A planta estudada que alivia cólicas e inchaço com mais respaldo científico é a hortelã-pimenta. Décadas de pesquisas mostram como ela age diretamente na musculatura intestinal para reduzir dor e distensão.
Por que a hortelã-pimenta é a mais pesquisada para o intestino?
A hortelã-pimenta acumula um volume de estudos clínicos que nenhuma outra planta medicinal voltada ao trato digestivo alcançou. O interesse científico começou a crescer na década de 1970 e não parou mais.
O motivo está no seu principal composto ativo: o mentol. Esse óleo essencial tem um mecanismo de ação claro e mensurável no músculo liso intestinal, o que facilita muito a condução de ensaios clínicos controlados.

Como o mentol age para reduzir cólicas e inchaço?
O mentol bloqueia canais de cálcio nas células musculares do intestino. Sem o cálcio entrando na célula, a musculatura relaxa. Esse efeito é chamado de espasmolítico e é o responsável pelo alívio direto das cólicas.
No caso do inchaço, o relaxamento muscular permite que os gases acumulados se movam com mais facilidade pelo trânsito intestinal, reduzindo a pressão e a distensão. O resultado é percebido em geral entre 30 e 60 minutos após a ingestão do óleo entérico.
O que os estudos clínicos dizem sobre a eficácia real?
As evidências são robustas, especialmente para pessoas com síndrome do intestino irritável (SII). Metanálises publicadas em bases científicas de referência avaliaram dezenas de ensaios randomizados e controlados.
Os dados consolidados disponíveis no repositório científico do NIH indicam que cápsulas de óleo de hortelã-pimenta com revestimento entérico reduziram significativamente a dor abdominal em comparação ao placebo. A redução média relatada nos estudos gira em torno de 40% na intensidade das cólicas.
Qual formato apresenta mais evidência: chá ou cápsula?
As pesquisas de maior rigor metodológico usaram cápsulas com revestimento entérico, não o chá. Esse revestimento impede que o óleo se dissolva no estômago, fazendo com que ele chegue intacto ao intestino delgado e grosso, onde o efeito é necessário.
O chá tem ação mais difusa e menos previsível. Pode ajudar com náuseas leves e desconforto gástrico, mas para cólicas intestinais profundas, a evidência favorece a forma encapsulada. Em qualquer caso, a escolha do formato deve considerar o quadro clínico individual.
No vídeo a seguir, o canal do Samuel Horta Orgânica, com mais de 39 mil inscritos, fala um pouco sobre o hortelã-pimenta:
Quais condições se beneficiam mais do uso da hortelã-pimenta?
A maioria das pesquisas foca em condições funcionais, ou seja, aquelas em que o intestino apresenta sintomas sem lesão orgânica detectável.
Os contextos com maior suporte científico incluem:
- Síndrome do intestino irritável (SII): condição mais estudada; melhora de dor, inchaço e frequência das crises
- Dispepsia funcional: desconforto no abdômen superior, associada a lentidão do esvaziamento gástrico
- Cólicas pós-refeição: espasmos sem causa estrutural identificada, comuns após refeições volumosas
- Inchaço por acúmulo de gases: flatulência excessiva e distensão abdominal sem doença inflamatória

Existe algum risco ou contraindicação no uso da hortelã-pimenta?
Sim, e esse ponto costuma ser ignorado. Pessoas com refluxo gastroesofágico (DRGE) devem evitar o óleo de hortelã-pimenta sem revestimento entérico. O relaxamento do esfíncter esofágico inferior causado pelo mentol pode piorar o refluxo significativamente.
Crianças pequenas e bebês não devem ser expostos ao mentol, especialmente próximo ao rosto, pois há risco de broncoespasmo. Gestantes também precisam de orientação específica antes de usar qualquer suplemento à base da planta. O uso informado e consciente é o que transforma um recurso natural em um aliado real, não em mais um problema.










