrais.
- Feijão tropeiro: prato do sul de Minas com feijão, torresmo, ovos e couve refogada, servido em restaurantes tradicionais.
- Frango com quiabo: receita mineira que ganha versões especiais nas cantinas familiares da cidade.
- Fondue de queijo e chocolate: parada obrigatória nos meses frios, com casas especializadas no bairro Jardim dos Estados.
- Chocolate artesanal: produzido por fábricas locais como Torto Doceria e outras marcas caseiras que abastecem o centro turístico.
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Como é o clima em Poços de Caldas durante o ano?
A cidade fica a cerca de 1.200 metros de altitude no anel da caldeira, o que garante um dos climas mais amenos de Minas. O inverno é a alta temporada, com noites frias e possibilidade de mínimas abaixo de 5°C. O verão traz chuvas fortes de tarde.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.

Como chegar a Poços de Caldas?
A cidade fica a 470 km de Belo Horizonte pela BR-381 e a cerca de 260 km de São Paulo. O acesso mais rápido é pela Rodovia Anhanguera e depois pela SP-344. O Aeroporto de Viracopos, em Campinas, fica a 170 km e é o mais próximo com voos comerciais. Ônibus intermunicipais saem regularmente de São Paulo, Campinas e Belo Horizonte.
Vá conhecer a estância dentro do vulcão
Poços de Caldas é o tipo de destino que sobrepõe camadas raras. Águas sulfurosas de origem vulcânica, arquitetura Art Deco dos anos 1930, um Cristo de 500 toneladas na serra e as ruínas da primeira hidrelétrica do país num só passeio.
Você precisa mergulhar nas águas de 42°C das Thermas e entender por que essa cidade dentro de um vulcão extinto virou a estância hidromineral mais tradicional do Brasil.




