Desenvolvida originalmente para garantir que pilotos de caça descansassem em qualquer cenário, a técnica militar para dormir é um método sistemático que promete induzir o sono rapidamente através do desligamento consciente dos grupos musculares. Com prática consistente, esse protocolo ensina o cérebro a transitar do estado de alerta para o repouso profundo, silenciando tanto a tensão física quanto o ruído mental que causam a insônia.
Qual é a origem desse método viral?
A técnica ganhou fama mundial através do livro “Relax and Win: Championship Performance”, de Lloyd Bud Winter, que descreveu a rotina da Escola de Pré-Voo da Marinha dos Estados Unidos. O objetivo era evitar erros fatais causados pela fadiga, treinando os pilotos para adormecerem em até dois minutos, mesmo sentados em cadeiras desconfortáveis e com barulho de metralhadoras ou bombardeios ao fundo.
Segundo relatos históricos e análises modernas da Sleep Foundation, após seis semanas de treinamento diário, 96% dos pilotos conseguiam adormecer quase instantaneamente. O segredo não é uma pílula mágica, mas sim um condicionamento psicofisiológico que “hackeia” o sistema nervoso para forçar o relaxamento.

Como preparar o corpo físico para desligar?
O processo começa com o relaxamento facial, que é fundamental para sinalizar segurança ao resto do corpo. Você deve fechar os olhos e respirar lentamente, relaxando conscientemente todos os 43 músculos da face — incluindo a testa, as bochechas, a língua e a mandíbula (onde acumulamos muita tensão).
Em seguida, a ordem é “cair” os ombros o mais baixo possível, liberando a tensão do pescoço, e deixar os braços penderem moles ao lado do corpo. Especialistas da Mayo Clinic explicam que essa varredura corporal, similar ao relaxamento muscular progressivo, reduz a frequência cardíaca e a pressão arterial, preparando o terreno biológico para o sono.
Leia também: O que acontece quando você toma sol nos primeiros 30 minutos do dia?
O que fazer para “apagar” a mente em 10 segundos?
Após relaxar o tronco e as pernas (das coxas até os dedos dos pés), o desafio final é limpar a mente de pensamentos ativos por dez segundos. O método sugere que, se você não conseguir parar de pensar em problemas, deve utilizar cenários estáticos de visualização para ocupar o cérebro sem estimulá-lo.
As três opções clássicas de visualização sugeridas pelo método incluem:
- A Canoa: Imagine-se deitado em uma canoa em um lago calmo, com nada além de um céu azul acima de você.
- A Rede: Visualize-se deitado em uma rede de veludo preto, em um quarto totalmente escuro.
- O Mantra: Se a visualização falhar, repita mentalmente “não pense, não pense, não pense” por 10 segundos seguidos.
No vídeo a seguir, com mais de 200 mil seguidores, Lucas Zanandrez, fala um pouco sobre essa técnica:
Por que essa técnica funciona biologicamente?
O sucesso da técnica reside na sua capacidade de interromper o ciclo de ansiedade e hipervigilância que mantém o insone acordado. Ao focar intensamente no relaxamento de cada parte do corpo, você retira a atenção dos pensamentos ruminantes e ativa o sistema nervoso parassimpático, responsável pelo descanso e digestão.
Estudos sobre intervenções comportamentais para insônia revisados pelo National Institutes of Health (NIH) confirmam que técnicas de imaginação guiada e relaxamento físico são eficazes para reduzir a latência do sono. O método militar apenas agrupa essas práticas validadas em uma sequência lógica e memorizável.
Leia também: Por que evitar luz azul (telas) 2 horas antes de dormir
Quanto tempo demora para ver resultados?
É crucial gerenciar as expectativas: raramente alguém consegue dormir em dois minutos na primeira tentativa. O cérebro precisa aprender a associar esse ritual específico ao ato de dormir, o que exige repetição e paciência para criar a memória neural necessária.
A maioria dos praticantes relata melhorias significativas após cerca de quatro a seis semanas de prática consistente. A Cleveland Clinic reforça que a consistência é a chave; desistir após duas noites não trará o efeito desejado, pois o corpo precisa de tempo para confiar que é seguro “desligar” sob comando.










