A 70 km de Belo Horizonte, no coração de Minas Gerais, Sete Lagoas guarda uma das combinações mais raras do Brasil. Reúne cerca de 238 mil habitantes, ostenta 17 espelhos d’água distribuídos pelo município, um Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) de 0,760 considerado alto pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), e abriga uma gruta com formações geológicas únicas no planeta. O nome deveria refletir sete lagoas, mas hoje há dez dentro do perímetro urbano e 17 em todo o município. É por isso que a cidade se apresenta como Terra das Lagoas Encantadas.
De Vupabuçu à Terra das Lagoas Encantadas
A história começa em 1667, quando o bandeirante Fernão Dias Pais, o Caçador de Esmeraldas, acampou em Sumidouro e descobriu minério argentífero no serrote das Sete Lagoas. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), foi ali a primeira referência histórica à extensa planície coberta de lagos, que os povos indígenas chamavam de Vupabuçu. A fixação humana só veio em 1750, quando a Coroa Portuguesa concedeu uma sesmaria de três léguas a Antônio Pinto de Magalhães.
A vila se consolidou em torno da construção da Igreja de Santo Antônio das Sete Lagoas a partir de 1820, e a emancipação política aconteceu em 30 de novembro de 1880. O grande salto econômico veio com a chegada da ferrovia em 1896. Segundo o IPatrimônio, a Estação Ferroviária fez a população saltar de 3 mil para 8 mil habitantes nas primeiras décadas do século XX. A construção atraiu imigrantes portugueses e italianos que ajudaram a moldar a identidade da cidade.

Duas colunas de pedra únicas no mundo
A grande curiosidade geológica está no subsolo. A Gruta Rei do Mato, no trevo de acesso à cidade à margem da BR-040, é a principal das 24 grutas catalogadas no município. Tornou-se Monumento Natural Estadual em 2009, gerido pelo Instituto Estadual de Florestas (IEF) como Unidade de Conservação de Proteção Integral. Tem 220 metros de extensão, desnível de 30 metros e quatro salões abertos à visitação.
O quarto salão, com 100 metros de comprimento, guarda o grande tesouro: duas colunas paralelas, perfeitamente cilíndricas e harmônicas, consideradas únicas no mundo. Na chamada Grutinha, ao lado da entrada, sobrevivem pinturas rupestres feitas há mais de 6 mil anos. Segundo o Governo de Minas Gerais, a gruta integra a Rota das Grutas de Peter Lund, ao lado do Parque Estadual do Sumidouro e do Monumento Natural Peter Lund (Gruta de Maquiné). O nome tem origem em uma lenda dos anos 1930: um homem solitário, forte, barbudo e de olhos claros, possivelmente refugiado da Revolução de 1930, habitou o local e foi apelidado pelos moradores de Rei do Mato.
O que fazer em Sete Lagoas em dois dias?
Dois dias são suficientes para conhecer a gruta, subir a Serra de Santa Helena e caminhar pelas duas principais lagoas. A cidade compacta permite deslocamentos rápidos entre atrações.
- Gruta Rei do Mato: quatro salões abertos à visitação com duas colunas cilíndricas únicas no mundo no salão principal e pinturas rupestres de mais de 6 mil anos na Grutinha ao lado da entrada.
- Lagoa Paulino: a mais central das sete lagoas, com 1.250 metros de orla, pedalinhos, fonte iluminada e feira de artesanato e comidas típicas nas noites de sexta e sábado.
- Lagoa da Boa Vista: complexo poliesportivo com pista dupla de 1.630 metros, pista de skate, bicicross e a Ilha dos Macacos no centro do espelho d’água, com feira de produtos caseiros nas manhãs de domingo.
- Serra de Santa Helena: ponto mais alto da cidade, a 1.076 metros de altitude, formação calcária com trilhas, Capela de Santa Helena de 1852, o Cruzeiro e uma rampa de voo livre com vista das serras do Curral e da Piedade.
- Parque da Cascata: 295 hectares de mata nativa na Serra de Santa Helena, com lago artificial cercado por praia, trilhas ecológicas e mirante para uma cachoeira de 35 metros.
- Museu Ferroviário: instalado na estação inaugurada em 1896 e preservada como patrimônio, guarda locomotivas, vagões, uniformes e ferramentas da extinta Estrada de Ferro Central do Brasil.
- Catedral de Santo Antônio: templo em estilo rococó do século XVIII, marco da última fase do colonialismo mineiro e coração histórico do centro da cidade.
- Centro Cultural Nhô Quim Drumond: dedicado ao famoso humorista mineiro, é um dos principais espaços de cultura da cidade, com programação regular de teatro e exposições.

Sabores da mesa setelagoana
A cozinha combina tradição mineira, herança rural das antigas fazendas e receitas exclusivas criadas na cidade. O galopé e o muchacho são pratos que raramente aparecem em outros cardápios do estado.
- Galopé: prato exclusivo da cidade, feito com frango e pé de porco cozidos por horas, origem local que raramente aparece em outros cardápios de Minas Gerais.
- Muchacho: outra receita típica, combina frango, porco e queijo em preparação assada, presente em restaurantes tradicionais do centro.
- Feijão tropeiro: clássico da cozinha mineira, servido com couve, ovo, torresmo e linguiça em cantinas familiares do entorno da Lagoa Paulino.
- Frango com molho pardo: prato ancestral das fazendas mineiras, herdado das cozinhas de fogão a lenha, servido com angu e couve refogada.
Qual a melhor época para visitar Sete Lagoas?
O clima é tropical de altitude, com temperatura média anual de 21,5°C. O inverno é seco e ameno, e o verão é quente e chuvoso, com pancadas rápidas de fim de tarde.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
O inverno seco, entre junho e agosto, é a melhor época para visitar a Gruta Rei do Mato e subir a Serra de Santa Helena, com trilhas mais confortáveis. A Semana do Folclore, em agosto, movimenta o calendário cultural com apresentações e barracas típicas. As feiras noturnas da Lagoa Paulino funcionam o ano inteiro nas sextas e sábados.

Como chegar em Sete Lagoas?
A cidade fica a 72 km de Belo Horizonte pela BR-040, com viagem de cerca de 1 hora de carro. A Gruta Rei do Mato está no próprio trevo de acesso, no km 472 da rodovia, e permite parar antes mesmo de chegar ao centro. Ônibus intermunicipais partem do Terminal Rodoviário de BH com frequência ao longo do dia.
O Aeroporto Internacional Tancredo Neves, em Confins, fica a 40 km e recebe voos das principais capitais brasileiras. Quem vem de São Paulo percorre aproximadamente 640 km pela BR-381 (Fernão Dias) até Belo Horizonte e segue pela BR-040. A viação Gontijo opera a rota São Paulo-Sete Lagoas com viagens de aproximadamente 10 horas com partida do Terminal Rodoviário do Tietê.
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Vá conhecer Sete Lagoas
Poucas cidades brasileiras conseguem entregar 17 espelhos d’água, duas colunas de pedra únicas no planeta, pinturas rupestres de 6 mil anos e uma gruta batizada por um eremita fugitivo da Revolução de 1930 no mesmo endereço. Sete Lagoas segue no ritmo das feiras noturnas da Lagoa Paulino, das trilhas que sobem a Serra de Santa Helena e do trem que já não passa mais na antiga estação de 1896.
Você precisa visitar a Gruta Rei do Mato e caminhar ao redor da Lagoa Paulino para entender por que a Terra das Lagoas Encantadas virou um dos destinos mais surpreendentes do interior mineiro.




