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Início Cidades

A cidade do Nordeste com quase 500 anos que preserva heranças portuguesas e atrai turistas o ano inteiro

Por Maura Pereira
25/06/2026
Em Cidades, Turismo
Fundada em 1535, essa cidade do Nordeste chama atenção pelo clima tropical, praias e arquitetura portuguesa preservada

Explorar este museu a céu aberto é mergulhar em séculos de história brasileira preservada entre casarios coloridos e igrejas monumentais. / Imagem ilustrativa

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Fundada em 1535 por Duarte Coelho Pereira, Olinda foi a primeira cidade brasileira reconhecida como Patrimônio Mundial pela UNESCO. O município na região do Nordeste reúne casarões coloridos, igrejas barrocas e ladeiras de pedra em um centro histórico compacto de apenas 1,2 km², formando um dos conjuntos urbanos coloniais mais importantes do país.

Como Olinda se tornou um dos maiores centros coloniais do Brasil?

A escolha do local onde surgiria Olinda não foi aleatória. Os portugueses decidiram instalar a capital da capitania no ponto mais elevado do litoral pernambucano, permitindo ampla visão da costa e facilitando a defesa contra possíveis invasões marítimas. Do atual Alto da Sé, era possível monitorar a chegada de embarcações e proteger a região estratégica.

Impulsionada pela economia da cana-de-açúcar, a cidade se transformou, entre os séculos XVI e XVII, no principal centro colonial do Nordeste. Em 1631, durante as invasões holandesas, Olinda foi saqueada e incendiada, mas acabou reconstruída ao longo do século seguinte, preservando boa parte do traçado urbano que ainda caracteriza suas ruas e monumentos históricos.

A cidade brasileira histórica que encanta com sua arquitetura portuguesa preservada e clima tropical
Viva a energia cultural de Olinda, onde o frevo e o maracatu animam o famoso Carnaval. // Créditos: depositphotos.com / fredpinheiro.hotmail.com.br

Por que Olinda entrou no mapa da UNESCO?

O centro histórico reúne cerca de 1.500 imóveis em uma área de 1,2 km², segundo o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN). Casarões coloniais do século XVI convivem com fachadas de azulejos dos séculos XVIII e XIX e obras neoclássicas do início do XX.

A cidade foi tombada pelo IPHAN em 1968 e declarada Monumento Nacional pela Lei 6.863 em 1980. Em 1982, recebeu o reconhecimento da UNESCO como Patrimônio Mundial Cultural, sendo o segundo centro histórico brasileiro com o título, logo depois de Ouro Preto.

O vídeo é do canal Tesouros do Brasil, que conta com 143 mil inscritos, e oferece um guia sobre o que fazer e onde comer na cidade:

O que visitar nas ladeiras do centro histórico?

Quase tudo se faz a pé. As distâncias entre os pontos principais são curtas, mas o relevo acidentado exige calçado confortável.

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  • Alto da Sé: mirante natural com vista do litoral pernambucano e de Recife ao fundo, ponto de partida para os passeios.
  • Catedral da Sé: a primeira igreja foi erguida em taipa em 1540, a construção atual é fruto de várias reformas ao longo dos séculos.
  • Igreja de Nossa Senhora do Carmo: construída em 1580 em estilo barroco, restaurada pelo IPHAN e reaberta ao público em 2012.
  • Mosteiro de São Bento: abriga um retábulo de ouro do século XVII e apresenta cantos gregorianos aos domingos.
  • Casa dos Bonecos Gigantes: exposição permanente das figuras que desfilam no carnaval, incluindo réplicas em miniatura.
  • Mercado da Ribeira: antigo mercado de escravizados que hoje funciona como centro de artesanato local.

O que torna os bonecos gigantes um dos símbolos do Carnaval de Olinda?

Entre as tradições mais marcantes do Carnaval de Olinda, os famosos bonecos gigantes ocupam lugar de destaque. O mais antigo deles é o Homem da Meia-Noite, personagem que se tornou um dos maiores símbolos da festa popular pernambucana. Segundo a Secretaria de Cultura de Pernambuco, o boneco desfilou pela primeira vez em 2 de fevereiro de 1932, data dedicada a Iemanjá, e desde então mantém viva uma das tradições mais emblemáticas do carnaval brasileiro.

Com cerca de quatro metros de altura, vestido com fraque, cartola e ostentando um característico dente de ouro, o Homem da Meia-Noite é responsável por abrir oficialmente o Carnaval de Olinda na meia-noite do sábado de folia. Ao longo das décadas, surgiram novos personagens, como a Mulher do Dia e o Menino da Tarde, ampliando a tradição. Atualmente, mais de 50 bonecos gigantes participam do tradicional Encontro dos Bonecos Gigantes, realizado na terça-feira de Carnaval e considerado um dos momentos mais aguardados da festa.

A cidade brasileira histórica que encanta com sua arquitetura portuguesa preservada e clima tropical
Olinda, PE encanta com seu centro histórico, ruas coloridas e patrimônio cultural único no Nordeste. // Créditos: depositphotos.com / contato@caciomurilo.com.br

O que comer entre uma ladeira e outra?

A cozinha olindense mistura raízes portuguesas, africanas e indígenas. Os bares e restaurantes do centro histórico servem pratos que combinam bem com a caminhada entre ladeiras.

  • Tapioca do Alto da Sé: vendida nas barracas do mirante, recheada com queijo coalho, carne de sol ou coco ralado.
  • Bolo de rolo: doce pernambucano com massa finíssima enrolada com goiabada derretida.
  • Carne de sol com macaxeira: carne salgada e seca ao sol, acompanhada de mandioca cozida e manteiga de garrafa.
  • Caldinho de feijão: porção pequena servida no meio da tarde nos bares da cidade.
  • Siri catado: preparado com leite de coco, servido em casquinhas ou em pastéis.

Leia também: A única cidade do Brasil declarada Capital Nacional da Literatura por lei federal fica no norte gaúcho.

Qual a melhor época para visitar a cidade patrimônio?

O clima é quente e úmido o ano inteiro, com maior volume de chuva entre março e julho. O carnaval acontece em fevereiro ou março, e exige reserva de hospedagem com meses de antecedência.

☀️ Verão
Dez – Fev
24-30°C
Média
Com o tempo seco e ensolarado, a cidade ferve com o Carnaval e os dias perfeitos para curtir as praias próximas da região.
🎉 Folia & Sol
🍂 Outono
Mar – Mai
23-29°C
Média
O aumento das chuvas convida a roteiros culturais protegidos; aproveite para visitar museus e igrejas históricas cobertas.
⛪ História
🧣 Inverno
Jun – Ago
22-28°C
Média
Mesmo com chuvas persistentes, as temperaturas são amenas, ideais para explorar a gastronomia local e espetáculos nos teatros.
🎭 Arte & Sabor
🌸 Primavera
Set – Nov
24-30°C
Média
Com a volta do tempo firme, o programa clássico é caminhar pelas ladeiras ao entardecer, apreciando a luz dourada da estação.
🌅 Caminhadas

Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.

Como chegar à cidade alta?

Olinda está localizada a apenas 9 km do Aeroporto Internacional do Recife/Guararapes – Gilberto Freyre, distância que pode ser percorrida em cerca de 30 minutos de carro, dependendo das condições do trânsito. A proximidade com a capital pernambucana facilita bastante o acesso ao município, tornando-o um dos destinos históricos mais acessíveis do Nordeste.

Por estar integrada à região metropolitana, muitos turistas optam por se hospedar em Recife e realizar passeios de um dia até Olinda utilizando táxi, aplicativos de transporte ou linhas regulares de ônibus. A curta distância entre as duas cidades permite deslocamentos rápidos e torna possível combinar atrações dos dois destinos no mesmo roteiro.

Onde parte da história do Brasil foi preservada

Poucas cidades brasileiras concentram tamanha riqueza histórica e cultural em um espaço tão reduzido. Em apenas 1,2 km², Olinda reúne igrejas barrocas, casarões coloniais, ateliês de artistas e manifestações culturais que atravessam séculos, oferecendo ao visitante uma verdadeira imersão na formação histórica do país.

Caminhar pelas ladeiras de pedra é percorrer quase cinco séculos de história em poucas horas. Entre o som do frevo, os tradicionais bonecos gigantes e os monumentos históricos espalhados pelo centro, Olinda preserva uma atmosfera única, onde passado e presente convivem de forma intensa e permanente.

Tags: NordesteolindaPernambuco
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