Poucos lugares no Brasil transformam um mês inteiro em festa. Todo junho, Campina Grande, no agreste da Paraíba, se enche de fogueira, milho e forró para realizar o que chama de O Maior São João do Mundo. Fora da temporada junina, a cidade mostra outra face, a de polo universitário e tecnológico a cerca de 550 metros de altitude.
Por que o São João de Campina Grande é tão grande?
A festa cresceu até virar marca registrada da cidade. O Maior São João do Mundo concentra suas atrações no Parque do Povo e se estende por mais de 30 dias, com quadrilhas, shows de forró e comidas típicas. Em 2026, a celebração vai de 3 de junho a 5 de julho, em sua 43ª edição, somando 33 dias de programação.
O slogan tem origem conhecida: segundo registros históricos da festa, a expressão O Maior São João do Mundo foi idealizada em 1983, na gestão do então prefeito Ronaldo Cunha Lima. A grandiosidade do evento alimenta uma disputa simbólica com Caruaru, em Pernambuco, pelo posto de maior festa junina do país, e o Ministério do Turismo aponta Campina Grande entre os destinos juninos mais procurados do Brasil.

Por que Campina Grande é chamada de vale do silício do Nordeste?
Fora de junho, a cidade troca o forró pela inovação. Campina Grande é reconhecida como um dos principais polos tecnológicos do interior nordestino, resultado do investimento em ensino superior e pesquisa, sobretudo nas áreas de computação e engenharia.
O motor desse ecossistema são as universidades. A cidade abriga a Universidade Federal de Campina Grande (UFCG) e a Universidade Estadual da Paraíba (UEPB), que formam profissionais e atraem empresas de software, rendendo à cidade o apelido popular de vale do silício brasileiro. Essa vocação acadêmica também explica outro de seus nomes, o de cidade universitária, no coração do Planalto da Borborema.
O que fazer em Campina Grande fora do São João?
A Rainha da Borborema reserva atrações o ano inteiro, boa parte delas reunida em torno de seu cartão-postal mais conhecido. O centro concentra museus, monumentos e espaços de lazer fáceis de percorrer a pé.
O que se come na Rainha da Borborema?
A mesa de Campina Grande traduz a cozinha do agreste, com destaque para um prato que virou símbolo da cidade. A carne de sol aparece em boa parte dos cardápios, acompanhada de sabores típicos do Nordeste.
- Carne de sol na nata: a especialidade local, servida macia com nata e acompanhamentos, parada obrigatória nos bares do Açude Velho.
- Cuscuz: feito de milho, presença forte no café da manhã e nos pratos do dia a dia campinense.
- Comidas juninas: canjica, pamonha, bolo de milho e pé de moleque ganham as ruas no período do São João.
- Tapioca e queijo coalho: clássicos da culinária nordestina, encontrados em feiras e barracas.

Como é o clima de Campina Grande ao longo do ano?
A altitude é a chave do clima. Situada no Planalto da Borborema, Campina Grande tem clima tropical de altitude, com temperaturas mais amenas do que o litoral paraibano e noites frescas, sobretudo no período junino.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
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Como chegar a Campina Grande?
A cidade é bem conectada ao litoral e às capitais vizinhas. Fica a cerca de 130 km de João Pessoa, com ligação pela BR-230, e a pouco mais de duas horas de Recife, acessível pela BR-104 e pela BR-230.
Quem prefere voar pode desembarcar no Aeroporto de Campina Grande, que opera voos regionais, ou no Aeroporto Internacional de João Pessoa, seguindo o último trecho por rodovia. No período junino, a procura por hospedagem dispara, então convém reservar com antecedência.
A Rainha da Borborema entre a tradição e o futuro
Campina Grande equilibra duas almas que raramente convivem no mesmo lugar, a do forró que toma o Parque do Povo em junho e a dos laboratórios que fazem da cidade um centro de tecnologia do Nordeste. Entre o Açude Velho, os museus e o clima ameno do agreste, a Rainha da Borborema tem o que oferecer o ano inteiro.
Você precisa subir a Borborema e sentir Campina Grande de perto, seja no frio de junho com cheiro de milho, seja numa tarde qualquer à beira do Açude Velho.




