Antes de ser Ouro Preto, a cidade se chamou Vila Rica e abrigou dois marcos pouco lembrados nos roteiros padrão. Um deles é o teatro mais antigo em funcionamento das Américas. O outro, um pico que serviu de farol no meio da serra mineira.
O teatro de 1770 que ainda recebe espetáculos toda semana
A Casa da Ópera, hoje Teatro Municipal de Ouro Preto, foi inaugurada em 6 de junho de 1770, dia do aniversário do rei Dom José I. A construção começou em 1769 sob o comando de João de Souza Lisboa, contratador dos quintos reais que decidiu transformar Vila Rica num palco à altura da capital da Capitania de Minas Gerais.
O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) confirma a Casa da Ópera como o teatro mais antigo em atividade das Américas. A planta em formato de lira é uma raridade no mundo, e a sala distribui plateia, camarotes, frisas e galerias em três pisos com cerca de 300 lugares.

Por que o Pico do Itacolomi virou o farol dos bandeirantes?
O Pico do Itacolomi tem 1.772 metros de altitude e pode ser visto de quase qualquer ladeira do centro histórico. O nome vem do tupi: “ita” significa pedra, e “kunumĩ”, menino, segundo o Instituto Estadual de Florestas (IEF).
O bandeirante paulista Antônio Dias de Oliveira usou o pico como ponto de orientação em 1698, na expedição que daria origem ao povoado do Vale do Tripuí, futuro Vila Rica. Os viajantes da Estrada Real passaram a chamá-lo de Farol dos Bandeirantes, apelido que sobreviveu nos registros oficiais.
O vídeo do canal “Tesouros do Brasil” apresenta Ouro Preto, Minas Gerais, como um dos destinos históricos mais charmosos e preservados do país, oferecendo um mergulho profundo no Brasil Colonial.
O que fazer entre o palco barroco e o cume da serra?
Quem reserva três dias na cidade consegue equilibrar arte sacra, história colonial e natureza. As atrações principais ficam em raio curto da Praça Tiradentes, com exceção das trilhas do Itacolomi.
- Casa da Ópera: visitação de segunda a sexta, das 10h às 17h. Espetáculos acontecem em média três vezes por semana.
- Igreja de São Francisco de Assis: obra-prima do Aleijadinho, com fachada esculpida em pedra-sabão e teto pintado por Mestre Ataíde.
- Trilha do Pico do Itacolomi: 12 km ida e volta a partir do Centro de Visitantes, dificuldade média a alta, vista de 360°.
- Casa Bandeirista: erguida entre 1706 e 1708, é uma das três únicas amostras da arquitetura paulista em Minas Gerais e o primeiro prédio público do estado.
- Museu da Inconfidência: instalado na antiga Casa de Câmara e Cadeia, guarda o Panteão dos Inconfidentes na Praça Tiradentes.
O sabor que sobe a ladeira no fim da tarde
A cozinha de Ouro Preto mistura herança colonial portuguesa, técnicas trazidas pelos escravizados africanos e ingredientes da roça mineira. O fogão a lenha continua sendo a marca dos restaurantes de comida típica.
- Frango com quiabo e angu: prato-símbolo da mesa mineira, servido com tutu, couve refogada e arroz branco.
- Tutu à mineira: purê de feijão com farinha de mandioca, lombo de porco, linguiça e ovo frito.
- Pão de queijo de tabuleiro: vendido nas padarias do centro logo cedo, ainda quente.
- Cachaça e queijo da Canastra: combinação que rende provas guiadas em alambiques da região.

Qual a melhor época para subir as ladeiras de pedra?
O clima de altitude garante temperaturas amenas o ano inteiro. O inverno seco firma o calçamento, e o verão úmido enche os mirantes de neblina.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.

Como chegar à antiga capital de Minas?
Ouro Preto fica a 95 km de Belo Horizonte pela BR-356, a Rodovia dos Inconfidentes, em cerca de 1h40 de carro. O Aeroporto Internacional de Confins é o principal acesso aéreo.
Ônibus regulares saem da rodoviária da capital mineira várias vezes ao dia. A portaria do Parque Estadual do Itacolomi fica em frente ao trevo do Hospital Santa Casa, dentro do perímetro urbano da cidade.
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Suba até o Itacolomi e sente na plateia da Casa da Ópera
Pouca gente associa Ouro Preto a um teatro setecentista que ainda funciona ou a uma trilha que termina onde os bandeirantes marcavam o caminho do ouro. A cidade guarda mais história fora do roteiro padrão do que dentro dele.
Você precisa atravessar a serra mineira e descobrir Ouro Preto pelo cume do Itacolomi e pela plateia da Casa da Ópera para entender a profundidade do lugar que abriu o caminho do barroco no Brasil.






