A cerca de 75 km da capital, Zuheros parece um postal pendurado no penhasco da Sierra Subbética. Casas brancas, um castelo medieval suspenso sobre o abismo e um silêncio raro para os padrões andaluzes. O que quase ninguém imagina é que, a apenas 4 km da vila, abre-se uma das cavernas mais decisivas da arqueologia espanhola.
O que existe além das casas brancas de Zuheros?
Com cerca de 600 moradores, a pequena vila está a 662 metros de altitude, no sul da província de Córdoba. As casas caiadas se espalham pela encosta ao redor de um castelo medieval construído sobre um penhasco vertical, de onde se descortina o vale de oliveiras da campina cordobesa.
O cenário histórico ajudou a preservar a identidade da vila ao longo das décadas. Em 2003, o conjunto foi declarado Bien de Interés Cultural (BIC) na categoria de Conjunto Histórico-Artístico. Já em 2016, Zuheros passou a integrar a rede dos Pueblos Más Bonitos de España, que reúne menos de 120 localidades em toda a Espanha.

O que os arqueólogos encontraram dentro da Cueva de los Murciélagos?
A cerca de 4 km do centro de Zuheros, entre as rochas calcárias da serra, a Cueva de los Murciélagos se estende por mais de 3.300 metros topografados, tornando-se a maior cavidade conhecida da província de Córdoba. A profundidade máxima chega a 75,5 metros, segundo o portal Cuevas Turísticas de España.
A visita turística percorre 415 metros da gruta e desce cerca de 65 metros por aproximadamente 700 degraus escavados na rocha. Mas a dimensão subterrânea é apenas parte da importância do local. Escavações realizadas em 1962 e 1969 revelaram vestígios que ajudaram a mudar a compreensão sobre o início do Neolítico na Andaluzia, indicando que a agricultura chegou à região cerca de mil anos antes do que se acreditava, conforme reportagem da Infobae.
Quem era o homem encontrado no fundo da gruta?
Na primavera de 1938, um grupo de oficiais do exército alcançou algumas das galerias mais profundas da caverna e encontrou um esqueleto humano em posição fetal, preservado em meio às formações calcárias. O achado permaneceu durante décadas como uma das grandes incógnitas arqueológicas de Zuheros.
Somente em 2018, análises de DNA ajudaram a revelar sua importância. Os ossos pertenciam a um dos primeiros agricultores conhecidos do sul da Península Ibérica, que viveu há aproximadamente 7.245 anos, segundo o portal Cuevas Turísticas de España. O material arqueológico encontrado no interior também inclui pinturas rupestres neolíticas e calcolíticas, com representações de cabras, figuras humanoides e símbolos abstratos que podem ter cerca de 6.000 anos.
Por que as pinturas de Zuheros são tão importantes?
A presença simultânea de vestígios humanos, arte rupestre e formações geológicas transforma a Cueva de los Murciélagos em um sítio arqueológico excepcional. Os registros indicam ocupações em diferentes períodos da pré-história, incluindo o Paleolítico Médio, o Neolítico e o Calcolítico, além de vestígios associados a períodos posteriores.
Entre os elementos que explicam a relevância da gruta estão:
- Vestígios do Neolítico andaluz: descobertas no local contribuíram para rever a cronologia da chegada da agricultura ao sul da Península Ibérica.
- Arte rupestre: pinturas com animais, figuras humanas e símbolos preservados nas paredes da caverna.
- Esqueleto de 7.245 anos: um dos achados humanos mais importantes associados ao início da agricultura na região.
- Vestígios de ocupações antigas: materiais arqueológicos indicam presença humana em diferentes períodos da pré-história.
- El Espárrago: formação calcária de aproximadamente 4 metros de altura, considerada uma das curiosidades geológicas da cavidade.

Como funciona a visita à Cueva de los Murciélagos?
A entrada na gruta é feita mediante reserva prévia e acompanhamento de guias, com grupos de até 30 pessoas por turno, conforme o portal oficial de turismo de Zuheros. O percurso dura aproximadamente uma hora e passa por diferentes salas, onde formações calcárias foram batizadas ao longo das décadas de exploração da caverna.
Os cerca de 700 degraus conduzem os visitantes por galerias subterrâneas que permanecem frescas mesmo durante o verão andaluz. Pequenas colônias de morcegos também fazem parte do ambiente que deu origem ao nome da cavidade. Na superfície, Zuheros oferece outro ritmo, com vinhos da Subbética, queijos artesanais e ruas silenciosas que preservam a atmosfera de uma pequena vila.
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Por que Zuheros merece entrar no roteiro pela Andaluzia?
Poucos destinos do sul da Espanha concentram patrimônio histórico, paisagens de montanha e arqueologia em uma área tão pequena. O castelo medieval sobre o penhasco domina as casas brancas, enquanto a Cueva de los Murciélagos guarda vestígios que ajudam a contar milhares de anos da ocupação humana na região.
Para quem percorre a Andaluzia, Zuheros oferece uma experiência diferente dos grandes destinos turísticos. Subir pelas ruas da vila e depois entrar nas profundezas da caverna é acompanhar, em poucas horas, uma viagem que vai do passado medieval às origens da agricultura na Península Ibérica.




