A aproximadamente 95 km do Rio de Janeiro, Teresópolis ocupa uma posição privilegiada na Serra dos Órgãos, onde a temperatura média de 17°C acompanha uma paisagem marcada por montanhas e formações rochosas. O município abriga o terceiro parque nacional mais antigo do país, soma mais de 200 km de trilhas e tem como um de seus principais símbolos o Dedo de Deus, formação que também aparece na bandeira fluminense. Conhecida como “Terê”, a cidade recebeu o título de Capital do Montanhismo e, desde 2022, também é reconhecida como Capital Nacional do Lúpulo.
Como cinco moradores com cordas de sisal ajudaram a criar o montanhismo brasileiro?
A história de Teresópolis está ligada à família imperial desde o próprio nome, uma homenagem à imperatriz Teresa Cristina, esposa de Dom Pedro II, que costumava subir a serra para escapar das altas temperaturas da capital. Enquanto Petrópolis recebeu o nome associado ao imperador, o município ficou ligado ao da imperatriz. Antes de se consolidar como cidade serrana, a região já era utilizada na primeira metade do século XIX como passagem para o transporte de ouro entre Minas Gerais e a Baía de Guanabara.
Um episódio ocorrido em 3 de abril de 1912 mudaria para sempre a relação do município com as montanhas. Naquele dia, o ferreiro José Teixeira Guimarães, o caçador Raul Carneiro e os irmãos Acácio, Alexandre e Américo de Oliveira iniciaram a subida do Dedo de Deus, levando apenas cordas de sisal e bambus para alcançar os 1.692 metros do cume. Seis dias depois, o grupo conseguiu chegar ao topo e fincou a bandeira brasileira. O ICMBio considera a conquista um marco do início do montanhismo organizado no Brasil, enquanto a silhueta da própria montanha se tornou parte da bandeira do estado do Rio de Janeiro.

Quais trilhas e montanhas conhecer no Parque Nacional da Serra dos Órgãos?
Criado em 1939, o Parque Nacional da Serra dos Órgãos (PARNASO) ocupa um lugar histórico entre as unidades de conservação brasileiras, sendo o terceiro parque nacional mais antigo do país. De acordo com o ICMBio, mais de 200 mil pessoas visitam o parque todos os anos. A própria origem do nome da serra está relacionada ao formato de suas montanhas, que lembra os tubos de um órgão de catedral, enquanto a rede de trilhas ultrapassa 200 km e inclui desde caminhos com estruturas acessíveis até a exigente Travessia Petrópolis-Teresópolis, com 30 km de subidas e descidas pelo alto da serra.
- Dedo de Deus: com 1.692 metros, é uma das montanhas mais fotografadas do Rio de Janeiro. A subida exige escalada técnica e é indicada apenas para montanhistas experientes acompanhados por guia.
- Pedra do Sino: alcança 2.275 metros e representa o ponto mais alto da Serra dos Órgãos. A caminhada leva aproximadamente 6 horas e, em condições de céu aberto, permite avistar a Baía de Guanabara.
- Trilha Cartão Postal: percurso moderado de 1.200 metros, com um mirante voltado para o Dedo de Deus e outras montanhas da região.
- Trilha Suspensa: possui 1.300 metros sobre uma estrutura de madeira e pode ser percorrida por pessoas de diferentes idades, inclusive cadeirantes.
- Poço Dois Irmãos: piscina natural cercada pela Mata Atlântica, localizada dentro da área do parque e procurada por quem deseja combinar caminhada e contato com a água.
Onde conseguir as melhores vistas de Teresópolis?
Na entrada de Teresópolis, o Mirante do Soberbo ocupa uma posição estratégica junto à BR-116, próximo ao trevo de acesso e à estátua da imperatriz Teresa Cristina. Quando as condições climáticas favorecem a visibilidade, o cenário inclui o Dedo de Deus, o Escalandravo, o Dedinho de Nossa Senhora e, mais distante, a Baía de Guanabara e o Pão de Açúcar. O local se tornou um dos pontos mais procurados para fotografar a cidade e costuma registrar movimento intenso nos fins de semana, especialmente em torno dos melhores pontos para enquadrar as montanhas.
A paisagem também pode ser observada de outros pontos da cidade. Na Colina dos Mirantes, um panorama de 360 graus reúne as montanhas ao redor e divide espaço com teleférico, parque de diversões e opções gastronômicas. Já a Granja Comary, onde funciona o centro de treinamento da Seleção Brasileira de Futebol, combina um lago artificial com uma vista privilegiada da serra. O acesso ao entorno é livre, embora as instalações da CBF tenham entrada restrita.

Cerveja de lúpulo local e fondue na serra
Teresópolis é a única cidade brasileira que produz lúpulo com certificação de origem reconhecida pelo Ministério da Agricultura. O Viveiro Ninkasi foi o primeiro do país autorizado a comercializar mudas da planta. Esse pioneirismo alimenta um circuito cervejeiro que cresce a cada ano, com cervejarias como a Sankt Gallen, instalada numa vila de arquitetura germânica com jardins e capela, e a Cervejaria Teresópolis, parte da Rota Cervejeira do Rio de Janeiro.
A gastronomia do bairro Alto mistura influências suíças, alemãs e italianas: fondue, truta fresca, cafés coloniais e doces artesanais. A Feirinha do Alto (Feirarte), que existe desde 1983, reúne mais de 700 barracas aos fins de semana com artesanato, roupas de lã, chocolates, licores e praça de alimentação. A arquitetura da praça resgata a antiga estação de trem da cidade.
Como chegar à cidade da imperatriz
Teresópolis fica a 95 km do Rio de Janeiro pela BR-116 (Rodovia Rio-Teresópolis), cerca de 1h30 sem trânsito. Ônibus partem da Rodoviária Novo Rio de hora em hora. Petrópolis está a 58 km pela BR-495, e Nova Friburgo a 68 km pela RJ-130 (Circuito Tere-Fri), uma estrada de 68 km dentro da Mata Atlântica que conecta as duas cidades serranas. O aeroporto mais próximo é o Galeão, a 88 km.
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Suba a serra e toque o Dedo de Deus com os olhos
Teresópolis é a cidade onde cinco moradores com cordas de sisal inauguraram o montanhismo brasileiro, onde a cerveja é feita com lúpulo colhido na serra e onde a bandeira do estado ganha forma de pedra a 1.692 metros de altitude. O parque nacional tem trilha para cadeirante e travessia de 30 km, a feira tem 700 barracas e a temperatura raramente passa dos 27°C.
Você precisa parar no Mirante do Soberbo no fim da tarde, esperar o céu limpar e ver o Dedo de Deus recortado contra a luz, para entender por que a imperatriz Teresa Cristina escolheu essa serra para descansar.




