A 919 metros de altitude, no sul de Minas Gerais, o aroma de café especial se mistura ao perfume dos ipês que tomam as ruas entre junho e agosto. Conhecida como Terra dos Ipês e das Escolas, Lavras reúne cachoeiras cercadas pela Serra da Bocaina, fazendas históricas de café e uma tradição universitária que transformou a cidade em referência nacional em agronomia e pesquisa agrícola.
Como Lavras se tornou referência em agronomia no Brasil?
O nome da cidade remete ao período colonial, quando “lavras” era o termo usado para identificar áreas de extração de ouro nos rios da região. Com o declínio da mineração, o município encontrou outra vocação: a produção de conhecimento ligado ao campo. Essa transformação ganhou força em 1908, quando o missionário americano Samuel Rhea Gammon fundou a Escola Agrícola de Lavras, instituição que mais tarde daria origem à atual Universidade Federal de Lavras (UFLA), oficialmente criada em 1994.
Ao longo do século XX, a instituição acumulou pioneirismos importantes para a agricultura brasileira. A escola sediou a primeira Exposição Agropecuária de Minas Gerais, em 1922, introduziu o primeiro silo aéreo do estado e esteve entre os locais que receberam os primeiros tratores utilizados em lavouras no Brasil. Hoje, a UFLA mantém mais de uma centena de pesquisadores dedicados ao estudo do café e de outras culturas agrícolas, além de possuir nota máxima no Índice Geral de Cursos do MEC, consolidando Lavras como um dos maiores polos acadêmicos do interior mineiro.

O que aproveitar na Terra dos Ipês?
O roteiro lavrense mistura ecoturismo, patrimônio colonial e turismo científico. As principais atrações ficam a poucos quilômetros do centro.
- Parque Ecológico Quedas do Rio Bonito: 235 hectares de Mata Atlântica na Serra da Bocaina, com cachoeiras, trilhas, tirolesa, arvorismo e piscinas naturais. Entrada gratuita para caminhada e mirante. Fica a 9 km do centro pela BR-354.
- Lago do Funil: represa de 40 km² compartilhada com cinco municípios, a 14 km do centro. Camping, mergulho, passeios de barco e bares de comida mineira na Comunidade do Funil.
- Serra da Bocaina: ponto mais alto do município, com vista panorâmica para São Thomé das Letras e cidades vizinhas. Acesso por 15 km de estrada de terra.
- Campus da UFLA: funciona como parque urbano aberto à visitação, com alamedas arborizadas, lagoas, jardim botânico e o Museu Bi Moreira, que guarda cerca de 5 mil peças sobre a história regional.
- Igreja Nossa Senhora do Rosário: construção mais antiga de Lavras, com arquitetura colonial do século XVIII e decoração de inspiração rococó. No interior, destaca-se a imagem do Bom Jesus da Coluna.
- Rafting no Rio Capivari: descida em botes pelas corredeiras, ideal para quem busca adrenalina perto da cidade.
O vídeo do canal “Cidades & Cia” apresenta uma visão geral de Lavras, no sul de Minas Gerais, destacando-a como um importante centro regional com rica história e forte vocação educacional.
Por que os ipês viraram símbolo de Lavras?
A relação de Lavras com os ipês ganhou força em 1941, quando o escritor Jorge Duarte publicou no jornal A Gazeta uma crônica que comparava as árvores às escolas da cidade. Segundo o texto, tanto os ipês quanto a educação passam grande parte do tempo em crescimento silencioso até florescerem no momento certo. A ideia chamou atenção do jornalista Assis Chateaubriand, que repetiu a frase durante uma visita ao município, ajudando a transformar a associação em um dos lemas mais conhecidos da cidade mineira.
A partir dessa identificação, o plantio de ipês se espalhou por diferentes regiões urbanas de Lavras. Árvores amarelas, roxas e brancas passaram a ocupar avenidas, praças e margens da BR-265, criando uma paisagem marcante durante o inverno. Entre julho e setembro, a floração colore a cidade e atrai visitantes, fotógrafos e moradores que acompanham a transformação das ruas em corredores naturais cobertos pelas copas floridas.
Qual a melhor comida mineira para provar em Lavras?
A mesa lavrense reflete a tradição do sul de Minas, temperada pela presença de estudantes de todo o país. A Praça Dr. Augusto Silva recebe feira de artesanato e gastronomia aos domingos.
- Comida de fogão a lenha: restaurantes do centro servem tutu de feijão, lombo, couve refogada e torresmo em almoços fartos.
- Café especial: torrefações locais trabalham com grãos da região, produzidos sob orientação de pesquisadores da UFLA. Degustações estão disponíveis em fazendas da Rota do Café no entorno.
- Doces caseiros: compotas de figo, goiabada cascão e doce de leite em tachos de cobre seguem a receita que passa de geração em geração.

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Quando o clima favorece cada tipo de passeio?
O clima tropical de altitude garante noites frescas o ano inteiro. O inverno seco é a melhor época para trilhas e cachoeiras. No verão, as chuvas de fim de tarde podem dificultar estradas de terra.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.

Como chegar à Terra dos Ipês de Lavras?
Lavras fica a cerca de 237 km de Belo Horizonte, com acesso principal pela BR-381 (Fernão Dias) até o trevo de Perdões, seguindo depois pela BR-265 em pista duplicada. O trajeto leva aproximadamente 3h30 de carro. Para quem sai de São Paulo, a distância é de cerca de 380 km, também pela Fernão Dias, utilizando o mesmo acesso final pela BR-265.
O aeroporto regional mais próximo com voos comerciais regulares é o de Varginha, localizado a aproximadamente 80 km da cidade. Já para quem prefere transporte rodoviário, linhas de ônibus conectam Lavras a diversas cidades mineiras e capitais do Sudeste. Informações turísticas e roteiros oficiais podem ser consultados no portal do Turismo de Minas Gerais.
Por que Lavras conquista quem visita?
Lavras é uma cidade que impressiona pelo equilíbrio entre natureza, tradição universitária e qualidade de vida. Os ipês floridos no inverno, o clima ameno da serra e a forte cultura do café criam um cenário acolhedor, típico do sul de Minas Gerais, onde o cotidiano acontece em ritmo mais tranquilo.
Sentar na Praça Dr. Augusto Silva para tomar um café coado feito com grãos produzidos na própria região é quase um ritual local. Entre universidades centenárias, fazendas históricas e montanhas ao fundo, Lavras mostra por que a chamada Terra dos Ipês e das Escolas costuma transformar visitantes curiosos em apaixonados pela cidade.










