Encravada no alto da Serra da Mantiqueira, a 173 km de São Paulo, Campos do Jordão é a cidade mais alta do Brasil e o principal destino de inverno do país. Chalés de arquitetura alpina, fondue, Festival Internacional de Inverno e vinho quente na Vila Capivari fazem parte de uma rotina que começou como refúgio para tratamento de tuberculose no início do século XX.
Do sanatório ao destino de inverno mais famoso do país
Campos do Jordão foi fundada em 29 de abril de 1874, quando Mateus da Costa Pinto adquiriu lotes à beira do Rio Imbiri. A virada veio em 1914, com a inauguração da Estrada de Ferro Campos do Jordão, impulsionada pelos médicos sanitaristas Emílio Ribas e Victor Godinho para facilitar o acesso de pacientes com tuberculose que buscavam o clima seco de altitude para tratamento.
Segundo a Prefeitura de Campos do Jordão, a cidade emancipou-se de São Bento do Sapucaí em 1934 e teve seu clima eleito o melhor do mundo no Congresso de Climatologia de Paris, em 1957. Com o avanço no tratamento da tuberculose a partir dos anos 1960, o turismo tomou o lugar dos sanatórios e a cidade virou o principal destino de inverno brasileiro.

O que fazer em Campos do Jordão em três dias?
O tempo ideal para conhecer bem a cidade é de três dias, com espaço para a Vila Capivari, os parques naturais e os mirantes. Vale reservar noites para os restaurantes e a vida noturna nas cervejarias artesanais.
- Vila Capivari: coração turístico da cidade, com chalés de arquitetura alpina, chocolaterias, cervejarias artesanais, restaurantes de fondue e o Parque Capivari com lago e teleférico.
- Morro do Elefante: mirante clássico a 1.800 m de altitude, acessível de teleférico partindo do Capivari, com vista panorâmica da cidade e da serra.
- Horto Florestal: o Parque Estadual de Campos do Jordão foi criado em 1941 e tem 8.386 hectares de Mata Atlântica preservada, trilhas, cachoeiras, museu florestal e o Palácio Boa Vista.
- Palácio Boa Vista: inaugurado em 1964 como residência oficial de inverno do governador de São Paulo, tem acervo de arte e mobiliário aberto à visitação pública.
- Amantikir Parque: jardins temáticos inspirados em diferentes países, com labirintos, coleção botânica internacional e mirante para o Vale do Paraíba.
- Pico do Itapeva: mirante a 2.030 m, um dos pontos mais altos do estado, com vista de tirar o fôlego do Vale do Paraíba em dias limpos.
- Ducha de Prata: queda d’água escoada por pedras a caminho do Horto Florestal, ponto tradicional para banho gelado e caminhada leve.
- Estrada de Ferro Campos do Jordão: a ferrovia histórica opera passeios turísticos de trem em trechos cênicos da Serra da Mantiqueira.
O Festival Internacional de Inverno
Todo mês de julho, Campos do Jordão vira o centro da música clássica na América Latina. O Festival Internacional de Inverno Dr. Luís Arrobas Martins foi criado em 1970 pelo idealizador que dá nome ao evento e pelo compositor Camargo Guarnieri.
Segundo o Festival Internacional de Inverno de Campos do Jordão, hoje mantido pela Fundação Osesp, o evento é o mais antigo e prestigiado da música erudita no continente, com mais de 50 anos ininterruptos. A programação mistura concertos gratuitos, óperas e módulos pedagógicos, com apresentações principais no Auditório Claudio Santoro, no Palácio Boa Vista e em outros oito palcos.
Sabores da montanha
A cozinha campista é fiel ao estilo alpino, com muitas fondues e cervejas artesanais. Também há restaurantes de cortes argentinos, cozinha alemã e receitas de truta preparadas em fazendas da região.
- Fondue: de queijo, de carne ou de chocolate, protagonista dos jantares de inverno em casas tradicionais como Matterhorn e Só Queijo.
- Truta grelhada: peixe cultivado em pisciculturas da Serra da Mantiqueira, servido em restaurantes tradicionais como a Confraria do Sabor.
- Cervejas artesanais: várias microcervejarias produzem rótulos locais, com destaque para a Baden Baden na Vila Capivari.
- Pinhão: semente da araucária servida quente na entrada dos restaurantes, presença fixa no cardápio da alta temporada.
Leia também: A “Machu Picchu Brasileira” que perdeu 95% da população após o fim do garimpo e virou vila quase fantasma na Bahia.
Qual a melhor época para visitar Campos do Jordão?
O clima é tropical de altitude, com invernos secos e frios. A altitude e a topografia garantem noites frescas mesmo nos meses de verão.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
A temperatura mínima absoluta já registrada foi de -7,3°C, em 1º de junho de 1979. Nevou oficialmente em 1928, 1942, 1947 e 1966, o que ajudou a consolidar o apelido de Suíça Brasileira.

Como chegar em Campos do Jordão?
A cidade fica a 173 km da capital paulista e a 350 km do Rio de Janeiro. O acesso principal é feito pela Rodovia Presidente Dutra (BR-116) e depois pela Rodovia Floriano Rodrigues Pinheiro, com trechos sinuosos de serra.
Não há aeroporto comercial na cidade. Os mais próximos são o Aeroporto de Guarulhos, em São Paulo, e o Aeroporto de São José dos Campos, a cerca de 100 km. Ônibus regulares partem de várias capitais e cidades do interior paulista, com destaque para as linhas partindo da Rodoviária do Tietê.
Vá conhecer Campos do Jordão
Poucos destinos brasileiros combinam arquitetura alpina, o maior festival de música clássica da América Latina e o ar mais puro do país no mesmo endereço. Campos do Jordão continua no ritmo do frio, da fondue e dos passeios de teleférico entre as araucárias.
Você precisa subir a serra e caminhar pela Vila Capivari em uma noite de julho para entender por que este canto da Mantiqueira virou obsessão de quem gosta do inverno brasileiro.




