No alto de uma colina da Serra Gaúcha, Monte Belo do Sul é uma “pequena Itália” que guarda um galpão onde se fazem barris de carvalho à mão. A arte da tanoaria está praticamente extinta no Brasil, mas três gerações de uma família mantêm o ofício de pé há mais de 60 anos.
O galpão onde 3 gerações fazem os barris dos grandes vinhos do país
A Tanoaria Mesacaza foi fundada na década de 1960 por Miguel Arcângelo Mesacaza. Hoje, o filho Eugênio e o neto Mauro tocam o negócio com sete funcionários, fazendo barris de carvalho francês, americano e madeiras brasileiras como castanheira do Pará, jequitibá-rosa, grápia e cabreúva.
Só para a Vinícola Miolo, a oficina já produziu mais de 3 mil barricas. A capacidade atual é de 30 barris de 225 litros por semana, e os tonéis seguem para os Estados Unidos, Escócia, Irlanda, Polônia, França e Bélgica. A visita guiada precisa ser agendada.

Por que essa pequena cidade vira capital do enoturismo italiano?
Monte Belo do Sul tem cerca de 2.700 moradores e 80% deles vivem no interior do município. A colonização começou em 1877, quando 416 famílias vindas de Udine, Mantova, Cremona, Veneza, Vicenza, Treviso, Bérgamo, Modena e Belluno se fixaram nas colinas da serra.
A cidade é a maior produtora de uva per capita da América Latina, segundo a Secretaria de Turismo do Rio Grande do Sul. A primeira vinícola registrada no estado nasceu aqui, a Francioni, e o turismo só começou a se estruturar em 2017, depois da emancipação de Bento Gonçalves em 1992.
Este documentário de Diogo Elzinga explora a essência de Monte Belo do Sul, uma pequena joia da Serra Gaúcha com cerca de 2.700 habitantes, onde 98% da população tem origem italiana. A cidade é apresentada como um refúgio de tradições preservadas, focado na vitivinicultura e na vida comunitária.
O que fazer entre vinhedos, cantinas e tonéis de carvalho?
O município faz parte do Vale dos Vinhedos, com selo de Indicação de Procedência e Denominação de Origem. As atrações se concentram no centro e nas linhas rurais.
- Tanoaria Mesacaza: visita guiada à oficina familiar, com showroom de madeiras e venda de barricas em miniatura.
- Vinícola Calza: degustação de espumantes pelo método tradicional e vinhos boutique, em prédio do antigo galpão Capoani de 1995.
- Famiglia Tasca: museu da imigração italiana, sucos artesanais e piquenique entre os parreirais.
- Domínio Vicari e Faccin Vinhos: referência em vinhos naturais, com vinificação sem aditivos químicos.
- Igreja Matriz São Francisco de Assis: as duas torres de 65 m são avistadas de longe e marcam a praça central.

O sabor que veio do Vêneto e ficou na serra
A cozinha de Monte Belo do Sul é uma cápsula da cultura italiana do norte da Itália, ajustada aos ingredientes da serra. O dialeto vêneto sobrevive nas conversas de cantina, e os pratos chegam à mesa como há um século.
- Polenta brustolada: polenta tostada na chapa de ferro, servida com queijo derretido e copa.
- Cappellacci di zucca: massa recheada com abóbora, manteiga e sálvia, assinatura do Francesco Trattoria.
- Galeto al primo canto: frango jovem assado no espeto, marca dos finais de semana mineiros e gaúchos da serra.
- Café colonial italiano: mesa farta com pães, geleias, salames e queijos servida na Casa Biasotto, cenário do filme dirigido por Selton Mello.
Qual a melhor época para visitar a cidade dos parreirais?
O clima temperado de altitude tem invernos frios e verões amenos. A vindima, colheita das uvas, atrai visitantes entre janeiro e março, e o inverno enche as cantinas para fondues e sopas.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.

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Como chegar à cidade da tanoaria e dos vinhedos?
Monte Belo do Sul fica a 18 km de Bento Gonçalves e a cerca de 122 km de Porto Alegre pela BR-116 e RS-470. A maioria dos visitantes desembarca no Aeroporto Internacional Salgado Filho e segue de carro pela Serra Gaúcha.
A cidade pode ser combinada com Bento Gonçalves e Garibaldi num roteiro de três dias, completando o triângulo do Vale dos Vinhedos. As estradas internas que cortam os vinhedos são bem sinalizadas e quase todas asfaltadas.
Suba a colina e ouça a marreta na madeira
Poucos lugares no Brasil ainda fabricam barris à mão, e quase nenhum oferece a chance de ver isso acontecendo. Monte Belo do Sul guarda um pedaço raro do patrimônio material brasileiro entre os parreirais e a igreja de torres altas.
Você precisa atravessar a serra e parar na Tanoaria Mesacaza para entender por que a cidade que produz mais uva per capita da América Latina também guarda o ofício mais ancestral do mundo do vinho.






