Na maré baixa, o mar de Porto de Galinhas se abre em piscinas mornas de água transparente, cheias de peixes coloridos, a poucos metros da areia. Jangadas a vela deslizam pela superfície levando os visitantes até os recifes, num cenário que rendeu à vila o título de melhor praia do país por dez anos seguidos. O que poucos imaginam é que esse paraíso de Ipojuca carrega um passado sombrio no próprio nome.
A senha cruel que batizou a vila de pescadores
Antes de virar cartão-postal, o lugar se chamava Porto Rico, por causa da riqueza do pau-brasil e do açúcar nos engenhos de Ipojuca. O nome atual esconde um capítulo sombrio do Brasil.
No século XIX, mesmo após a proibição do tráfico, traficantes desembarcavam africanos escravizados escondidos sob engradados de galinhas-d’angola. A chegada era anunciada pela senha “tem galinha nova no porto”, que acabou fixando o nome no mapa. Hoje as galinhas de cerâmica do artista Carcará ressignificaram o símbolo e viraram o souvenir oficial da vila.

Por que as piscinas naturais são a maior atração?
As piscinas se formam quando a maré recua e deixa a água represada sobre os recifes de coral, a cerca de 200 metros da costa. O acesso é feito em jangadas a vela, sem motor, conduzidas pelos jangadeiros locais.
A travessia leva menos de dez minutos e termina em um aquário natural, onde é possível mergulhar de snorkel entre peixes e observar o famoso “mapa do Brasil”, um desenho formado naturalmente pelos corais. As visitas só acontecem na maré baixa, então vale consultar a tábua de marés antes de programar o passeio.
O que fazer além de mergulhar nas piscinas?
A região reúne praias distintas em poucos quilômetros de litoral, do agito da vila ao sossego dos coqueirais. Algumas atrações ficam a menos de 15 minutos do centrinho.
- Muro Alto: uma das praias mais tranquilas da região, com extensa faixa de piscinas rasas e mar calmo, ideal para famílias.
- Maracaípe: reduto de surfistas, com ondas fortes e um manguezal onde é possível fazer passeio de jangada pelo rio.
- Passeio de buggy Ponta a Ponta: percorre a orla de Muro Alto ao Pontal de Maracaípe, com paradas para banho ao longo do trajeto.
- Praia dos Carneiros: bate-volta mais desejado da região, no município de Tamandaré, com a capela branca pé na areia e passeios de catamarã.
- Projeto Hippocampus: iniciativa dedicada à conservação dos cavalos-marinhos, uma parada fora do óbvio para entender a fauna do estuário.
Planeje suas férias perfeitas no litoral de Pernambuco. O vídeo é do canal Status Viajante, referência em roteiros práticos, e detalha um itinerário completo por Porto de Galinhas, destacando o passeio de buggy de ponta a ponta e um bate-volta à Praia dos Carneiros:
Um santuário de corais protegido por lei
Porto de Galinhas integra a Área de Proteção Ambiental Costa dos Corais (APACC), a maior unidade de conservação federal marinha costeira do Brasil. Segundo o ICMBio, a área soma mais de 400 mil hectares e cerca de 120 km de praia e mangues, do litoral sul pernambucano ao norte de Alagoas.
É essa proteção que mantém os recifes vivos e as águas cristalinas. A unidade abriga espécies ameaçadas como o peixe-boi marinho, tartarugas e baleias, e ajuda a explicar por que apenas parte das piscinas fica aberta à visitação.
Quanto custa visitar as piscinas naturais?
Há duas formas de conhecer as piscinas, uma paga e uma gratuita. O passeio de jangada tem preço tabelado, vendido no quiosque da Associação dos Jangadeiros, à beira-mar.
Para quem prefere não pagar, a Prefeitura do Ipojuca distribui 200 pulseiras gratuitas na Praça do Relógio nas manhãs de maré baixa. A recomendação é chegar por volta das 7h30, já que as pulseiras são limitadas e dependem das condições do mar. Vale levar sapatilhas aquáticas para não machucar os pés nos corais.
O que comer entre um mergulho e outro?
A cozinha de Porto de Galinhas mistura frutos do mar com a tradição pernambucana. Os restaurantes se concentram no centrinho, entre as ruas de artesanato.
- Frutos do mar: camarão, lagosta e peixes frescos dominam os cardápios da orla, servidos grelhados ou em moquecas.
- Carne de sol: clássico do sertão pernambucano, geralmente acompanhado de macaxeira e queijo coalho.
- Galinha cabidela: prato regional de raiz, uma referência ao próprio nome da vila.

Qual a melhor época para conhecer o destino?
O clima é quente o ano inteiro, mas a estação seca deixa o mar mais claro e favorece as piscinas. Entre setembro e março as chuvas rareiam e as águas ficam no ponto.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar a Porto de Galinhas?
A vila fica no município de Ipojuca, a pouco mais de 50 km do Aeroporto Internacional do Recife/Guararapes, cerca de uma hora de carro. A ligação é feita pela PE-009 e por transfers, táxis e aplicativos que saem da capital.
Vá conhecer o paraíso de águas mornas
Poucos lugares no Brasil reúnem piscinas naturais, história viva e recifes protegidos em um só destino. Porto de Galinhas guarda esse encontro raro entre natureza e memória a uma hora do Recife.
Você precisa subir numa jangada ao amanhecer e ver com os próprios olhos por que essa praia foi eleita, tantas vezes, a melhor do país.



