No subsolo de Araxá, a 360 km de Belo Horizonte, descansa uma das maiores reservas de nióbio em operação do mundo. Na superfície, a mesma terra que alimenta turbinas de avião e baterias de carros elétricos oferece banhos de lama sulfurosa, queijo artesanal premiado e um hotel-castelo inaugurado por Getúlio Vargas em 1944. A cidade do Alto Paranaíba combina geologia rara, águas terapêuticas e a memória de Dona Beja, a mulher mais controversa de Minas Gerais no século XIX.
O nióbio que veio do mesmo chão das termas
Em 1953, o geocientista Djalma Guimarães identificou nióbio no distrito do Barreiro, ao sul do centro urbano. Dois anos depois nascia a Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração (CBMM), que hoje opera a mina e responde por grande parte das exportações brasileiras do metal. O Brasil detém aproximadamente 95% das reservas conhecidas de nióbio no planeta, e Minas Gerais concentra a maior fatia, conforme dados do Serviço Geológico do Brasil (SGB).
O nióbio é usado em ligas metálicas para aviões, foguetes, gasodutos e, mais recentemente, em baterias de veículos elétricos. A arrecadação gerada pela CBMM ajuda a financiar a infraestrutura urbana de Araxá e diferencia o município da maioria das cidades mineiras de porte semelhante.

O castelo, as termas e a lenda de Dona Beja
As águas termais de Araxá já eram conhecidas desde 1800. A fama cresceu com a história de Ana Jacinta de São José, a Dona Beja (1800-1873), que atribuía sua beleza aos banhos nas fontes sulfurosas do Barreiro. A lenda sobreviveu aos séculos e transformou as termas em destino obrigatório.
Em 1944, o Grande Hotel Termas de Araxá foi inaugurado para abrigar um cassino. Projetado pelo arquiteto Luiz Signorelli, o edifício mistura elementos neoclássicos e coloniais hispano-americanos, com salões de mármore e lustres de cristal. Os jardins de Roberto Burle Marx contornam a construção em 400 mil m² de área verde preservada. O complexo é tombado como patrimônio histórico pelo IEPHA-MG desde 1989. O cassino durou dois anos (até a proibição do jogo no Brasil), mas as termas seguem funcionando como spa natural.
Este vídeo apresenta uma exploração detalhada da cidade de Araxá, em Minas Gerais, conduzida pelo casal Edivan e Camila do canal “Luzer On The Trip”. Eles mostram a cultura local, a culinária e os principais pontos turísticos.
O que visitar na terra das águas e dos cristais?
O roteiro de Araxá combina termalismo, história e turismo rural em distâncias curtas. A maioria das atrações fica no Complexo do Barreiro ou no centro da cidade.
- Termas de Araxá: ligadas ao Grande Hotel por galeria suspensa com afrescos. Banho de lama, piscina emanatória, sauna, ducha escocesa e hidromassagem. A rotunda de 17 metros de altura conta a história da cidade em vitrais.
- Fonte Dona Beja: gruta artificial com água radioativa que brota a 37-38 °C. Conhecida pela ação desintoxicante.
- Fonte Andrade Júnior: água sulfurosa alcalina indicada para tratamentos reumáticos e de pele.
- Museu Histórico Dona Beja: acervo dedicado à trajetória da personagem e às tradições araxaenses.
- Museu Calmon Barreto: homenagem ao artista plástico local, com obras e objetos da cultura do Alto Paranaíba.
- Mata da Cascatinha: trilha de 1,8 km que leva a uma cachoeira onde, segundo a tradição, Dona Beja tomava seus banhos.

O queijo que nasceu no mesmo cerrado do nióbio
Araxá é um dos berços do queijo minas artesanal, produto cujo modo de fazer foi registrado pelo IPHAN como patrimônio imaterial do Brasil. Fazendas da região produzem queijos premiados em concursos nacionais e internacionais, com destaque para o queijo Minerim, medalha de ouro no Mondial du Fromage na França em 2019. Propriedades como o Sítio Real abrem as portas para visitantes acompanharem o processo de fabricação.
O que comer na terra das quitandas?
A mesa araxaense é mineira da raiz ao prato. A tradição das doceiras e quitandeiras define o sabor da cidade tanto quanto o queijo e o pão de queijo.
- Queijo minas artesanal de Araxá: curado, semicurado ou fresco, comprado direto do produtor nas fazendas do entorno.
- Pão de queijo fresco: servido em padarias e lanchonetes do centro, com massa elástica e casca crocante.
- Doce de leite em tacho de cobre: tradição das doceiras locais, vendido em empórios como o João Menino.
- Ameixa de queijo (queijadinha): especialidade araxaense, produzida em calda ou cristalizada.
- Tutu de feijão, frango com quiabo e costelinha com ora-pro-nóbis: a culinária mineira clássica, servida no Chez Beja (dentro do Grande Hotel) e nos restaurantes do centro.
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Quando o clima favorece cada tipo de passeio?
Araxá tem clima tropical de altitude, com verão chuvoso e inverno seco. O nome indígena da cidade significa “lugar onde se vê o sol primeiro”, e o sol de fato domina boa parte do ano.
☀️ Verão
Dez – Fev18-29°C
Temperatura🍂 Outono
Mar – Mai15-27°C
Temperatura❄️ Inverno
Jun – Ago10-25°C
Temperatura🌸 Primavera
Set – Nov17-29°C
TemperaturaTemperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.

Como chegar a Araxá e o que torna a cidade tão singular?
O Aeroporto Romeu Zema (AAX) recebe voos de Belo Horizonte e algumas frequências semanais de São Paulo. Para quem prefere viajar de carro, Araxá está a cerca de 360 km de Belo Horizonte, pela BR-262, em um percurso de aproximadamente 4h30, e a 190 km de Uberlândia, com acesso pela BR-146.
Poucas cidades mineiras concentram tantos atrativos em uma área relativamente pequena. Araxá reúne reservas de nióbio de importância mundial, águas termais que brotam do subsolo do Cerrado, um antigo castelo que já funcionou como cassino e um queijo artesanal premiado na França. A figura lendária de Dona Beja, os jardins projetados por Burle Marx e a exploração mineral ajudam a compor uma identidade que mistura história, turismo, gastronomia e riqueza subterrânea. Quem visita a cidade pode conhecer as termas, experimentar o queijo curado produzido nas fazendas da região e entender como Araxá conseguiu transformar seus recursos naturais e culturais em parte essencial de sua identidade.
A cidade de Minas Gerais onde o subsolo vale bilhões e a superfície vale a viagem
Araxá é rara por juntar no mesmo endereço um metal que o mundo inteiro disputa, águas termais que brotam quentes do cerrado, um castelo que já foi cassino e um queijo artesanal premiado na França. Dona Beja emprestou a lenda, Burle Marx assinou os jardins e o nióbio paga a conta. Poucos lugares no Brasil reúnem tantas camadas de interesse num território tão compacto.
Você precisa descer às termas, provar o queijo curado na fazenda e entender por que Araxá é, ao mesmo tempo, patrimônio mineral e patrimônio de mesa.




