Quando os ipês começam a florescer, Goiânia muda completamente de aparência. Entre junho e setembro, o amarelo, o rosa e outras cores tomam conta das ruas de uma capital que acumula cerca de 80 mil ipês, além de 70 parques e mais de 1 milhão de árvores. Não por acaso, a cidade recebeu o título de “Cidade Árvore do Mundo” e se destaca pela presença da natureza em pleno Cerrado.
Como Goiânia se tornou uma das capitais mais arborizadas do Brasil?
O reconhecimento internacional veio em 2023, quando Goiânia entrou para a lista Tree Cities of the World, iniciativa da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) realizada em parceria com a Arbor Day Foundation. A certificação contempla cidades que desenvolvem políticas permanentes para cuidar e administrar suas áreas verdes urbanas de maneira sustentável.
Por trás desse resultado está também o trabalho da Agência Municipal do Meio Ambiente (Amma), que possui uma Gerência de Arborização Urbana voltada a ações como plantio, poda e renovação das espécies presentes na cidade. A iniciativa inclui a substituição de árvores exóticas por exemplares nativos do Cerrado, como ipês, pau-ferro e pata-de-vaca. Os números do Censo 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) reforçam essa característica: 89,6% dos domicílios estão em vias arborizadas, colocando Goiânia na segunda posição entre as capitais brasileiras, atrás somente de Campo Grande.

Como Goiânia surgiu e se transformou em uma capital planejada?
A história de Goiânia começou oficialmente em 24 de outubro de 1933, quando Pedro Ludovico Teixeira, interventor nomeado por Getúlio Vargas após a Revolução de 1930, fundou a nova capital. O primeiro projeto urbanístico foi elaborado pelo arquiteto Attilio Corrêa Lima e posteriormente reformulado por Armando de Godoy, que trouxe para o planejamento referências do conceito de cidades-jardim.
O nome da capital também poderia ter sido outro. Em um concurso promovido pelo jornal O Social em 1933, “Petrônia” ficou à frente de “Goiânia” na votação, conforme registra a Casa Civil de Goiás. Mesmo assim, Pedro Ludovico optou por Goiânia e oficializou a escolha por meio de decreto em 2 de agosto de 1935. Décadas depois, o desenho urbano em formato de cruz ainda pode ser percebido no Centro, enquanto construções em estilo Art Déco, como o Palácio das Esmeraldas, o Teatro Goiânia e o antigo Grande Hotel, preservam um patrimônio tombado que está entre os maiores conjuntos desse estilo na América Latina.
O que visitar na capital do Cerrado?
Os 70 parques da cidade são o principal convite ao turista. A maioria fica a poucos minutos do Centro e funciona como ponto de encontro entre moradores e visitantes.
- Parque Flamboyant: ao lado do Jardim Goiás, reúne dois lagos, pista de caminhada e feira orgânica aos sábados pela manhã.
- Bosque dos Buritis: o parque mais antigo da cidade, no Setor Oeste, tem três lagos e fauna do Cerrado circulando entre os buritis centenários.
- Parque Vaca Brava: 79.800 m² de área verde no Setor Bueno, com lago central, pistas de caminhada e pequena mata nativa.
- Lago das Rosas: inaugurado nos anos 1940, abriga o Parque Zoológico de Goiânia e é um dos cartões-postais mais antigos.
- Centro Cultural Oscar Niemeyer: complexo cultural projetado pelo arquiteto no Setor Fazenda Gameleira, com teatro, biblioteca e mirante.
Goiânia, a capital de Goiás, é reconhecida mundialmente por ser uma das cidades mais arborizadas e oferece um roteiro que mistura grandes áreas verdes, arquitetura histórica e uma gastronomia marcante. O vídeo do canal “Viajando e Passeando” detalha os principais pontos da cidade:
A cozinha que virou patrimônio do estado
A culinária goiana mistura influências indígenas, portuguesas e africanas, e muitos pratos foram reconhecidos como patrimônio cultural imaterial pela Assembleia Legislativa de Goiás (ALEGO). Em Goiânia, pamonharias e restaurantes de comida caseira concentram o melhor da tradição.
- Empadão goiano: torta de massa fininha recheada com frango, queijo, linguiça, palmito, guariroba e azeitona. É o prato mais pedido da cidade.
- Pamonha: doce ou salgada, com versões à moda (linguiça, queijo e pimenta) vendidas em pamonharias tradicionais.
- Galinhada com pequi: arroz cozido com galinha caipira, pequi, guariroba e açafrão.
- Chica doida: preparo com massa de milho, queijo, linguiça e temperos, criado em Quirinópolis e consagrado patrimônio imaterial em 2022.

Quando o clima favorece o passeio pela cidade?
Goiânia tem clima tropical com duas estações bem definidas. A seca vai de maio a setembro, e as chuvas concentram-se entre outubro e abril.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar a Goiânia saindo das capitais?
A capital fica a 206 km de Brasília pela BR-060, em cerca de 2h30 de carro. O Aeroporto Internacional de Goiânia recebe voos diretos de São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília e outras capitais. A cidade também é ligada à BR-153, uma das principais rodovias do Centro-Oeste.
A capital que floresce a cada inverno
Goiânia mistura planejamento urbano dos anos 1930, cozinha sertaneja reconhecida como patrimônio e um dos maiores acervos de árvores urbanas das Américas. Poucas capitais oferecem tantos parques a tão poucos minutos do Centro.
Você precisa visitar Goiânia entre junho e setembro e entender por que a cidade inteira para para ver ipês coloridos florescerem nas ruas.




