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Início Cidades

A cidade do agreste que vira capital do forró por 33 dias e ainda é chamada de vale do silício do Nordeste

Por Maura Pereira
10/10/2026
Em Cidades, Turismo
Essa cidade do Nordeste é dona do Maior São João do Mundo e acaba conquistando qualquer um pela arquitetura e gastronomia

Uma cidade alegre com parques, museus e eventos que celebram a tradição nordestina. // Créditos: depositphotos.com / contato@caciomurilo.com.br

Poucos lugares no Brasil transformam um mês inteiro em festa. Todo junho, Campina Grande, no agreste da Paraíba, se enche de fogueira, milho e forró para realizar o que chama de O Maior São João do Mundo. Fora da temporada junina, a cidade mostra outra face, a de polo universitário e tecnológico a cerca de 550 metros de altitude.

Por que o São João de Campina Grande é tão grande?

A festa cresceu até virar marca registrada da cidade. O Maior São João do Mundo concentra suas atrações no Parque do Povo e se estende por mais de 30 dias, com quadrilhas, shows de forró e comidas típicas. Em 2026, a celebração vai de 3 de junho a 5 de julho, em sua 43ª edição, somando 33 dias de programação.

O slogan tem origem conhecida: segundo registros históricos da festa, a expressão O Maior São João do Mundo foi idealizada em 1983, na gestão do então prefeito Ronaldo Cunha Lima. A grandiosidade do evento alimenta uma disputa simbólica com Caruaru, em Pernambuco, pelo posto de maior festa junina do país, e o Ministério do Turismo aponta Campina Grande entre os destinos juninos mais procurados do Brasil.

Essa cidade do Nordeste é dona do Maior São João do Mundo e acaba conquistando qualquer um pela arquitetura e gastronomia
Conheça Campina Grande, um polo de inovação, cultura vibrante e tradição nordestina. // Créditos: depositphotos.com / contato@caciomurilo.com.br

Por que Campina Grande é chamada de vale do silício do Nordeste?

Fora de junho, a cidade troca o forró pela inovação. Campina Grande é reconhecida como um dos principais polos tecnológicos do interior nordestino, resultado do investimento em ensino superior e pesquisa, sobretudo nas áreas de computação e engenharia.

O motor desse ecossistema são as universidades. A cidade abriga a Universidade Federal de Campina Grande (UFCG) e a Universidade Estadual da Paraíba (UEPB), que formam profissionais e atraem empresas de software, rendendo à cidade o apelido popular de vale do silício brasileiro. Essa vocação acadêmica também explica outro de seus nomes, o de cidade universitária, no coração do Planalto da Borborema.

O que fazer em Campina Grande fora do São João?

A Rainha da Borborema reserva atrações o ano inteiro, boa parte delas reunida em torno de seu cartão-postal mais conhecido. O centro concentra museus, monumentos e espaços de lazer fáceis de percorrer a pé.

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1
Açude Velho O principal cartão-postal da cidade, um lago urbano com calçadão, ciclovia e as estátuas de Luiz Gonzaga e Jackson do Pandeiro às margens. Ideal para o fim de tarde.
2
Museu de Arte Popular da Paraíba Projetado por Oscar Niemeyer e apelidado de Museu dos Três Pandeiros, celebra o artesanato e a cultura popular do agreste à beira do Açude Velho.
3
Museu de Arte Assis Chateaubriand Aberto em 1967 e administrado pela UEPB, reúne obras de artistas do modernismo brasileiro em um dos acervos mais importantes do interior.
4
Parque do Povo Palco do Maior São João do Mundo, vale a visita mesmo fora de junho para entender a escala da festa e conhecer a famosa Pirâmide do complexo.
5
Museu do Algodão Resgata o ciclo do algodão que fez de Campina Grande um centro comercial do Nordeste no século XIX, origem da riqueza histórica da cidade.

O que se come na Rainha da Borborema?

A mesa de Campina Grande traduz a cozinha do agreste, com destaque para um prato que virou símbolo da cidade. A carne de sol aparece em boa parte dos cardápios, acompanhada de sabores típicos do Nordeste.

  • Carne de sol na nata: a especialidade local, servida macia com nata e acompanhamentos, parada obrigatória nos bares do Açude Velho.
  • Cuscuz: feito de milho, presença forte no café da manhã e nos pratos do dia a dia campinense.
  • Comidas juninas: canjica, pamonha, bolo de milho e pé de moleque ganham as ruas no período do São João.
  • Tapioca e queijo coalho: clássicos da culinária nordestina, encontrados em feiras e barracas.
Essa cidade do Nordeste é dona do Maior São João do Mundo e acaba conquistando qualquer um pela arquitetura e gastronomia
Campina Grande destaca-se pelo maior número proporcional de doutores no Brasil e eventos culturais como o São João.// Créditos: depositphotos.com / contato@caciomurilo.com.br

Como é o clima de Campina Grande ao longo do ano?

A altitude é a chave do clima. Situada no Planalto da Borborema, Campina Grande tem clima tropical de altitude, com temperaturas mais amenas do que o litoral paraibano e noites frescas, sobretudo no período junino.

☀️ Verão Dez-Fev
Média: 21-31°C
Chuva: Baixa
Dias quentes e secos, bons para o Açude Velho.
🍂 Outono Mar-Mai
Média: 20-29°C
Chuva: Média
Começo das chuvas e clima agradável para museus.
❄️ Inverno Jun-Ago
Média: 18-27°C
Chuva: Média
Noites frescas e o auge do Maior São João do Mundo.
🌸 Primavera Set-Nov
Média: 20-30°C
Chuva: Baixa
Tempo seco, bom para caminhadas e vida ao ar livre.
💡 Dica do especialista: para viver a festa, junho é insubstituível, com o Parque do Povo a pleno vapor e noites frescas. Quem busca tranquilidade encontra clima ameno e museus vazios no restante do ano, especialmente entre setembro e fevereiro.

Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.

Leia também: A “Pequena Londres” brasileira que surgiu depois que ingleses se encantaram com as terras do Paraná.

Como chegar a Campina Grande?

A cidade é bem conectada ao litoral e às capitais vizinhas. Fica a cerca de 130 km de João Pessoa, com ligação pela BR-230, e a pouco mais de duas horas de Recife, acessível pela BR-104 e pela BR-230.

Quem prefere voar pode desembarcar no Aeroporto de Campina Grande, que opera voos regionais, ou no Aeroporto Internacional de João Pessoa, seguindo o último trecho por rodovia. No período junino, a procura por hospedagem dispara, então convém reservar com antecedência.

A Rainha da Borborema entre a tradição e o futuro

Campina Grande equilibra duas almas que raramente convivem no mesmo lugar, a do forró que toma o Parque do Povo em junho e a dos laboratórios que fazem da cidade um centro de tecnologia do Nordeste. Entre o Açude Velho, os museus e o clima ameno do agreste, a Rainha da Borborema tem o que oferecer o ano inteiro.

Você precisa subir a Borborema e sentir Campina Grande de perto, seja no frio de junho com cheiro de milho, seja numa tarde qualquer à beira do Açude Velho.

Tags: campina grandeParaíba
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