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Início Cidades

Uma “pequena Itália” escondida no Brasil, com 2.700 moradores, começa a atrair turistas enquanto exporta 3 mil barris ao exterior

Por Maura Pereira
28/04/2026
Em Cidades, Turismo
Uma pequena Itália no interior do Sul com apenas 2.600 moradores preserva sua cultura intocada e recebe turistas com hospitalidade

Monte Belo do Sul preserva a essência da imigração italiana de forma quase intocada, sendo o maior produtor de uvas per capita da América Latina. / Imagem ilustrativa

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No alto de uma colina da Serra Gaúcha, Monte Belo do Sul é uma “pequena Itália” que guarda um galpão onde se fazem barris de carvalho à mão. A arte da tanoaria está praticamente extinta no Brasil, mas três gerações de uma família mantêm o ofício de pé há mais de 60 anos.

O galpão onde 3 gerações fazem os barris dos grandes vinhos do país

A Tanoaria Mesacaza foi fundada na década de 1960 por Miguel Arcângelo Mesacaza. Hoje, o filho Eugênio e o neto Mauro tocam o negócio com sete funcionários, fazendo barris de carvalho francês, americano e madeiras brasileiras como castanheira do Pará, jequitibá-rosa, grápia e cabreúva.

Só para a Vinícola Miolo, a oficina já produziu mais de 3 mil barricas. A capacidade atual é de 30 barris de 225 litros por semana, e os tonéis seguem para os Estados Unidos, Escócia, Irlanda, Polônia, França e Bélgica. A visita guiada precisa ser agendada.

Uma pequena Itália no interior do Sul com apenas 2.600 moradores preserva sua cultura intocada e recebe turistas com hospitalidade
Monte Belo do Sul, RS, Vale dos Vinhedos com parreirais, mirante Dal Castel e colonização italiana preservada. / Créditos: depositphotos.com / lltrarbach

Por que essa pequena cidade vira capital do enoturismo italiano?

Monte Belo do Sul tem cerca de 2.700 moradores e 80% deles vivem no interior do município. A colonização começou em 1877, quando 416 famílias vindas de Udine, Mantova, Cremona, Veneza, Vicenza, Treviso, Bérgamo, Modena e Belluno se fixaram nas colinas da serra.

A cidade é a maior produtora de uva per capita da América Latina, segundo a Secretaria de Turismo do Rio Grande do Sul. A primeira vinícola registrada no estado nasceu aqui, a Francioni, e o turismo só começou a se estruturar em 2017, depois da emancipação de Bento Gonçalves em 1992.

Este documentário de Diogo Elzinga explora a essência de Monte Belo do Sul, uma pequena joia da Serra Gaúcha com cerca de 2.700 habitantes, onde 98% da população tem origem italiana. A cidade é apresentada como um refúgio de tradições preservadas, focado na vitivinicultura e na vida comunitária.

O que fazer entre vinhedos, cantinas e tonéis de carvalho?

O município faz parte do Vale dos Vinhedos, com selo de Indicação de Procedência e Denominação de Origem. As atrações se concentram no centro e nas linhas rurais.

  • Tanoaria Mesacaza: visita guiada à oficina familiar, com showroom de madeiras e venda de barricas em miniatura.
  • Vinícola Calza: degustação de espumantes pelo método tradicional e vinhos boutique, em prédio do antigo galpão Capoani de 1995.
  • Famiglia Tasca: museu da imigração italiana, sucos artesanais e piquenique entre os parreirais.
  • Domínio Vicari e Faccin Vinhos: referência em vinhos naturais, com vinificação sem aditivos químicos.
  • Igreja Matriz São Francisco de Assis: as duas torres de 65 m são avistadas de longe e marcam a praça central.
Uma pequena Itália no interior do Sul com apenas 2.600 moradores preserva sua cultura intocada e recebe turistas com hospitalidade
Monte Belo do Sul, RS, Vale dos Vinhedos com parreirais, mirante Dal Castel e colonização italiana preservada. / Créditos: depositphotos.com / lltrarbach

O sabor que veio do Vêneto e ficou na serra

A cozinha de Monte Belo do Sul é uma cápsula da cultura italiana do norte da Itália, ajustada aos ingredientes da serra. O dialeto vêneto sobrevive nas conversas de cantina, e os pratos chegam à mesa como há um século.

  • Polenta brustolada: polenta tostada na chapa de ferro, servida com queijo derretido e copa.
  • Cappellacci di zucca: massa recheada com abóbora, manteiga e sálvia, assinatura do Francesco Trattoria.
  • Galeto al primo canto: frango jovem assado no espeto, marca dos finais de semana mineiros e gaúchos da serra.
  • Café colonial italiano: mesa farta com pães, geleias, salames e queijos servida na Casa Biasotto, cenário do filme dirigido por Selton Mello.

Qual a melhor época para visitar a cidade dos parreirais?

O clima temperado de altitude tem invernos frios e verões amenos. A vindima, colheita das uvas, atrai visitantes entre janeiro e março, e o inverno enche as cantinas para fondues e sopas.

☀️ Verão
Dez – Fev
17-30°C
Média
É a época mais esperada do ano para vivenciar a Vindima e a tradicional pisa das uvas diretamente nos parreirais.
🍇 Colheita
🍂 Outono
Mar – Mai
11-25°C
Média
Com a queda das temperaturas, o destaque fica para o Polentaço e as diversas sessões de degustações de vinhos e queijos.
🧀 Gastronomia
❄️ Inverno
Jun – Ago
4-18°C
Média
O frio intenso convida para noites de fondue e visitas às históricas cantinas, aproveitando o aconchego da estação.
🍷 Cantinas
🌸 Primavera
Set – Nov
10-26°C
Média
A paisagem se renova com os vinhedos em brotação; momento perfeito para visitar os mirantes e fotografar a região.
🌱 Paisagens

Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.

Uma pequena cidade no Sul com apenas 2.600 moradores preserva até mesmo um idioma próprio e cultura rara no Brasil
Visite vinícolas, Piazza Schiavon e trilhas em Monte Belo do Sul: um refúgio sereno na rota dos vinhos italianos. / Créditos: depositphotos.com / lltrarbach

Leia também: Uma cidade gaúcha onde flamingos chilenos pousam após voar 8 mil km e o sol nasce no oceano.

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Como chegar à cidade da tanoaria e dos vinhedos?

Monte Belo do Sul fica a 18 km de Bento Gonçalves e a cerca de 122 km de Porto Alegre pela BR-116 e RS-470. A maioria dos visitantes desembarca no Aeroporto Internacional Salgado Filho e segue de carro pela Serra Gaúcha.

A cidade pode ser combinada com Bento Gonçalves e Garibaldi num roteiro de três dias, completando o triângulo do Vale dos Vinhedos. As estradas internas que cortam os vinhedos são bem sinalizadas e quase todas asfaltadas.

Suba a colina e ouça a marreta na madeira

Poucos lugares no Brasil ainda fabricam barris à mão, e quase nenhum oferece a chance de ver isso acontecendo. Monte Belo do Sul guarda um pedaço raro do patrimônio material brasileiro entre os parreirais e a igreja de torres altas.

Você precisa atravessar a serra e parar na Tanoaria Mesacaza para entender por que a cidade que produz mais uva per capita da América Latina também guarda o ofício mais ancestral do mundo do vinho.

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