Quem entra na Catedral de Brasília raramente imagina de onde veio o crucifixo que está ali. A peça foi esculpida em Treze Tílias, no Meio-Oeste de Santa Catarina, uma cidade criada por imigrantes austríacos que trouxeram na bagagem a tradição de entalhar madeira. Conhecida como Tirol Brasileiro, a cidade guarda arquitetura alpina, um castelo que virou museu e ateliês onde a arte da escultura passa de geração em geração, a cerca de 800 metros de altitude no Vale do Rio do Peixe.
Que obra de Treze Tílias está em Brasília?
O crucifixo da Catedral de Brasília. Segundo o Portal Municipal de Turismo de Treze Tílias, os tiroleses que chegaram à cidade trouxeram o trabalho em madeira e hoje produzem esculturas que ganharam destaque no país, como o Crucifixo da Catedral de Brasília, um dos templos mais conhecidos do Brasil, projetado por Oscar Niemeyer.
A obra é um exemplo do alcance da arte local. A escultura em madeira, segundo o portal ipatrimônio, se desenvolveu na cidade a ponto de transformá-la em um centro artístico reconhecido no Brasil e no exterior, e é uma das principais marcas da identidade tirolesa preservada pelos descendentes dos imigrantes.

Quem fundou Treze Tílias?
Um ex-ministro da Agricultura da Áustria. O Portal de Turismo da cidade informa que a colonização começou em 13 de outubro de 1933, quando Andreas Thaler, que havia sido ministro da Agricultura da Áustria, chegou à região com outros 82 imigrantes austríacos e fundou a colônia Dreizehnlinden, nome que em português significa Treze Tílias.
O projeto tinha apoio oficial. Um estudo divulgado pela Embaixada da Áustria no Brasil descreve Treze Tílias como um assentamento de imigrantes austríacos organizado por Thaler e registra que, nos anos seguintes, outros grupos chegaram da Europa. A anexação da Áustria pela Alemanha, em 1938, marcou a história da colônia, que manteve sua identidade austríaca ao longo das décadas.
Por que a cidade se chama Treze Tílias?
Por causa de um poema. Segundo o portal ipatrimônio, o nome Dreizehnlinden foi escolhido pelo fundador, inspirado no poema Die Dreizehnlinden, do escritor alemão Friedrich Wilhelm Weber. A tília é uma árvore de flores brancas, comum na Áustria, e o nome traduzido para o português passou a identificar a cidade.
A homenagem atravessou o oceano no sentido contrário. O estudo da Embaixada da Áustria registra que, em 1984, foram plantadas treze tílias em uma praça na região de origem do fundador, no Tirol austríaco, que também recebeu o nome de Treze Tílias, reforçando os laços entre as duas comunidades.
O que visitar em Treze Tílias?
A cidade concentra seus atrativos em um roteiro que pode ser feito a pé. Estes são alguns dos pontos mais procurados.
Como vive hoje o Tirol Brasileiro?
Entre a tradição e a produção rural. O Portal de Turismo de Treze Tílias registra que a economia da cidade se desenvolveu com base na agricultura, com destaque para a pecuária leiteira e a indústria de laticínios, atividades que ajudaram a manter o perfil rural e tranquilo do município.
A cultura austríaca segue presente no cotidiano. A arquitetura alpina, a escultura em madeira, as festas típicas e o cuidado com jardins e fachadas fazem da cidade um destino diferente no interior catarinense. Para o visitante, a sensação é de atravessar o oceano sem sair do Brasil.

Como é o clima de Treze Tílias ao longo do ano?
A chuva é bem distribuída, e o inverno é frio. Janeiro concentra 229 mm de chuva em média, enquanto agosto registra 108 mm, e julho tem mínima de 8°C.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Um pedaço do Tirol no coração do Brasil
Treze Tílias mostra como uma comunidade de imigrantes pode preservar sua identidade e, ao mesmo tempo, deixar marcas no país que a recebeu. Fundada em 1933 por um ex-ministro austríaco, a cidade manteve a arquitetura alpina e a tradição da escultura em madeira, uma arte que levou suas peças até a Catedral de Brasília. É um destino que une história, fé e artesanato em meio às colinas do interior catarinense.
Você precisa caminhar pelas ruas floridas de Treze Tílias, visitar um ateliê de escultura e lembrar do crucifixo da Catedral de Brasília para entender o alcance dessa pequena cidade austríaca no interior de Santa Catarina.




