Erguida em quatro anos sobre o antigo Arraial do Curral del Rei, Belo Horizonte nasceu como a primeira capital republicana planejada do Brasil e foi inaugurada em 12 de dezembro de 1897. Hoje, a capital de Minas Gerais guarda avenidas traçadas em xadrez, o conjunto modernista da Pampulha, tombado pela UNESCO, e a maior densidade de botecos do país.
A cidade que nasceu com prazo de quatro anos
Em 1893, o governo mineiro decidiu abandonar Ouro Preto, capital colonial encravada nas montanhas, e criar uma nova sede administrativa do zero. Segundo o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), a Comissão Construtora da Nova Capital foi chefiada pelo engenheiro paraense Aarão Reis, que projetou a cidade inspirada em Paris e Washington, com avenidas largas cortadas por diagonais e quarteirões simétricos.
A nova capital foi inaugurada em 12 de dezembro de 1897, batizada de Cidade de Minas. Só em 1901, pela Lei nº 302, ganhou o nome definitivo de Belo Horizonte. Todo o antigo Arraial do Curral del Rei foi demolido para dar lugar ao traçado moderno, num apagamento urbano que ainda gera debate entre historiadores.

Qualidade de vida entre montanhas e botecos
A cidade tem cerca de 2,5 milhões de habitantes e fica a mais de 850 metros de altitude, cercada pela Serra do Curral, cartão-postal natural que aparece no brasão municipal. O clima é ameno o ano todo, com noites frescas e ventilação natural que suaviza os verões.
Belo Horizonte é reconhecida pela cultura de boteco. Segundo o Portal Oficial da Prefeitura de Belo Horizonte, a cidade concentra milhares de bares e é palco do Comida di Buteco, festival gastronômico que percorre a cidade em maio desde 2000. A economia se apoia em serviços, comércio, mineração e no polo tecnológico do bairro Savassi.
O que fazer em Belo Horizonte em três dias?
A cidade cabe bem em dois dias, com espaço para um bate-volta a Inhotim ou às cidades históricas mineiras. Vale reservar pelo menos uma noite para a rotina de botecos.
- Conjunto Moderno da Pampulha: Igreja São Francisco de Assis, Casa do Baile, Museu de Arte da Pampulha e Casa Kubitschek ao redor da lagoa artificial.
- Praça da Liberdade: circuito cultural com o Memorial Minas Gerais Vale, o Centro Cultural Banco do Brasil e o Edifício Niemeyer de curvas modernistas.
- Mercado Central: mais de 400 boxes com queijos, cachaças, doces, artesanato e a icônica sopa de feijão da manhã.
- Mirante das Mangabeiras: vista panorâmica da cidade com a Serra do Curral ao fundo, ponto clássico do pôr do sol belo-horizontino.
- Parque Municipal Américo Renné Giannetti: pulmão verde no centro, projetado em 1897 dentro do plano original de Aarão Reis.
- Estádio Mineirão: palco de jogos da Copa do Mundo de 2014 e do 7 a 1, abriga o Museu Brasileiro do Futebol.
- Instituto Inhotim: um dos maiores museus de arte contemporânea a céu aberto do mundo, em Brumadinho, a cerca de 60 km da capital.
A Pampulha de Niemeyer em 1940
Quando o então prefeito Juscelino Kubitschek convidou Oscar Niemeyer para projetar o novo bairro da Pampulha em 1940, o arquiteto tinha 33 anos e ainda não havia feito Brasília. Ao redor da lagoa artificial, ele desenhou a Igreja São Francisco de Assis com curvas revolucionárias, o Cassino que virou Museu de Arte, o Iate Golfe Clube e a Casa do Baile.
A parceria virou marco do modernismo brasileiro. A igreja tem painéis de azulejos assinados por Cândido Portinari, jardins de Roberto Burle Marx e esculturas de Alfredo Ceschiatti. Em 2016, o Conjunto Moderno da Pampulha foi tombado pela UNESCO como primeiro sítio moderno brasileiro a receber o título de Patrimônio Mundial.

Sabores mineiros em porção generosa
A cozinha belo-horizontina é uma vitrine da tradição mineira, com pratos que passam de geração em geração e porções fartas típicas dos botecos.
- Feijão tropeiro: mistura de feijão, farinha, linguiça, torresmo e ovo, herança das tropas coloniais.
- Frango com quiabo e angu: prato-síntese da cozinha mineira, servido em restaurantes tradicionais como o Xapuri.
- Pão de queijo: assado quentinho nas padarias da manhã, com receita que varia de bairro para bairro.
- Doce de leite com queijo: sobremesa clássica que combina o doce da Serra da Canastra com o queijo minas fresco.
Como é o clima em Belo Horizonte ao longo do ano?
O clima é tropical de altitude, com verão chuvoso e inverno seco. A altitude e a topografia garantem noites frescas mesmo nos meses mais quentes.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.

Leia também: A “Capital do Morango” que parece uma cidade suíça e conquistou o 2º lugar em segurança no Brasil.
Como chegar em Belo Horizonte?
A cidade é servida por dois aeroportos. O Aeroporto Internacional Tancredo Neves, em Confins, fica a 40 km do centro e recebe a maior parte dos voos comerciais. O Aeroporto da Pampulha, mais próximo, opera voos regionais e executivos.
De carro, o acesso é feito pela BR-381 vindo de São Paulo, a cerca de 580 km, e pela BR-040 vindo do Rio de Janeiro, a 440 km. Ônibus rodoviários partem das principais capitais do Sudeste com frequência diária.
Vá conhecer Belo Horizonte
Poucas capitais brasileiras entregam ao mesmo tempo cidade planejada, patrimônio modernista e a maior densidade de botecos do país. Belo Horizonte é dessas metrópoles onde o traçado do século XIX ainda dita o ritmo da vida.
Você precisa caminhar pela Praça da Liberdade e terminar o dia num boteco da Savassi para entender por que a capital que Aarão Reis desenhou virou uma das mais queridas do Brasil.




