Foi na Fazenda São Paulo, em 1803, que nasceu Luís Alves de Lima e Silva, militar que mais tarde receberia o título de Duque de Caxias e seria escolhido como patrono do Exército Brasileiro. Mais de 200 anos depois, o município que homenageia seu nome se transformou em um dos principais centros urbanos da Baixada Fluminense, reunindo uma das maiores refinarias do país, um teatro concebido por Oscar Niemeyer e áreas de Mata Atlântica que permanecem próximas de uma população superior a 800 mil habitantes.
O que fez Duque de Caxias ganhar importância na Baixada Fluminense?
A história de Duque de Caxias começou a se desenhar ainda no período colonial, quando caminhos utilizados para transportar o ouro vindo de Minas Gerais atravessavam a região. Situado a aproximadamente 20 km do Rio de Janeiro, o território também se desenvolveu ao redor dos rios Iguaçu e Sarapuí e de construções históricas como a Igreja Nossa Senhora do Pilar, que ajudam a explicar a ocupação iniciada no século XVIII.
Já durante o século XX, a chegada de grandes empreendimentos ligados ao setor energético e a expansão da malha ferroviária mudaram completamente o perfil do município. O resultado é uma cidade com mais de 800 mil moradores e forte peso econômico, incluindo a presença de uma das maiores refinarias do país, mas que também conserva equipamentos culturais e trechos de Mata Atlântica, formando uma paisagem urbana marcada pela convivência entre passado colonial, indústria e áreas naturais.

Como é a rotina em uma das maiores economias da Baixada?
Com cerca de 808 mil habitantes, Duque de Caxias ocupa a terceira posição entre os municípios mais populosos do Rio de Janeiro, conforme o IBGE, considerando o Censo 2022. O município registra PIB per capita de R$ 86.700, acima da média estadual, e tem na Refinaria de Duque de Caxias (REDUC) um dos principais motores dessa estrutura. Em funcionamento desde os anos 1960, a unidade está entre as maiores do sistema Petrobras e representa uma parcela significativa do processamento nacional de gás natural.
A presença da refinaria também ajudou a formar um amplo setor produtivo, atualmente composto por aproximadamente 810 indústrias e 10 mil estabelecimentos comerciais. A proximidade com a capital amplia essa força: Duque de Caxias está a apenas 17 km do centro do Rio, com ligação pela Rodovia Washington Luís (BR-040) e pelo Arco Metropolitano, além de ficar próxima ao Aeroporto Tom Jobim. Em 2021, a Firjan colocou o município no primeiro lugar entre os exportadores do estado. Por outro lado, questões como saneamento, mobilidade e segurança continuam exigindo investimentos e melhorias na infraestrutura pública.
Onde estão as áreas verdes escondidas pela paisagem industrial?
A imagem de um município dominado por fábricas não conta toda a história de Duque de Caxias. Mais da metade do território é formada por áreas verdes, especialmente nos distritos de Imbariê e Xerém, onde trechos preservados de Mata Atlântica se espalham pelo sopé da Serra dos Órgãos. Cachoeiras, trilhas e animais silvestres aparecem nesse outro lado da cidade.
- Parque Natural Municipal da Taquara: são 20,8 hectares de vegetação, com trilhas ecológicas, cachoeiras e lagos. O espaço também abriga o mico-leão-dourado, espécie redescoberta na região em 2006. A visitação ocorre de terça a domingo, das 8h às 16h.
- Centro Cultural Oscar Niemeyer: localizado na Praça do Pacificador, o complexo reúne o Teatro Municipal Raul Cortez, aberto em 2006 e com capacidade para 440 pessoas, além da Biblioteca Municipal. O formato “Boca pra Fora” permite que o palco seja utilizado também para apresentações ao ar livre voltadas para a praça.
- Museu Ciência e Vida: abriga o único planetário de cúpula fixa da Baixada Fluminense, além de exposições interativas dedicadas a temas como física e astronomia.
- Museu Histórico de Duque de Caxias: instalado na antiga Fazenda São Paulo, local de nascimento do Pacificador, reúne objetos como armas antigas e utensílios domésticos, além de exposições sobre a ocupação do território.
- Quadra da Grande Rio: sede de uma das escolas de samba mais tradicionais do carnaval carioca, recebe ensaios e eventos que movimentam o espaço e atraem milhares de visitantes.

Feira de domingo e sabores da Baixada
A tradicional feira livre do centro, realizada aos domingos nas ruas José de Alvarenga e Nilo Peçanha, é uma das maiores do estado. Barraqueiros vendem de tudo: frutas, temperos, roupas, eletrônicos e comida de rua preparada na hora.
- Comida de feira: pastel de camarão, espetinho, caldos e tapioca dividem espaço com açaí servido em tigelas generosas.
- Gastronomia de Xerém: restaurantes do distrito servem pratos caseiros com ingredientes da roça, aproveitando a proximidade com a serra.
- Samba e boteco: Xerém é reduto de lendas do samba carioca e mantém bares com roda ao vivo nos fins de semana.
Como chegar à maior economia da Baixada?
Duque de Caxias fica a 17 km do centro do Rio de Janeiro pela Avenida Brasil ou pela Linha Vermelha. A BR-040 (Washington Luís) corta o município e conecta a cidade a Petrópolis e Juiz de Fora. Trens da SuperVia ligam o centro de Caxias à Central do Brasil em cerca de 40 minutos. O Aeroporto Tom Jobim (Galeão) fica a menos de 20 km.
A cidade que move o estado sem parar
Duque de Caxias carrega o peso de um PIB bilionário e os desafios de uma metrópole em constante transformação. Entre a refinaria e a cachoeira, entre a feira de domingo e o teatro de Niemeyer, a cidade mostra que a Baixada Fluminense é muito mais do que o noticiário costuma contar.
Você precisa cruzar a ponte sobre o Meriti, subir até a Taquara para mergulhar numa cachoeira de Mata Atlântica e voltar a tempo de assistir a um espetáculo na Praça do Pacificador para entender o que Duque de Caxias realmente é.




