Pouca gente olha para o chão de casa e se pergunta de onde veio aquele piso. Em muitos casos, a resposta está no sul de Santa Catarina, na região de Criciúma. A cidade que ficou conhecida como Capital do Carvão viu nascer, a partir de famílias ligadas à mineração, algumas das maiores fabricantes de revestimentos cerâmicos do Brasil, com pisos e azulejos que chegam a casas de todo o país e a dezenas de outros países, enquanto uma antiga mina aberta ao público lembra como tudo começou.
Como o carvão deu origem à indústria cerâmica?
Com dinheiro e experiência de quem trabalhava nas minas. Um estudo publicado na revista Cerâmica Industrial mostra a ligação entre o setor carbonífero e o cerâmico no sul catarinense e registra que as famílias que fundaram empresas como a Eliane e a Cecrisa tinham origem na atividade de mineração de carvão antes de entrar no ramo da cerâmica.
A transição mudou a economia da região. Com o tempo, a mineração perdeu força, enquanto a fabricação de revestimentos cresceu e passou a empregar milhares de pessoas. O mesmo estudo aponta que a região produtora de Criciúma se destaca pela liderança em marca e qualidade, e que suas fábricas se especializaram no processo por via úmida, em que a matéria-prima é moída com água antes de ser prensada.

Que marcas de revestimento nasceram na região?
Algumas das mais conhecidas do país. Segundo um projeto de lei apresentado na Câmara dos Deputados, em 1954 um grupo de 215 sócios fundou a Cerâmica Cocal, em Cocal do Sul, município vizinho a Criciúma, e em 1960 a empresa deu origem à Cerâmica Eliane. O documento informa que a Eliane produz cerca de 32 milhões de metros quadrados de revestimentos por ano e está presente em mais de 80 países.
A própria Criciúma também abriga grandes fabricantes. O estudo da revista Cerâmica Industrial cita a Portinari, marca derivada da Cecrisa, entre as empresas de destaque da região. Juntas, essas fábricas ajudaram a transformar o sul catarinense em uma referência nacional e internacional na produção de pisos e azulejos.
Qual é o peso de Criciúma na cerâmica brasileira?
Grande, especialmente em marcas de maior valor. Um panorama do setor publicado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), com dados da associação dos fabricantes, registrou que a região produtora de Criciúma concentra as maiores empresas nacionais do setor e respondia por cerca de 23% da produção brasileira de revestimentos à época do estudo, a partir do processo de via úmida.
A região disputa espaço com outro grande centro produtor, o de Santa Gertrudes, no interior paulista, que produz em maior volume, pelo processo de via seca. Enquanto o centro paulista se destaca pela quantidade, o catarinense ganhou fama pela qualidade e pelo design, o que explica por que tantas marcas conhecidas pelo consumidor vêm do sul de Santa Catarina.
O que conhecer em Criciúma?
Além das fábricas, a cidade preserva a memória do carvão que deu origem a tudo. Estes são alguns destaques ligados à história e à indústria local.
Como é visitar uma mina de carvão em Criciúma?
É uma viagem ao passado da cidade. A Mina de Visitação Octávio Fontana ocupa uma antiga mina de carvão e leva o visitante para dentro das galerias subterrâneas, onde é possível entender como era o trabalho dos mineiros que sustentaram a economia da região por décadas.
A visita ajuda a ligar os dois capítulos da história de Criciúma. Debaixo da terra, o visitante conhece o carvão que deu nome à cidade. Na superfície, encontra a indústria cerâmica que tomou seu lugar e que hoje leva o nome da região a casas de todo o país.

Como é o clima de Criciúma ao longo do ano?
A chuva é bem distribuída, e o inverno é ameno. Janeiro concentra 174 mm de chuva em média, enquanto julho registra 100 mm, com mínima de 12°C.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Do subsolo para o chão de casa
Criciúma mostra como uma região pode se reinventar. O carvão que movimentou a economia local por décadas deu lugar a uma indústria cerâmica que nasceu das mesmas famílias e hoje produz pisos e azulejos presentes em milhões de casas. Entre a mina aberta à visitação e as fábricas de revestimentos, a cidade conta uma história de transformação que vai do subsolo ao chão onde pisamos todos os dias.
Você precisa descer às galerias da Mina Octávio Fontana e depois olhar com atenção para o piso de casa para entender quanto do sul catarinense está presente no seu dia a dia.




