A cerca de uma hora do Recife, no litoral sul de Pernambuco, Porto de Galinhas guarda o cenário que virou marca do turismo brasileiro: piscinas de água morna e cristalina que se formam entre recifes de coral na maré baixa. A vila é distrito de Ipojuca e reúne dez títulos consecutivos de Melhor Praia do Brasil, pela revista Viagem & Turismo.
De Porto Rico ao nome que carrega uma história dura
Antes de virar Porto de Galinhas, a região era chamada de Porto Rico nos séculos XVI e XVII, por causa da abundância de pau-brasil e da produção de açúcar dos engenhos de Ipojuca. O nome mudou depois de 1831, quando o comércio negreiro foi proibido no país.
Segundo a Prefeitura de Ipojuca, traficantes passaram a desembarcar africanos escravizados escondidos sob engradados de galinhas-d’angola. A senha que anunciava a chegada dos navios era direta: “tem galinha nova no porto”. O apelido pegou e resistiu ao tempo, hoje ressignificado pelo turismo e pela arte local.

O que fazer em Porto de Galinhas em três dias?
A vila cabe bem em três dias. Um pode ser inteiro dedicado às piscinas naturais. Os outros dois rendem passeios para praias vizinhas, mangues e o farol.
- Piscinas naturais: cartão-postal do destino, acessível por passeio de jangada na maré baixa; a água transparente permite ver peixes coloridos entre os corais.
- Praia de Muro Alto: barreira natural de recifes cria uma piscina gigante de água parada, ideal para caiaque e stand up paddle.
- Praia do Cupe: faixa longa de areia com ondas mais fortes em alguns trechos, procurada por surfistas.
- Pontal de Maracaípe: encontro do rio com o mar, palco do passeio de observação de cavalos-marinhos no manguezal.
- Projeto Hippocampus: centro de pesquisa e educação ambiental dedicado à proteção dos cavalos-marinhos do litoral pernambucano.
- Farol de Porto de Galinhas: um dos pontos mais fotografados da vila, com vista aberta do oceano.
- Rua das Sombrinhas: núcleo comercial aberto no centro da vila, com peças de couro, renda e as famosas galinhas coloridas.
As galinhas coloridas que ressignificaram o nome
Na década de 1990, o artista piauiense Gilberto Carcará chegou à vila e começou a esculpir galinhas coloridas em troncos de coqueiros mortos. As peças se espalharam pelas ruas, viraram símbolo do destino e transformaram o nome de origem sombria em uma marca visual celebrada por turistas do mundo inteiro.
Um detalhe pouco divulgado: a referência ao porto e às galinhas é ainda mais antiga do que a explicação mais conhecida sugere. O nome Porto de Galinhas já aparece registrado no mapa do pintor holandês Frans Post, produzido em 1634, durante o Brasil Holandês. Isso indica que a expressão circulava na região muito antes do período de contrabando do século XIX.
As piscinas naturais que aparecem só algumas horas por dia
O grande espetáculo do destino é uma questão de horário. Duas vezes ao dia, quando a maré baixa expõe os recifes de coral a poucos metros da praia, formam-se aquários naturais de águas mornas e transparentes que rendem os cartões-postais mais fotografados do Nordeste.
Segundo a Prefeitura de Ipojuca, o melhor horário para a visita é pela manhã, com tábua de marés consultada previamente. As jangadas partem da orla central e levam poucos minutos até os pontos de mergulho. A água mantém temperatura em torno de 27°C o ano todo, o que dispensa qualquer equipamento térmico e permite passar horas dentro das piscinas.

O que comer em Porto de Galinhas?
A gastronomia local é dominada por frutos do mar frescos e receitas tradicionais pernambucanas. Os restaurantes ficam concentrados no centro da vila e na orla, com opções que vão do pé na areia aos mais sofisticados.
- Camarão no abacaxi: um dos pratos mais pedidos da região, servido dentro do próprio abacaxi.
- Peixada pernambucana: cozida com leite de coco, tomate, coentro e batata, receita clássica do litoral do estado.
- Bobó de camarão: creme de mandioca com camarões e dendê, herança da culinária afro-brasileira.
- Tapioca com queijo coalho: parada obrigatória para o café da manhã ou lanche da tarde à beira-mar.
Como chegar a Porto de Galinhas?
O acesso mais rápido é pelo Aeroporto Internacional dos Guararapes, no Recife, a cerca de 60 km. De carro ou van turística, o trajeto pela PE-060 e PE-009 leva aproximadamente uma hora. A melhor época para visitar vai de setembro a março, quando a chuva é mais esporádica. Entre abril e agosto, o índice de precipitação aumenta, mas o mar segue morno e as piscinas continuam formadas na maré baixa.
Leia também: A “Capital do Agronegócio” que surpreende com 27 cachoeiras escondidas perto da BR-163 no sul do Mato Grosso.
Vá conhecer Porto de Galinhas
Poucos destinos do país reúnem em tão pouco espaço mar morno, história densa e uma cena artística que ressignifica o próprio nome. Porto de Galinhas entrega o cenário de cartão-postal e uma vila viva, com pescadores, jangadeiros e artesãos ainda no comando do ritmo local.
Você precisa conhecer Porto de Galinhas e nadar nas piscinas naturais pelo menos uma vez para entender por que a vila lidera rankings de praia há mais de uma década.



