A Tuberculose é uma doença que avança lentamente e frequentemente só é detectada em estágios avançados, quando a bactéria Mycobacterium tuberculosis já comprometeu significativamente os pulmões. Essa característica silenciosa torna desafiador observar os mecanismos de entrada da bactéria no organismo e seu confronto com as defesas pulmonares. Recentemente, um avanço inovador trouxe novas perspectivas para o estudo desta doença.
Pesquisadores ingleses desenvolveram um minipulmão em laboratório, com apenas 3 milímetros de diâmetro, utilizando uma mistura de células humanas e componentes plásticos. Este “órgão em chip” foi infectado com a bactéria da Tuberculose, permitindo a observação das primeiras interações entre a doença e o corpo humano em um ambiente controlado.
Como Funciona o Minipulmão no Estudo da Tuberculose?
Embora não seja a primeira vez que se cria um minipulmão com células humanas, os modelos anteriores não mantinham a funcionalidade dos pulmões de forma fidedigna, geralmente utilizando material genético de múltiplos pacientes. Neste projeto, os cientistas utilizaram células de um único doador e incorporaram um sistema que simula a respiração, potencializando a relevância dos resultados.
As máquinas desenvolvidas pela AlveoliX aplicam forças de estiramento tridimensionais na barreira alveolar recriada, imitando o movimento respiratório. Essa técnica estimula a formação de microvilosidades, essenciais para a funcionalidade das células alveolares, proporcionando um cenário mais realista para a infecção e o estudo do comportamento da bactéria.

Qual é o Impacto da Tuberculose no Organismo?
O modelo de minipulmão permitiu visualizar como a bactéria da Tuberculose atua frente às defesas pulmonares iniciais. Em cinco dias após a infecção, as células imunológicas, ou macrófagos, já sucumbiam ao ataque bacteriano, expondo danos nas camadas externas das células pulmonares. Após 14 dias, os danos se estendiam por toda a superfície celular afetada, mostrando a efetividade da bactéria em contornar as defesas do corpo.
Além de ajudar no entendimento da Tuberculose, este modelo pulmonar em miniatura promete ser uma ferramenta valiosa em pesquisas sobre outras infecções respiratórias e mesmo o câncer. Ao emular condições reais do ambiente pulmonar humano, é possível explorar novas abordagens no tratamento e compreensão de diversas doenças.
Uma Nova Era na Medicina Personalizada?
O advento do “órgão em chip” representa um avanço significativo rumo à medicina personalizada. Esta tecnologia não apenas proporciona observações detalhadas sobre o impacto direto da Tuberculose nos pulmões, mas também permite explorar como variáveis genéticas podem influenciar a eficácia dos tratamentos.
À medida que os cientistas continuam a experimentar e desenvolver essas tecnologias, novas janelas de oportunidade se abrem não apenas para a Tuberculose, mas para um vasto espectro de condições respiratórias. Este modelo representa um passo considerável em direção ao entendimento mais profundo de doenças complexas, potencialmente transformando as abordagens terapêuticas futuras.
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Dra. Anna Luísa Barbosa Fernandes
CRM-GO 33.271










